A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
315 pág.
08 1001questoescomentadasdireitopenalcespe 130811172226 phpapp02

Pré-visualização | Página 17 de 50

à necessidade de tão somente fazer cessar a 
agressão de forma menos lesiva possível, ou seja, com menor dano 
indispensável à defesa do direito. 
115. Errado. Tentativa perfeita ou acabada é aquela no qual o agente, 
tendo esgotado todos os meios que estavam a sua disposição, não 
consegue a consumação por circunstâncias alheias à sua vontade, 
conforme art. 14, II do CP. 
116. Correto. O Código Penal nas alíneas do art. 13, §2°, descreve 
hipóteses que impõem ao agente a posição de garantidor, que é aquele 
que podia e devia agir para evitar o resultado. Destarte, a omissão torna-
se penalmente relevante, devendo o agente responder pelo resultado. É o 
caso da mãe que, deixando de alimentar o filho, causando-lhe a morte, 
responderá por homicídio. O crime omissivo impróprio ou comissivo por 
 
1001 Questões Comentadas – Direito Penal – CESPE 
Eduardo Neves e Pedro Ivo 
60
omissão é um crime material, admite a tentativa, e pode ser doloso ou 
culposo. 
117. Correto. A questão aborda a literalidade do art. 25 do Código Penal 
que ensina estar em legítima defesa aquele que repele injusta agressão, 
atual ou iminente, a direito seu ou de outrem, usando moderadamente 
dos meios necessários. 
118. Errado. A teoria limitada da culpabilidade é a teoria adotada pelo 
CP brasileiro. No entanto, para ela, as descriminantes putativas são 
divididas em dois blocos: I) de fato, tratadas como erro de tipo (art. 20, 
§1°, CP); II) de direito, tratadas como erro de proibição (art. 21, CP). 
119. Errado. O art. 24 do CP dispõe que se considera em estado de 
necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, direito 
próprio ou alheio. Assim, age em estado de necessidade aquele que mata 
cão feroz que está atacando outra pessoa, por exemplo. 
120. Errado. A questão aponta a definição de culpa imprópria, também 
chamada de culpa por extensão, equiparação ou assimilação. A culpa 
própria ou propriamente dita é aquela quando o agente não deseja o 
resultado nem assume o risco de produzi-lo, mas dá causa ao mesmo por 
imprudência, negligência ou imperícia. 
121. Correto. Tanto a desistência voluntária quanto o arrependimento 
eficaz produzem a atipicidade do fato, fazendo com que o agente não 
responda pela forma tentada do crime inicialmente almejado, mas 
somente pelos atos já praticados, conforme art. 15 do CP. Adequação 
típica indireta é aquela na qual o comportamento do agente não se 
amolda perfeitamente ao tipo penal, necessitando de uma norma de 
extensão, como o instituto da tentativa. 
122. Errado. Crime unissubsistente é aquele que se realiza com um 
único ato de execução, ou seja, a conduta é una e indivisível. Citam-se 
como exemplo a injúria verbal, artigo 140 do CP e o uso de documento 
falso, art. 304 do CP. A conduta não permite fracionamento, logo a 
tentativa é inadmissível. 
123. Errado. Nos termos do parágrafo único do art. 14 do CP, pune-se 
a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída 
de um a dois terços. A redução de pena no caso da tentativa dependerá 
da proximidade da consumação, ou seja, quanto mais perto, menor a 
redução. 
124. Errado. Conforme se depreende do art. 23 do CP, o estado de 
necessidade, a legítima defesa, o estrito cumprimento do dever legal e o 
 
1001 Questões Comentadas – Direito Penal – CESPE 
Eduardo Neves e Pedro Ivo 
61
exercício regular de direito são excludentes de ilicitude ou 
antijuridicidade. 
125. Errado. Embora não previsto no direito positivo, o consentimento 
do ofendido é aceito pela doutrina majoritária como causa supralegal de 
exclusão da ilicitude. Para tanto, alguns requisitos devem estar presentes 
para esse reconhecimento, como a disponibilidade do bem, que significa 
que o interesse é, sobretudo, do particular e não da sociedade, e a 
capacidade da vítima para consentir, dispor validamente de bens seus. 
126. Errado. Tentativa incruenta ou branca é aquela na qual o sujeito 
ativo, tendo usado todos os meios ao seu alcance, não consegue atingir o 
objeto material contra o qual recairia sua conduta. Por exemplo, “X”, 
agindo com intenção de matar, dispara sua arma em direção à vítima, 
que sai ilesa, sem nenhum ferimento. A tentativa branca é punível se 
restar provada que a conduta do agente era dirigida à prática de um 
crime. 
127. Errado. Não é necessário que a agressão sofrida pelo agente seja 
um crime, apenas que esta seja injusta. Por exemplo, aquele que defende 
um bem de valor irrisório que estava sendo subtraído por outra pessoa 
age em legítima defesa, mesmo que o fato não seja considerado crime 
pela aplicação do princípio da insignificância. Também pode agir em 
legítima defesa o proprietário do bem atingido por furto de uso. 
128. Errado. Todo crime tem o Estado como sujeito passivo, pois 
qualquer violação à lei penal agride interesse seu, respaldado pelo 
ordenamento jurídico. O Estado, nesse caso, é chamado de sujeito 
passivo constante, formal, mediato, geral ou indireto. Como pessoa 
jurídica de direito público e titular de bens jurídicos, o Estado também 
pode ser sujeito passivo material de variados crimes, em especial os 
crimes previstos a partir do art. 312 do CP, como, por exemplo, os crimes 
contra a administração da justiça. 
129. Correto. O exemplo da questão é um caso específico de exercício 
regular de direito previsto na Parte Especial do Código Penal, em seu art. 
146, §3°, I, que afirma não estar compreendida na disposição do artigo a 
intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de 
seu representante legal, se justificada por iminente perigo de vida. 
Assim, o direito à vida sobrepõe-se às questões de credo religioso. 
130. Errado. Na culpa consciente, embora o agente preveja o resultado, 
ele espera sinceramente que o mesmo não ocorrerá. O agente não aceita 
o resultado, como colocado na questão. Ele acredita que sua habilidade 
impedirá a ocorrência do evento lesivo de sua previsão. Exemplo didático 
da culpa consciente é o do caçador que, mesmo avistando um 
 
1001 Questões Comentadas – Direito Penal – CESPE 
Eduardo Neves e Pedro Ivo 
62
companheiro próximo do animal que deseja abater, confia na sua 
proficiência como atirador para não atingi-lo e dispara assim mesmo, 
causando a morte do amigo. 
131. Errado. O Código Penal pátrio adotou a teoria objetiva temperada, 
matizada ou moderada, e entende que, quando os meios e os objetos 
forem relativamente eficazes ou impróprios, haverá tentativa. Em outras 
palavras, os meios empregados e o objeto do crime devem ser 
absolutamente inidôneos à produção do resultado para ser configurado 
crime impossível, conforme art. 17 do CP. 
132. Correto. A questão está correta e trata do dolo geral ou aberratio 
causae, que é o erro na causa que produz o delito. O agente acaba por 
alcançar o resultado pretendido, porém, por uma causa distinta daquela 
que havia planejado. Neste caso, temos um erro na relação de 
causalidade, que é irrelevante para o Direito Penal, pois o que importa é 
a pretensão do agente e se o resultado foi alcançado. 
133. Errado. O agente que repele injusta agressão de um inimputável 
age, sim, em legítima defesa. Deve-se levar em consideração a injustiça 
da agressão de maneira objetiva, pelo fato em si, e não quanto à 
impunibilidade do autor da agressão. Ademais, não se exige que a 
agressão além de injusta seja uma figura típica. Basta que o agredido 
não esteja obrigado a suportá-la. Por exemplo, o furto de uso, embora 
não constitua ilícito penal, autoriza a legítima defesa por parte do 
proprietário do bem atingido, já que configura uma injusta agressão. 
134. Errado. A questão inicia com o art. 15 do CP, que trata da 
desistência voluntária e o arrependimento eficaz, ambos causas de 
exclusão de tipicidade. Com o auxílio do Código: o agente que, 
voluntariamente, desiste de prosseguir