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Responsabilidade Civil e Criminal (1)

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no ambiente de trabalho, e nesta 
aula estudamos como funciona a legislação a seu respeito.
Assista ao vídeo “Trabalhos 
Insalubres” produzido pelo 
Ministério Público do Trabalho. 
Acesso em: http://www.
youtube.com/watch?v=gNZDhB
VxLyM&feature=related e reflita 
com seus colegas a respeito da 
responsabilidade do técnico em 
segurança no trabalho nesse 
tema.
e-Tec Brasil109
Aula 22 - Medicina e Segurança no 
 Trabalho VI
Essa é a nossa última aula a respeito de Medicina e Segurança no Traba-
lho, e o tema desta aula são as atividades perigosas.
22.1 Atividades perigosas
O art. 139 da CLT esclarece que: “são consideradas atividades ou operações 
perigosas, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Traba-
lho, aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem o 
contato permanente com inflamáveis ou explosivos em condições de risco 
acentuado”.
Portanto, periculosidade está ligada à ideia de perigo, e na seara trabalhista 
corresponde ao risco de perigo quando o empregado estiver sujeito ao con-
tato permanente com inflamáveis ou explosivos.
Nesta hipótese, terá direito à percepção de um adicional de periculosidade 
à base de 30%, calculado em relação ao seu salário base (ou seja, sem os 
acréscimos decorrentes de eventuais gratificações, prêmios ou participação 
nos lucros).
A matéria é regulamentada pelo Ministério do Trabalho e Emprego por meio 
da Norma Regulamentar (NR) nº 16.
Algumas regras básicas devem ser observadas.
Em relação aos explosivos, se estiverem sujeitos à “degradação química ou 
autocatalítica”, à “ação de agentes exteriores, tais como, calor, umidade, 
faíscas, fogo, fenômenos sísmicos, choque e atritos”, estará caracterizada a 
atividade perigosa (NR nº 16, item 16.5).
O transporte de líquidos inflamáveis ou gasosos liquefeitos (em qualquer va-
silhame e a granel) é considerado atividade perigosa, salvo o transporte em 
pequenas quantidades limitadas a 200 (duzentos) litros para líquidos inflamá-
veis e 135 quilos para inflamáveis gasosos liquefeitos. As quantidades de in-
flamáveis, contidas nos tanques de consumo próprio dos veículos, não serão 
consideradas para efeito da referida Norma (NR nº 16, itens 16.6 e 16.6.1).
Não deixe de ler o artigo 
sobre “Adicional de Atividades 
Penosas” que está disponível 
em: <http://bd.camara.gov.
br/bd/bitstream/handle/
bdcamara/1440/adicional_
atividades_auxiliadora.
pdf?sequence=5
Os Anexos dessa NR deverão ser consultados para entendimento das particu-
laridades de cada operação perigosa e tratam dos seguintes tópicos: Ativida-
des e Operações Perigosas com Explosivos (Anexo I), Atividades e Operações 
Perigosas com Inflamáveis (Anexo II) e Atividades e Operações Perigosas com 
Radiações Ionizantes ou Substâncias Radioativas (Anexo não numerado, pois 
adotado posteriormente pela Portaria GM n.º 518, de 04 de abril de 2003).
É de responsabilidade do empregador a delimitação das áreas de risco (NR 
nº. 16, item 16.8).
Por fim, é importante destacar que, se uma atividade é, ao mesmo tempo, 
perigosa e insalubre, ao trabalhador caberá optar pelo adicional que lhe for 
mais benéfico. Portanto, não poderá cumular o recebimento de ambos.
Resumo
Finalizamos todo o conteúdo a respeito de Medicina e Segurança no Traba-
lho com a análise do que são atividades perigosas, seus conceitos, exemplos 
e reflexos.
Atividades de aprendizagem
Agora, para consolidar seu aprendizado, explique abaixo qual é a diferença 
entre atividade insalubre e atividade perigosa.
Responsabilidade Civil e Criminale-Tec Brasil 110
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Aula 23 - Acidentes de trabalho e 
 doenças profissionais I 
Em nosso livro estamos estudando como evitar que você tenha que ser 
responsabilizado civil e até criminalmente por um dano que eventual-
mente cause especialmente em sua atuação profissional (e até mesmo 
em sua vida pessoal). Pois bem, nesta aula veremos quando se configura-
rá o acidente de trabalho, suas consequências e a distinção que há entre 
doença profissional e a doença do trabalho.
23.1 A Configuração do acidente de traba- 
 lho e suas consequências
Acidente de trabalho é um evento que cause lesão à saúde, à integridade 
física e até mesmo à vida do empregado, e que ocorra durante a execução 
da atividade profissional ou que com ela haja alguma relação.
Nesse sentido, Vieira (2005, p.53) considera que “todo acidente é, geral-
mente, uma ocorrência violenta e repentina, com consequências normal-
mente imprevisíveis e, às vezes, até catastróficas, em que todos, trabalhado-
res, empregadores e a própria nação, saem perdendo”.
Lembra também as consequências de um acidente do trabalho, afirman-
do que “poderá gerar problemas sociais de toda monta, como: sofrimento 
físico e mental do trabalhador e de sua família, perdas materiais intensas, 
redução da população economicamente ativa, etc”, conforme se vê:
•	 Para o trabalhador: lesão, sofrimento (físico e mental); incapacidade 
para o trabalho; morte; família desamparada; etc.
•	 Para a empresa: gastos com primeiros socorros e transporte do aciden-
tado; danos às máquinas, equipamentos e matéria-prima; dificuldades 
com as autoridades e desprestígio da empresa; máquina sem produção 
até a substituição do acidentado; descontentamento dos clientes pelo 
atraso na produção; etc.
•	 Para toda a sociedade: trabalhador ativo sem produzir; coletividade 
com mais dependentes; necessidade de aumento de impostos, taxas e 
seguros; aumento do custo de vida; aumento das desigualdades sociais.
A definição que a legislação nos traz (Lei nº 8.213/91, art. 19) é a seguinte: 
“acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da 
empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII 
do art. 11 desta Lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional 
que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da 
capacidade para o trabalho”.
Em complemento, o Decreto nº 3.048/99, conhecido como Regulamento 
da Previdência Social, nos esclarece que “entende-se como acidente de 
qualquer natureza ou causa aquele de origem traumática e por exposição 
a agentes exógenos (físicos, químicos e biológicos), que acarrete lesão cor-
poral ou perturbação funcional que cause a morte, a perda, ou a redução 
permanente ou temporária da capacidade laborativa”.
Para Angher (2002, citado por Chaves, 2009, p.13) “acidente do trabalho é 
o sinistro sofrido pelo empregado, decorrente da relação de emprego, cau-
sando lesão corporal ou perturbação funcional motivadora de morte, perda 
ou redução, permanente ou temporária, da capacidade de trabalho”.
Martins (1996, p. 422) define que acidente de trabalho “é a contingência 
que ocorre pelo exercício de trabalho a serviço do empregador ou pelo exer-
cício de trabalho dos segurados especiais, provocando lesão corporal ou per-
turbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente 
ou temporária, da capacidade para o trabalho”. 
Figura 23.1: Acidentes: prejuízo para a empresa
Fonte: www.shutterstock.com
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Para a configuração de um acidente de trabalho pressupõe-se a existência 
de três requisitos básicos: 1- que o evento seja inesperado, ou seja, ocorra 
ao acaso; 2- que o evento cause desde lesões mais simples até a morte; e 
finalmente, 3- que exista um nexo entre o trabalho realizado e o acidente.
Abaixo citamos algumas notícias recentes do Tribunal Superior do Trabalho 
a respeito do tema:
EMPRESA PAGARÁ INDENIZAÇÃO A TRABALHADOR QUE FI-
COU PARAPLÉGICO
A empresa paranaense Boscardin & Cia. foi condenada a pagar 
indenização de mais de R$ 500 mil a um empregado que se aci-
dentou gravemente e ficou paraplégico,