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3.Direito Civil   Sujeito Juridicos

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Direito Civil – Sujeitos Jurídicos 
 
Direito Civil – Sujeitos Jurídicos 
 
Direito Civil no Brasil 
Compreender a formação do Direito Civil brasileiro e as influências do Direito Romano-
Canônico bem como do Direito Português na legislação civil brasileira. 
O estudo da História do Direito é muito importante, pois: a) permite compreender as 
bases sobre as quais foram construídos os institutos de direito; b) possibilita perceber o 
desenvolvimento da legislação como expressão das forças sociais e políticas de um determinado 
país num determinado período do tempo. 
O Direito Civil no Brasil 
A legislação civil aplicada no Brasil desde o seu descobrimento em 1.500 até o ano de 
1916 quando foi promulgado o Código Civil Brasileiro, era a legislação portuguesa, que ficou 
conhecida como Ordenações do Reino. 
As ordenações representam uma primeira forma de sistematização das regras jurídicas 
que eram conhecidas pelo povo que ocupava o Condado Portucalense, que foi primeiro nome 
de Portugal. As ordenações são, portanto, um conjunto de regras jurídicas que eram expressão 
dos costumes dos povos que habitavam Portugal. 
Foram três as ordenações do Reino de Portugal; cada uma delas tem o nome do Rei que 
mandou compilar e sistematizar as leis vigentes em Portugal, por isso você encontrará 
referências às Ordenações Afonsinas, que foram as ordenações mandadas fazer pelo Rei Dom 
Afonso; as Ordenações Manuelinas, mandadas executar pelo Rei Dom Manuel I e por último, as 
Ordenações Filipinas, realizadas pelo Rei Dom Felipe I, Rei de Portugal e Espanha. 
As ordenações Afonsinas manuscritas no século XIV vigeram até sua substituição pelas 
Ordenações Manuelinas em 1.512 que, por sua vez, estendeu sua vigência até 1.603, quando 
entraram em vigor as Ordenações Filipinas. O sistema legislativo das Ordenações é uma 
expressão do direito medieval, produzido pela Igreja, que não se afastou do direito romano que 
até então era aplicado na Europa. 
É importante você perceber que quando o Brasil foi descoberto em 1.500, as vidas das 
pessoas na colônia era disciplina pelas Ordenações Afonsinas, e depois pelas Ordenações 
Manuelinas e pela Ordenações Filipinas até a entrada em vigência do Código Civil em 1.916. 
Foram mais 300 anos de aplicação de uma legislação estrangeira, mesmo depois de o 
Brasil ter se tornando independente em 1822 e de ter se tornado uma República em 1889, as 
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relações entre as pessoas foi regida por um conjunto normativo marcado por um espírito 
romano-canônico. 
Em razão disso é que se reconhece no Brasil a influência do direito romano e se diz que 
o direito brasileiro tem base romanística, até porque o Código Civil de 1916 não rejeitou a 
herança jurídica portuguesa; ao contrário, o legislador nacional manteve-se fiel à tradição 
românico-canônica que lhe orientara a vida jurídica nacional desde a colônia até a república, 
passando pelo Império. No Brasil, portanto, somente a partir de 1916 é que se produziu em 
território nacional uma legislação tipicamente brasileira. 
 As tentativas de codificação no Brasil 
A Constituição de 1824, a primeira do Brasil independente determinou no seu artigo 179 
fosse desde logo produzido um Código Civil. A Europa deu início ao processo político -legislativo 
de redigir o primeiro Código Civil em 1798; a Prússia o primeiro país a produzir um Código Civil, 
em seguida foi a França em 1804. No entanto, é o Código Civil francês o que mais influenciou 
a codificação fora do espaço geográfico europeu. 
No Brasil, apesar do comando constitucional em 1824, o primeiro projeto de Código Civil 
data de 1858; ele foi elaborado por Augusto Teixeira de Freitas a partir de um trabalho 
preparatório que ele fez em 1855, chamado Consolidação das Leis Civis. Tratava-se da 
compilação organizada e sistematizada de toda a legislação civil em vigor no Brasil. 
O projeto de Teixeira de Freitas foi interrompido; em 1872, assumiu a tarefa de fazer a 
codificação Nabuco de Araújo que foi substituído em 1881 por Felício dos Santos cujo 
Apontamentos para o Projeto de Código Civil Brasileiro não foi aprovado pela Comissão de 
Juristas nomeado pelo Imperador Pedro II. Em 1889, foi nomeada outra comissão, logo em 
seguida dissolvida em razão da Proclamação da República. Em 1890, o primeiro presidente da 
República encarregou Coelho Rodrigues de elaborar um Código Civil, que ficou pronto em 1893, 
mas que não foi aceito pela Comissão de juristas nomeado pelo Governo. 
No governo de Campos Sales, a tarefa de organizar o Projeto do Código Civil foi atribuída 
a Clóvis Beviláquaque conclui seu trabalho em 1898. O projeto foi encaminhado com uma 
Exposição de Motivos, na qual Clovis Beviláqua não apenas observa a importância das 
codificações, mas também traça o percurso o histórico das diversas tentativas de codificação 
do Direito Civil no Brasil. Aprovado pelo Senado o Código Civil foi sancionado pelo Presidente 
da República Wenceslau Braz no dia 1º de Janeiro de 1916, entrando esse em vigor no dia 1º 
de Janeiro de 1917. 
Disso decorre que desde 1.500 até 1916 a legislação civil aplicada no Brasil era a 
portuguesa, apesar da existência de uma ou outra legislação nacional como o Regulamento 
737, de 1850 e o Código Criminal do Império, não havendo propriamente dito uma legislação 
civil brasileiro. 
O Código Civil de 1916 por suas circunstâncias político-econômicas representou mais um 
conjunto de ideias e uma proposta de um país que queria ser do que um retrato da sociedade 
de seu tempo, e, portanto, divorciado de seu aspecto prático, centrando-se na defesa rigorosa 
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dos interesses da elite política nacional como a família, a propriedade, a produção de bens e a 
sucessão hereditária. 
O Código de 1916 foi alvo de vários projetos de reforma, sendo o projeto já no século 
XX, de Orozimbo Nonato em 1940, substituído em 1963, pelo projeto de Orlando Gomes e 
depois em 1969, pelo Projeto Reale, cujo texto final foi aprovado apenas em 1984 e finalmente 
votado e promulgado em 2002, para entrar em vigor em janeiro de 2003. 
Estrutura e diretrizes do atual Direito Civil 
O Direito Civil atualmente é regulamentado pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, 
promulgado pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso para entrar em vigor, isto é, produzir 
efeitos a partir de 11 de janeiro de 2003. 
Tal como o Código Civil de 1916, o Código Civil de 2002, manteve a influência alemã de 
se organizar em duas partes, uma denominada de Parte Geral e outra de Parte Especial, num 
total de 2.046 artigos que estão orientados pelo princípio da socialidade e da eticidade. Há 
outros princípios, mas estes podem ser considerados os mais relevantes para a construção de 
uma ordem social justa, fraterna e solidária. 
O princípio da socialidade é o que está associado ao princípio da dignidade da pessoa 
humana. O direito existe em função das pessoas e nesse sentido ele deve realizar os valores 
que marcam a humanidade. Orientado por esse princípio é que se vê no Código Civil de 2002 
as referências a função social da propriedade, do contrato, da empresa. A família deixa de ser 
compreendida como uma unidade de produção econômica e passa a ser um centro irradiador 
de afeto e de realização da dignidade humana. 
O princípio da eticidade representa a abertura do Direito para as questões extra 
normativas, com o recurso às noções de boa-fé, de justa causa, de equilíbrio nas relações 
jurídicas. O princípio da eticidade representa a abertura do Direito para as quetudo relações 
sociais, o que permite a solução de conflitos de forma equitativa. 
 Referências 
DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil

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