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Responsabilidade Civil e Criminal (1)

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também conhe-
cida como aquiliana.
9.1 Responsabilidade civil contratual
A responsabilidade civil contratual é o campo de estudo das consequências 
do não cumprimento das obrigações jurídicas (tecnicamente chamada de 
inadimplemento) decorrentes de contratos ou negócios jurídicos em geral. 
Neste caso, a fonte de obrigações é o próprio contrato entabulado entre as 
partes. 
Figura 9.1: Contrato sendo fechado
Fonte: www.shutterstock.com
Vamos exemplificar: no contrato de financiamento de um automóvel, a insti-
tuição bancária empresta o dinheiro cobrando um determinado valor a título 
de juros remuneratórios (que nada mais é do que a remuneração pelo ato 
de emprestar). Por outro lado, o interessado recebe a quantia de dinheiro 
financiada, à vista, com a obrigação de pagar as parcelas pontualmente, no 
dia pactuado. Caso não venha a cumprir essa avença, pagará uma multa por 
atraso, juros moratórios – em virtude da demora em quitar com a obriga-
ção), além de correr o risco de ter o veículo apreendido. Veja quantas são as 
consequências.
Para caracterizar o descumprimento do contrato e, portanto, a responsabili-
dade, basta o credor demonstrar que o devedor não respeitou suas obriga-
ções no prazo e forma pactuados.
Leia o artigo “Responsabilidade 
civil extracontratual do 
condomínio edilício. A 
responsabilidade por furto ou 
roubo e por danos causados 
a terceiros” escrito por Denis 
Donoso. Disponível em: http://
jusvi.com/pecas/31922.
Responsabilidade Civil e Criminale-Tec Brasil 50
9.2 Responsabilidade civil extracontratual
Já na responsabilidade civil extracontratual, também conhecida como “aqui-
liana”, a situação é bem diferente, pois não há partes previamente definidas, 
muito menos um contrato para dar origem a direitos e obrigações.
Basta causar um dano, uma lesão, um prejuízo a um indivíduo ou mesmo 
a uma pessoa jurídica (empresa), seja ele de ordem material financeira ou 
mesmo moral (atingindo o psicológico), nascerá desse ato o dever de reparar 
o dano.
Tem, por essa razão, fundamento no dever genérico de não causar dano a 
outrem, sob pena de responsabilização civil do causador.
Para melhor ilustrar, analisemos o seguinte exemplo: em um acidente de 
trânsito, se o indivíduo não respeitar o semáforo e passar no sinal vermelho, 
vindo a causar um acidente, terá a obrigação “extracontratual” (legal) de 
corrigir integralmente o dano causado. Repare que neste exemplo não existe 
um contrato entre os indivíduos envolvidos no acidente.
Em relação ao ônus da prova, é um pouco mais complicado, pois ao credor 
(vítima) cabe demonstrar que o fato ilícito se deu por culpa do agente. No 
paralelo com o exemplo acima, deverá comprovar que o responsável pelo 
acidente “furou” o sinal.
Resumo
Nesta aula vimos duas das modalidades de responsabilidade civil (contratual 
e extracontratual), que serão complementadas por mais duas em nossa pró-
xima aula.
Atividades de aprendizagem
Explique qual é a diferença entre a responsabilidade civil contratual e respon-
sabilidade civil extracontratual, apontando exemplos de cada um. 
Obs.: Os exemplos devem ser diferentes dos utilizados acima.
e-Tec Brasil51Aula 9 - Modalidades da responsabilidade civil I
e-Tec Brasil53
Aula 10 - Modalidades da 
responsabilidade civil II
Esta aula é uma continuidade da anterior, e veremos as duas outras for-
mas de responsabilidade civil. Trata-se da modalidade subjetiva e obje-
tiva.
10.1 Responsabilidade civil subjetiva
Essa modalidade de responsabilidade civil é, digamos, a mais clássica. 
Isto porque leva em consideração a vontade do agente em causar um ato 
ilícito (dano), seja por dolo (vontade expressa) ou por culpa (negligência, 
imprudência ou imperícia).
Relembre os conceitos de culpa (negligência, imprudência ou imperícia) revi-
sando o conteúdo das aulas nº. 05 e 06.
Pois bem, na responsabilidade civil subjetiva abre-se uma variante: pode 
ser direta (quando o próprio agente responde pelo dano que causar) ou 
indireta (quando a lei previr a responsabilidade de alguém por algum dano 
causado por outra pessoa).
Neste último caso, é fácil entender citando os seguintes exemplos: respon-
sabilidade dos pais pelos filhos menores que estiverem sob sua guarda; do 
tutor e do curador, em relação ao tutelado ou curatelado; do empregador 
em relação aos atos praticados por seus empregados na execução do traba-
lho que lhes competir; dos proprietários de hotéis, hospedarias, albergues 
ou estabelecimentos onde o indivíduo se hospeda mediante pagamento de 
uma retribuição, pelos seus hóspedes e moradores.
10.2 Responsabilidade civil objetiva
A responsabilidade civil objetiva é aquela que é aplicada sem verificar se 
houve dolo ou culpa do agente causador do dano. 
Pode-se afirmar que é a nova tendência da responsabilidade civil considerá-
-la como objetiva, pois modernamente tem-se entendido que a culpa não é 
elemento para caracterizar o dever de indenizar, bastando a ocorrência do 
dano em si e seu nexo.
Responsabilidade Civil e Criminale-Tec Brasil 54
Os teóricos trazem um alerta importante: Jorge Neto e Cavalcante (2005, 
p.753) advertem que “nas hipóteses de responsabilidade objetiva, a ativida-
de exercida é lícita, mas, por expor terceiros a perigo, podendo causar-lhes 
danos, tem o dever de tomar todas as cautelas para que efetivamente isso 
não ocorra”.
Em suma, se a atividade é potencialmente perigosa, muito provavelmente 
será caso de responsabilidade civil objetiva, e deverão ser tomadas todas as 
providências prévias a fim de evitar a ocorrência de um dano.
Figura 10.1: Campo de Futebol
Fonte: www.shutterstock.com
Um primeiro exemplo para melhor ilustrar é o caso de uma partida de fute-
bol profissional. Veja que, mesmo que o time proprietário do estádio venha 
a aplicar o máximo de zelo, cuidado e segurança para com os torcedores que 
lá foram para assistir o jogo, qualquer confusão que ocorra dentro do está-
dio e que cause dano a alguém será de responsabilidade do clube de futebol 
que está recebendo a partida.
 Isto porque, por si só as atividades em que se reúne um grande número de 
pessoas são potencialmente perigosas.
Aliás, falando em responsabilidade, você sabia que os torcedores que vão 
ao estádio assistir a uma partida de futebol estão protegidos pela Lei nº 
10.671/2003, conhecida como “Estatuto do Torcedor”? 
Veja só que uma de suas regras é que “a responsabilidade pela segurança do 
torcedor em evento esportivo é da entidade de prática desportiva detentora 
do mando de jogo e de seus dirigentes” (art. 14)
Esse é um típico caso de responsabilidade civil objetiva, ou seja, o time 
e-Tec Brasil55
Acesse o link abaixo e leia o 
artigo intitulado “Segurança 
nos estágios de futebol e a 
responsabilização de clube e 
dirigente”, escrito por João 
Bosco Luz de Morais. <http://
www.universidadedofutebol.
com.br/Jornal/Noticias/Detalhe.
aspx?id=13109>.
Aula 10 - Modalidades da responsabilidade civil II
de futebol certamente responderá por todos os danos causados. Da mesma 
forma ocorre em um show de uma grande banda de rock, de fogos de arti-
fício, etc.
Outros exemplos clássicos: a responsabilidade do dono de um animal em 
relação aos danos que causar (ex: cachorro que se soltou da coleira e mor-
deu um individuo na perna, causando-lhe sérias sequelas), nos acidentes de 
trabalho, do dono de prédio em ruína, do proprietário do imóvel do qual 
caem objetos (ex: vaso de flor na varanda que, com o vento, cai e acerta 
um transeunte) e das empresas que exploram atividade de transporte (ex: 
companhias aéreas), dentre outros.
Para ilustrar, veja só o que aconteceu recentemente em Xangai, China:
“O PRÉDIO QUE CAIU CHAPADO PARA TRÁS¨