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Morte e Vida das Grandes Cidades - Jane Jacobs

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ano. Todo
bairro provavelmente adoraria ter e usar um rinque de patinação
ao ar livre e também iria formar uma platéia de espectadores exta-
siados. Rinques relativamente pequenos, distribuídos por vários lu-
gares, são sem dúvida muito mais adequados e agradáveis que rin-
ques enormes, estabelecidos num local central.
Tudo isso exige dinheiro. Mas as cidades norte-americanas
atuais, movidas pela ilusão de que as áreas livres são um bem em
si e de que quantidade equivale a qualidade, estão torrando di-
nheiro em parques, playgrounds e vazios urbanos muito extensos,
muito abundantes, supérfluos, mal localizados e portanto muito
monótonos e incômodos de usar.
Os parques urbanos não são abstrações ou repositórios auto-
máticos de virtudes ou avanços, assim como as calçadas não são
abstrações. Eles nada significam se forem divorciados de seus
usos reais, concretos e, portanto, nada significam se divorciados
das influências concretas - boas ou más - dos bairros e dos usos
que os afetam.
Os parques genéricos podem ser, e na verdade são, um cha-
mariz a mais nos bairros que as pessoas consideram atraentes
pela grande variedade de outros usos. Eles desvitalizam ainda
mais os bairros que as pessoas não acham atraentes pela grande
variedade de outros usos, porque aumentam a monotonia, o peri-
go, o vazio. Quanto mais a cidade conseguir mesclar a diversidade
de usos e usuários do dia-a-dia nas ruas, mais a população conse-
guirá animar e sustentar com sucesso e naturalidade (e também
economicamente) os parques bem-localizados, que assim pode-
rão dar em troca à vizinhança prazer e alegria, em vez de sensa-
ção de vazio.