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02   A Donzela Feroz (rev PRT)

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com a esperança de resguardar essa valiosa fortaleza da ambição dos ingleses. 
A pesar do decreto do rei, Pagan tinha procedido com cautela. Ele tinha viajado com Colin antes que todos seus cavalheiros tomassem o caminho até Rivenloch, sua nova casa. Os Normandos podiam ser aliados dos escoceses, mas Pagan duvidava que eles fossem ter uma cálida recepção se eles chegassem com todo o exército, como um exército de conquista, para tomar a uma das filhas do lorde como esposa. 
Do modo como tinham resultado as coisas, Pagan tinha tido razão em ser precavido. A recepção dos escoceses, ao menos a das filhas, tinha sido muito menos que cálida. Mas com a graça de Deus, ao meio dia do dia seguinte, depois que a aliança fosse selada com o matrimônio, a paz reinaria. E os escoceses, uma vez que estivessem desfrutando da bebida e da celebração, certamente dariam uma boa-vinda aos Cavalheiros de Cameliard a Rivenloch. 
Helena roncou em seu sono, e Colin lhe sorriu maliciosamente. Não tinha devotado a ele nenhuma palavra de boas-vindas. De fato, ela provavelmente tivesse preferido lhe cortar a garganta. 
Ele se inclinou para deslizar um braço atrás dos joelhos dela e a levantou facilmente. 
Um dos pequenos depósitos que parecia ter sido usado ocasionalmente. Apenas continha móveis quebrados e ferramentas, pilhas de trapos, e vários frascos vazios. Tinha um cadeado na parte de fora e um estreito espaço na parte de debaixo da porta para que entrasse o ar, por isso significava que provavelmente tinha sido empregado em um tempo como uma espécie de calabouço. 
De fato, não era o lugar ideal para deixar a uma moça por uma noite. 
Colin estendeu a manta de pele em cima de uma improvisada cama feita com os trapos. Ela podia ser uma assassina, mas também era uma mulher. Ela merecia ao menos um pouco de comodidade. Depois de que ele colocou a manta sobre seus ombros, não pôde resistir de lhe tirar uma mecha de cabelo castanho dourado do rosto para depositar um breve beijo sobre sua testa. "Durma bem, pequena Diabinha." 
Ele fechou e pôs o cadeado na porta atrás dele, em seguida se sentou contra ela, cruzando seus braços sobre seu peito e fechando seus olhos. Quem sabe poderia ter uma hora de sono antes da manhã. Se tudo ia bem, pela tarde o matrimônio estaria selado, e o resto da companhia Cameliard chegaria. Uma vez que Pagan estivesse casado, seria seguro liberar Helena. 
Ele se maravilhou novamente com a curiosa Donzela escocesa. Era muito diferente de qualquer mulher que ele já tinha conhecido: temerária e arrogante, e ainda assim inegavelmente feminina. Durante o jantar, ela fanfarronamente tinha proclamado ser perita com a espada, uma afirmação que nenhum dos homens do clã tinha discutido. E ela os tinha entretido com uma história de um bandido local, tratando de impressioná-lo com horríveis detalhes que teriam inquietado a qualquer mulher. Ela tinha exibido um temperamento explosivo quando seu pai anunciou o matrimônio de Miriel, amaldiçoando e golpeando seu punho sobre a mesa, seu estalo só foi controlado pela provocação de sua irmã mais velha. E seu apetite? Ele sorriu enquanto recordava olhar-la chupar a gordura de seus dedos. A donzela tinha comido o suficiente para satisfazer a dois homens adultos. 
E sem dúvida as formas de seu corpo eram muito femininas. Seu membro se inchou com a lembrança dela nua na lagoa, seu traseiro arredondado enquanto se inundava debaixo da água, o suave bamboleio de seus peitos cheios enquanto ela brincava com suas irmãs, suas bem delineadas coxas, sua estreita cintura, seus dentes brancos e seu cabelo solto banhado pela luz do sol. 
Ele suspirou. Era inútil molhar suas calças por uma donzela que, nesse mesmo momento dormia bêbada do outro lado da porta. 
Ainda assim, ele não pôde parar de pensar nela. Helena era única. Intrigante. Vibrante. Ele nunca tinha conhecido a uma mulher tão obcecada, tão selvagem. Tão fresca e tão selvagem como a Escócia. E tão imprevisível. De fato, por sorte que Pagan tivesse escolhido à silenciosa, doce, dócil Miriel como futura esposa, e não Helena. Essa moça teria sido um perigo. 
Mais que um perigo, ele considerou com um sorriso pícaro, recordando a carícia acidental da qual ele tinha desfrutado momentos atrás. Jesus! Ela tinha um corpo adorável. Talvez, eventualmente, ele poderia seduzir à donzela para que lhe permitisse tomar mais liberdades. Seu membro se esticou ante essa idéia. Mais cedo, quando ele tinha abortados os planos de assassinato dela, e quando a tinha tido entre seus braços, e, em um ataque de fúria, tinha ameaçado açoitar-la, ela o tinha observado com um olhar letal tão quente como um ferro ardente. Mas ela estava ébria, desesperada e fora de si. 
No momento em que ela despertasse pela manhã e reconhecesse o que havia feito no estado de embriaguez, provavelmente se ruborizaria com vergonha e chorasse de arrependimento. E quando se desse conta da piedade, a paciência, a compaixão e a bondade que Colin tinha tido para ela,, sentiria-se mais disposta a aceitar seus avanços. 
De fato, ele decidiu, com sua boca curvando-se em um sorriso feliz enquanto dormia talvez então ela aceitasse suas carícias. 
Capítulo 2
Helena odiava Colin du Lac. Com todo seu coração. Com cada fibra de seu ser. Portanto, se ela não se sentisse tão mal, teria manifestado esse ódio golpeando seu punho contra a porta de madeira e gritando a todo pulmão. Mas hoje seu rancor tinha que ser silencioso pelo excesso de vinho que tinha deixado um sabor amargo em sua boca e uma aguda dor de cabeça que ameaçava lhe partindo o crânio. 
Sentada sobre a pilha de farrapos que seu captor havia arrumado em uma rudimentar cama para ela, deixou cair sua cabeça sobre seus joelhos dobrados e pressionou suas têmporas doloridas. 
Por que se tinha embebedado tanto na noite anterior? E por que tinha sido tão impulsiva? Se só tivesse tomado seu tempo, poderia ter sido capaz de pensar numa melhor maneira de prevenir o casamento de Miriel. Uma maneira mais inteligente. Uma que não envolvesse tratar de assassinar ao noivo enquanto dormia. 
Mas agora, enquanto Helena adoecia, vencida, no maldito porão, sem dúvida a pobre Miriel estaria parada tremendo ao lado do bruto de seu noivo, timidamente murmurando os votos que a converteriam em sua escrava para sempre. Helena se estremeceu. Tinha conseguido ver brevemente a Pagan Cameliard na noite anterior quando ele se levantou nu de sua cama. O homem tinha facilmente duas vezes o tamanho de Miriel, grande de ossos e cheio de músculos. Embora, ele tinha prometido não tomar a Miriel contra sua vontade, mas Helena não confiava no normando. E quando imaginava a sua inocente irmã sendo manuseada por semelhante bruto, adoecia-se. 
"Merda!" ela gritou em frustração, estremecendo-se enquanto o insulto enviava uma dor aguda a sua cabeça. 
Se pelo menos não tivesse tomado tanto vinho. Se não tivesse tropeçado com o intrometido Colin du Lac. Se não tivesse falhado com sua adaga. Ela pressionou seus olhos fechados contra suas mãos. Sabia muito bem que poderia ter cometido um assassinato a sangue frio, ébria ou não. Ela podia ser uma feroz guerreira, mas não era uma assassina. Se pelo menos não tivesse tropeçado e caído sobre a cama de Pagan, ela teria encontrado alguma outra desculpa para não esfaqueá-lo. 
Mas os normandos a tinham apanhado com a faca na mão e sede de sangue em seus olhos. Agora nunca poderia convencer-los de que ela era incapaz e inocente desse crime. 
Estremeceu-se enquanto recordava as palavras de Colin. É traição. Deveria ser enforcada por isso. 
Sua mão foi involuntariamente para sua garganta. Certamente era uma ameaça vazia. Um estrangeiro não podia simplesmente cavalgar até um castelo escocês, casar-se com a filha do lorde, e em seguida executar a sua irmã. Era verdade que Pagan uma vez casado com Miriel, converteria-se no administrador de Rivenloch, uma posição de significativo poder, especialmente considerando a demência que padecia Lorde Gellir ultimamente.
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