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TEORIA GERL DO PROCESSo

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levar tal decisão para reapreciação pelo Estado-
-juiz, mediante a instauração de um processo judicial?
Seção 1.2 / Fontes e métodos alternativos de resolução - 31
Entende-se que a solução encontrada pelo juízo arbitral não poderá, fora 
poucas exceções igualmente previstas em lei, ser revista pelo Poder Judiciário, 
pois cabe ao árbitro dar a palavra final à lide em relação a qual se previu como 
solução a arbitragem.
Assimile
A partir das noções até agora desenvolvidas quanto à arbitragem, ficam 
claras suas principais características:
• Existência de um terceiro imparcial (árbitro eleito pelas partes) 
para solucionar o conflito.
• Possibilidade de se valerem da arbitragem as pessoas capazes 
de contratar, dirimindo litígios relativos a direitos patrimoniais 
disponíveis.
Analisadas as principais noções acerca da arbitragem, passaremos à 
mediação e à conciliação.
Até o momento, verificamos formas de resolução de conflitos que envol-
viam terceiros aptos a dirimir os litígios, ou seja, terceiros estranhos à lide 
(fossem eles o Estado-juiz ou mesmo um árbitro), decidindo-a de forma 
substitutiva à vontade das partes. A partir de agora passaremos a analisar as 
formas de autocomposição, quando as partes trabalham em conjunto para 
chegarem a uma solução amigável em relação litígio.
O Código de Processo Civil (BRASIL, 2015) prestigia de forma muito 
enfática a autocomposição, “a forma de solução do conflito pelo consentimento 
espontâneo de um dos contendores em sacrificar o interesse próprio, no todo 
ou em parte, em favor do interesse alheio” (DIDIER JR., 2015, p. 165).
Dentro desse contexto, estão inseridos os institutos da mediação e da 
conciliação, que apresentam uma série de diferenças conceituais e procedi-
mentais, mas ambos são modalidades de autocomposição da lide coorde-
nadas por terceiros.
Podemos dizer que, enquanto a mediação se dá preferencialmente nos 
casos em que houver vínculo de relação continuada anterior entre as partes, na 
conciliação, de preferência, tal vínculo anterior não estará presente. Isso é o que 
preceitua o art. 165, §§ 2º e 3º, do Código de Processo Civil (BRASIL, 2015).
Exemplificando
Exemplificaremos a seguir para que tal diferenciação fique bem clara. 
Imaginemos duas situações diferentes:
32 - U1 / Noções teóricas básicas do processo
Situação 1: um casal (A e B) resolve se separar e há um extenso patri-
mônio a ser dividido.
Situação 2: um acidente de trânsito em que A bateu na traseira do 
veículo de B e há divergências quanto ao valor do conserto do carro de B.
Considerando que nas duas situações os envolvidos nas lides pretendem 
realizar acordos para colocar fim aos conflitos de interesses, qual seria a 
melhor forma de autocomposição?
Na situação 1, a melhor forma seria a mediação, pelo fato de haver 
relação anterior entre as partes. Já na situação 2, seria a conciliação, 
pelo fato de ter principiado com o evento danoso do acidente. Não 
havia, nesse último caso, relação anterior entre A e B.
Outra nota distintiva importante diz respeito à forma de atuação do 
mediador e do conciliador.
Na mediação, o terceiro imparcial (o mediador) apenas estimulará o 
restabelecimento da comunicação entre as partes, visando que cheguem a 
um acordo por elas próprias. Não cabe ao mediador propor soluções, as quais 
devem ser propostas pelas próprias partes. Ao conciliador, existe a possibili-
dade de propor alternativas de composição, sendo sua atuação mais livre. De 
qualquer forma, é bom que se diga que nem a mediação nem a conciliação 
são obrigatórias, não podendo ser impostas decisões às partes.
Pesquise mais
Para aprofundar o conhecimento sobre os equivalentes jurisdicionais, 
indicamos a seguinte leitura complementar:
NEVES, D. A. A. Novo Código de Processo Civil: inovações, alterações, 
supressões. São Paulo: Método, 2015. p. 29-46.
E para explorar melhor sobre quem pode ser mediador, sugerimos este 
breve texto publicado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça): 
CNJ SERVIÇO: quem é e o que faz o mediador? Agência CNJ de Notícias, 
[S.l.], 3 nov. 2015. Disponível em: <http://www.cnj.jus.br/noticias/
cnj/80815-cnj-servico-quem-e-e-o-que-faz-o-mediador>. Acesso em: 
10 dez. 2018.
Rodrigues e Lamy (2018, p. 4) estabelecem uma diferenciação interes-
sante entre mediação e conciliação:
Seção 1.2 / Fontes e métodos alternativos de resolução - 33
A mediação é por vezes confundida com a conciliação, em razão 
da intervenção do terceiro, fazendo com que não ocorra a devida 
distinção entre os institutos. Mas essa não parece ser a melhor 
opção conceitual.
Na conciliação, o grau de participação do conciliador é maior, 
podendo inclusive sugerir soluções, pois o mediador participa 
com menor intensidade da construção do acordo, enquanto o 
conciliador poderá sugerir soluções para o conflito, participando 
mais ativamente da obtenção do consenso junto às partes do 
que na mediação.
Na mediação, como na conciliação, o poder de decidir o conflito 
(por meio do acordo) pertence exclusivamente às partes e não 
ao terceiro. Tanto a mediação como a conciliação poderão ser 
extraprocessuais ou endoprocessuais. 
Como se vê, há diferenças entre mediação e conciliação, 
especialmente no que tange ao grau de intervenção do terceiro, 
que será então denominado, dependendo do caso, mediador ou 
conciliador.
Desse modo, o objeto do mediador é fazer com que cada uma 
das partes compreenda a situação e as razões da outra, facili-
tando a comunicação. Por sua vez, o conciliador busca o acordo 
das partes com participação mais intensa.
“
A mediação, de acordo com a Lei nº 13.140 (BRASIL, 2015) e o Código 
de Processo Civil (BRASIL, 2015), podem ocorrer em juízo ou de forma 
extrajudicial.
Até este momento, você aprendeu sobre as formas modernas de resolução 
de conflitos, bem como aprimorou conhecimentos acerca do conceito de 
processo. Falamos sobre as noções introdutórias de arbitragem, mediação 
e conciliação no Código de Processo Civil brasileiro. Em breve, mas ainda 
neste material, aprofundaremos os estudos sobre o acesso à justiça e sobre 
as linhas evolutivas do processo, e sua relação com a Constituição Federal 
(BRASIL, 1988). Cabe ressaltar que há pontos sobre cooperação entre as 
partes e os órgãos jurisdicionais a serem abordados adiante. Consolidamos 
conceitos para avançarmos sobre outros institutos.
Por aqui ainda nos resta consolidar aquele que é o modo mais comum de 
solução de conflitos: a função jurisdicional exercida pelo Poder Judiciário, 
quando provocado por meio de um processo promovido pelas partes interes-
sadas. Como podemos, então, conceituar o processo?
34 - U1 / Noções teóricas básicas do processo
Exemplificando
Analisaremos a seguinte situação para introduzir as noções necessárias e 
conceituar o que é o processo:
Imaginemos uma situação em que João tenha se comprometido a 
construir um muro na casa de Flávio pelo montante de R$ 4 mil (quatro 
mil reais), no prazo de 10 (dez) dias. No décimo dia, João finalizou 
o serviço, mas Flávio entendeu que o serviço tinha sido mal feito e 
recusou-se a efetuar o pagamento do valor combinado. Estabeleceu-se, 
portanto, um conflito de interesses qualificado por uma pretensão resis-
tida (lide). Partindo da premissa de que nem João nem Flávio utiliza-
ram-se de autotutela, como deverá ser resolvido o litígio?
Se as partes não compactuarem um acordo amigável, poderão provocar 
uma manifestação do Poder Judiciário no sentido de identificar quem 
tem razão na lide, ou seja, o Estado-juiz, substituindo a atuação das 
partes, deverá necessariamente prolatar uma decisão resolvendo o 
litígio e colocando fim ao conflito de interesses.
Nesse estágio da nossa conversa, já podemos responder à seguinte 
pergunta: por qual meio deverão as partes provocar a manifestação do 
Poder Judiciário? Por meio de um processo judicial.