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Resumo de Direito de Família 
 
 
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Prof. AGEU CAVALCANTE LEMOS JÚNIOR 2.017 
 ageuadvocacia.com.br 
DIREITO DE FAMÍLIA 
 
I \u2013 CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES 
 
Antes de mais nada, é preciso consignar a existência dos 
seguintes princípios constitucionais informadores do Direito de 
Família (Carlos Alberto Bittar): 
- princípio da família como base da sociedade; 
- princípio da igualdade entre homens e 
mulheres na sociedade conjugal; 
- princípio da dissolubilidade do vínculo 
matrimonial; 
- princípio da igualdade de direitos entre 
filhos; 
- princípio da identificação de direitos 
fundamentais da criança, do adolescente e do idoso; 
- princípio da proteção à entidade familiar 
- princípio do casamento como formador da 
família. 
 
A propósito, a Constituição Federal de 1988 reconhece a família 
como base da sociedade e considera como entidade familiar não 
somente aquela formada pelo casamento, como também a resultante 
de união estável entre o homem e a mulher (art. 226, §3°) e a 
comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes. 
 
Diante disso, pode-se Classificar a família em: 
I - legítima ou matrimonial- resultante do casamento; 
II - natural ou não matrimonial - resultante da união estável; 
III \u2013 monoparental - resultante da comunidade formada por qualquer 
dos pais e seus filhos. 
IV - anaparental \u2013 Conceitua-se como sendo aquela família unida por 
algum parentesco, mas sem a presença de pais. É constituída pela 
convivência entre parentes dentro de um mesmo lar, com objetivos 
comuns, sejam eles de afinidade ou até mesmo econômico. Podemos 
citar como exemplo: dois irmãos ou primos que convivem juntos. 
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V \u2013 homoafetiva \u2013 Esta espécie de família é constituída por pessoas 
do mesmo sexo, unidas por laços afetivos. 
VI \u2013 Substituta \u2013 A família substituta é aquela oriunda da adoção, 
seja esta temporária ou permanente. Nessa espécie de família, os 
membros não são aliados por laços sanguíneos, mas sim por 
afinidade, carinho, compaixão e amor, ou seja, os pais não são os 
pais biológicos dos filhos, mas agem como assim o fossem. 
 
II - DO CASAMENTO 
1 \u2013 CONCEITO: É o ato solene pelo qual um homem e uma mulher 
se unem, de conformidade com a lei, a fim de legitimarem suas 
relações sexuais, prestarem mútuo auxílio espiritual e material, 
procriarem e educarem a prole comum. Gera a família legítima ou 
matrimonial. 
Segundo o Código Civil, "o casamento estabelece comunhão plena de 
vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges", 
sendo "defeso a qualquer pessoa, de direito público ou privado, 
interferir na comunhão de vida instituída pela família". 
 
2- NATUREZA JURÍDICA: 
- Teoria contratualista ou individualista - originária do direito 
canônico, considera o casamento como um contrato civil; 
- Teoria institucionalista ou supra-individualista - adotada por 
Maria Helena Diniz e por Amoldo Wald - considera o casamento como 
uma instituição social, retratando uma situação jurídica que surge da 
vontade dos nubentes, sujeita, entretanto, às normas, forma e 
efeitos preestabelecidos em lei; 
- Teoria eclética ou mista - adotada pela doutrina moderna 
considera o casamento como um ato complexo, que se caracteriza 
como um contrato em sua formação e como uma instituição no seu 
conteúdo. 
 
3 - CARACTERES: 
- liberdade de escolha do nubente; 
- solenidade do ato nupcial; 
- caráter público da legislação respectiva; exclusividade de união; 
- permanência da união (diferente de indissolubilidade). 
 
 
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4 - ESPONSAIS, PROMESSA DE CASAMENTO OU NOIVADO. 
É o "compromisso de casamento entre duas pessoas 
desimpedidas, de sexo diferente, com o escopo de possibilitar que se 
conheçam melhor, que aquilatem suas afinidades e gostos" (Antônio 
Chaves, citado por MHD). 
Anteriormente, nosso ordenamento jurídico atribuía natureza 
contratual aos esponsais, cujo inadimplemento resolvia-se em perdas 
e danos. Entretanto, a Lei de Casamento Civil de 1890, o Código Civil 
de 1916 e o novo Código Civil deixaram de regulamentar 
expressamente o instituto. 
Não obstante isso admite-se, excepcionalmente, a 
responsabilidade extracontratual ou aquilina, no caso de rompimento 
dos esponsais e desde que verificados os requisitos para tanto, 
dentre os quais pode-se citar os seguintes: 
1 - livre formalização da promessa de casamento pelo noivo 
responsável pelo rompimento; 
2 \u2013 recusa deste em cumprir tal promessa; 
3 - ausência de motivo justo; 
4 - ocorrência de um dano. 
Essa recusa culposa ou dolosa ao cumprimento da promessa de 
casamento, embora não se caracterize como inadimplemento 
contratual, pode, em casos excepcionais, acarretar consequências 
como a devolução dos presentes trocados e a indenização por danos 
morais e materiais ao não responsável pelo rompimento dos 
esponsais. 
Jurisprudência sobre o assunto: 
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ 
RESPONSABILIDADE CIVIL \u2013 INDENIZAÇÃO 
\u2013 DANO MORAL \u2013 ROMPIMENTO DE 
NOIVADO \u2013 1. FALTA DE MOTIVO PARA A 
RUPTURA DO NOIVADO \u2013 FATO QUE GERA 
A RESPONSABILIDADE \u2013 2 . AFIRMAÇÃO DA 
AUTORA NA PETIÇÃO INICIAL DO 
ROMPIMENTO SEM MOTIVO PLAUSÍVEL \u2013 
FATO NÃO IMPUGNADO PELO RÉU NA 
CONTESTAÇÃO \u2013 PRESUME-SE 
VERDADEIRO (CPC, ART. 302, CAPUT) \u2013 3 . 
RÉU QUE MUDA A VERSÃO DA CAUSA DA 
RUPTURA \u2013 CONDUTA DAS PARTES \u2013 
EFICÁCIA PROBATÓRIA \u2013 4 . DANO MORAL 
PELA DOR, SOFRIMENTO DA AUTORA PELO 
ROMPIMENTO DO NOIVADO NAS VÉSPERAS 
DO CASAMENTO \u2013 CONFIGURAÇÃO \u2013 5 . 
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FIXAÇÃO DO VALOR DO DANO MORAL \u2013 
OBSERVÂNCIA DA SITUAÇÃO 
SÓCIOECONÔMICA DA VÍTIMA E DO 
OFENSOR \u2013 REPERCUSSÃO DO FATO \u2013 
VALOR QUE DEVE SER FIXADO COM BOM-
SENSO \u2013 RECURSO PROVIDO. 
O noivado não tem sentido de 
obrigator iedade. Pode ser rompido de modo 
uni lateral até o momento da celebração do 
casamento, mas a ruptura imotivada gera 
responsabi l idade civi l , inclusive por dano 
moral. 
O valor do dano moral tem efe i to reparatór io 
ou compensatór io ( reparar ou compensar a dor 
sof r ida pela v í t ima) e também o efe i to puni t ivo 
ou repress ivo (para que o réu não cometa 
out ros fatos desta natureza) . A f ixação do 
valor não pode ser também fator de 
enr iquecimento fác i l e indevido da ví t ima. A 
reparação é um sucedâneo da dor , do 
sof r imento. 
TJPR \u2013 AC 52.648-3 \u2013 4ª C.Cív. \u2013 Rel . Ju iz 
Conv. Lauro Laer tes de Ol ive i ra \u2013 DJPR 
11.05.199805.11.1998 
 
Mais a inda: 
TJMT - Tr ibunal de Just iça do Mato Grosso. 
QUARTA CÂMARA CÍVEL RECURSO DE 
APELAÇÃO CÍVEL Nº 73459/2006 - CLASSE I I 
- 20 - COMARCA DE VÁRZEA GRANDE. 
Par tes: APELANTE: VIVIANE DA CUNHA 
BARBOSA. APELADO: JÂNIO YAMAZAKI 
Ementa: 
DANO MORAL - ROMPIMENTO NOIVADO - 
AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO 
NOIVADO - RECURSO IMPROVIDO. 
Não havendo prova segura da ex is tência d o 
noivado com promessa de casamento ent re a 
autora e o réu, inv iável
Didi
Didi fez um comentário
Pode me enviar por email ?
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Darlison
Darlison fez um comentário
Muito bom!
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