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Responsabilidade Civil e Criminal (1)

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disso, é a gestora de ou-
tros, como a mão-de-obra.
Neste contexto, para a busca de sua finalidade, a empresa recebe proteção 
Estatal por meio da garantia da propriedade privada, conforme previsão no 
art. 5º, inciso XXII, e art. 170, inciso II, de nossa Constituição Federal.
Entretanto, não é difícil concluir que uma empresa despreocupada com os 
impactos negativos de sua atividade, que busca indiscriminadamente o lu-
cro, não consegue sobreviver no mundo competitivo, vez que existe forte 
pressão de toda a sociedade, de seus empregados e dos consumidores no 
sentido de exigir que a empresa atenda sua função social.
Exatamente por isso que o próprio texto constitucional determina que o 
direito à propriedade privada não é absoluto, devendo respeitar sua função 
social (art. 5º., inciso XXIII e art. 170, inciso III).
A função social pode ser definida como conjunto harmonioso e integrado de 
medidas legais e éticas adotadas pelas empresas para, além do atingimento de 
seus objetivos econômicos, também proporcionar um desenvolvimento sus-
tentável da comunidade onde ela está inserida, fazendo com que sejam amor-
tecidos os impactos econômicos negativos gerados pela atividade empresarial.
Esses impactos negativos podem ser o esgotamento dos recursos naturais, 
a exploração indiscriminada da mão-de-obra (inclusive o desrespeito às me-
didas de proteção à saúde e segurança do trabalhador), os rejeitos lançados 
no meio ambiente, dentre outros.
Neste sentido, o art. 1.228 do Código Civil Brasileiro ressalta a determinação 
de se exercer o direito de propriedade em “consonância com suas finalida-
des econômicas e sociais”, sendo proibidos os atos que não tragam qual-
quer utilidade ou comodidade ao proprietário, ou ainda sejam aqueles com 
a intenção de prejudicar terceiros (§ 1º. e § 2º.).
Em relação à importância do tema, Sertek (2006, p.39) afirma que “a so-
ciedade está mais bem informada sobre a qualidade dos produtos e seus 
impactos no meio ambiente” e que os “impactos da poluição ambiental e 
outros aspectos relacionados à responsabilidade social, tais como trabalho 
infantil, trabalho forçado, saúde e segurança, começam a pesar na decisão 
de compra dos consumidores” (destacamos).
Com o mesmo ponto de vista, ressalta ainda que “a participação da empre-
sa na construção do bem comum de seu entorno, isto é, no modo como 
aprimora as funções dos que dela dependem, constitui o núcleo genuíno da 
construção de sua responsabilidade social”.
Para o Instituto Ethos (2003), as sete diretrizes da responsabilidade social 
empresarial são as seguintes: 
1. Adote valores e trabalhe com transparência;
2. Valorize empregados e colaboradores
3. Faça sempre mais pelo meio ambiente;
4. Envolva parceiros e fornecedores; 
5. Proteja clientes e consumidores; 
6. Promova sua comunidade; 
7. Comprometa-se com o bem estar comum.
É evidente que responsabilidade social não é apenas o respeito à legislação, 
pois isto já é uma obrigação. Trata-se de algo a mais, que além de beneficiar 
os stakeholders, poderá também ser utilizado pela própria empresa com o 
fito de promoção da marca perante a sociedade.
No âmbito da responsabilidade civil e criminal do técnico em segurança no 
trabalho, o tema é de fácil aplicação quando o referido profissional passa a 
preocupar-se com a prevenção, com a constante vigilância, e com uma atitude 
proativa, a fim de que o dano não ocorra. E se eventualmente vier a ocorrer, 
que tome as medidas legais cabíveis no menor prazo possível, facilitando o 
Stakeholder
é um termo utilizado para 
denominar os diversos públicos 
com os quais a empresa está 
integrada e envolvida, e que 
sofrem direta ou indiretamente 
impactos de sua atividade 
empresarial, tais como 
empregados, prestadores 
de serviços, consumidores, 
comunidade local, meio 
ambiente, governo, concorrentes 
e terceiro setor.
Responsabilidade Civil e Criminale-Tec Brasil 140
e-Tec Brasil141Aula 29 - Responsabilidade social das mpresas
acesso da vítima aos benefícios legais e previdenciários, fornecendo a docu-
mentação à efetiva fiscalização, etc.
Assim, sem qualquer sombra de dúvida, você, futuro técnico em segurança 
no trabalho, possui importância fundamental de auxiliar, com todo o conhe-
cimento profissional adquirido, a aplicação dos princípios da responsabilida-
de social no dia a dia empresarial.
Com isso, você estará contribuindo para a garantia da efetivação do Princí-
pio da Dignidade da Pessoa Humana, previsto na Declaração Universal dos 
Direitos Humanos, que incluem os direitos à vida, à liberdade, ao trabalho 
em condições dignas, etc.
Resumo
Hoje vimos que a busca pelo lucro indiscriminado pelas empresas possui 
limitações, sendo esse o campo de estudo do que seja sua responsabilidade 
perante a sociedade.
Atividades de aprendizagem
Assista ao vídeo disponível no link http://www.youtube.com/
watch?v=kYV5ZYdx2L4 e aponte o que você tem feito para melhorar o 
mundo em que vivemos.
e-Tec Brasil143
Aula 30 - Uma breve revisão do que 
 foi visto no livro
Nesta aula, última de nossa apostila, faremos uma breve revisão dos con-
teúdos abordados ao longo de nosso curso, nos dez temas.
30.1 Tema: Histórico e contextualização da 
 matéria
Conteúdo abordado nas aulas 1 e 2.
Fizemos algumas considerações iniciais a respeito da matéria, e vimos que 
os atos da vida humana podem causar consequências previstas em lei, como 
um dano e o dever de repará-lo. 
Analisamos como se dava a responsabilização ao longo da história, em suas 
diversas fases.
30.2 Tema: O conceito de responsabilidade 
 civil
Conteúdo abordado nas aulas 3 e 4. 
Estudamos o conceito genérico de responsabilidade e o que é responsabili-
dade civil. 
Também foi visto como funciona sua diferenciação da responsabilidade cri-
minal.
30.3 Tema: Pressupostos da responsabili- 
 dade civil
Conteúdo abordado nas aulas 5, 6, 7, 8, 9 e 10. Foi possível verificar quais 
são os pressupostos da responsabilidade civil (conduta humana ilícita, por 
ação ou omissão, com dolo ou culpa, e que cause tal conduta um dano, 
sendo necessário haver um nexo entre eles – o dano e a conduta humana 
contrária à lei) e estudá-los minuciosamente.
Além disso, vimos ainda as principais ações e omissões do técnico em segu-
rança no trabalho que podem gerar responsabilidade profissional.
Também, abordamos alguns casos em que o ato, aparentemente ilícito, não 
gera o dever de indenizar, e as modalidades de responsabilização. 
30.4 Tema: A reparação do dano
Conteúdo abordado nas aulas 11 e 12.
Vimos como funciona o dever de reparar um dano, suas formas e diferencia-
ção entre o material/patrimonial e o dano moral.
30.5 Tema: A responsabilidade no direito 
 do trabalho
Conteúdo abordado nas aulas 13, 14, 15 e 16.
Foram apresentados conceitos de Direito do Trabalho, inclusive os necessá-
rios para compreender quem é o empregado e quem é o empregador. 
Vimos quais são os princípios gerais e específicos desse ramo do Direito, 
que ajudam a entender o dever de reparar o dano ocasionado na relação de 
emprego.
E, finalmente, pontuamos casos em que há responsabilidade no Direito do 
Trabalho.
30.6 Tema: Medicina e segurança no traba- 
 lho
Conteúdo abordado nas aulas 17, 18, 19, 20, 21 e 22, sendo um dos mais 
específicos de nossa apostila.
Estudamos o histórico da medicina e segurança no trabalho, seu conceito, e 
percorremos os principais temas atinentes à matéria (EPI, EPC, SESMT, CIPA, 
PCMSO, PPRA, edificação, iluminação, conforto térmico). Abordamos a res-
ponsabilidade dos integrantes das Comissões, Programas e Serviços.
Ao final, compreendemos o que são atividades insalubres e atividades peri-
gosas.
Responsabilidade Civil