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na execução ou impede que o 
resultado se produza, só responde pelos atos já praticados. 
135. Errado. A questão traz um exemplo de erro de tipo essencial 
escusável ou desculpável, no qual ficam excluídos o dolo e a culpa. Fábio 
não praticou crime de furto, pois não subtraiu para si coisa alheia móvel. 
Pensava que o celular era o seu e não de outra pessoa, sendo este um 
erro invencível. Conforme o art. 20 do CP, o erro sobre elemento do tipo 
legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se 
previsto em lei. 
136. Correto. A questão pode ser claramente elucidada com o art. 24 do 
CP, o qual dispõe os requisitos do estado de necessidade, que são a 
existência de perigo atual, não causada voluntariamente pelo agente, 
ameaça a direito próprio ou alheio, inexigibilidade do sacrifício do bem 
ameaçado, inevitabilidade do perigo por outro modo, conhecimento da 
 
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situação de perigo do fato necessitado e, por último, a inexistência do 
dever legal de enfrentar o perigo, que vem determinado no seu §1°. 
137. Errado. O Código Penal adotou a teoria objetiva quanto à 
punibilidade da tentativa, a qual deve receber punição inferior ao do 
crime consumado. Como preceitua o art. 14, parágrafo único do CP, 
salvo disposição em contrário, a tentativa é punida com a pena 
correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços. 
138. Correto. Conforme disposto no §1° do art. 24 do CP, não pode 
alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o 
perigo. Logo, bombeiros, policiais, salva-vidas, comandantes de 
aeronaves, soldados, em razão da natureza de suas profissões, não 
podem alegar estado de necessidade para deixar de enfrentar o perigo. 
139. Errado. Crime próprio ou especial é aquele que exige que o sujeito 
ativo possua uma capacidade diferenciada, seja de fato, como no crime 
de infanticídio (ser mãe da vítima), art. 123 do CP ou jurídica, como no 
peculato (ser funcionário público), art. 312 do CP. Admite co-autoria e 
participação. O crime de mão própria, de atuação pessoal ou infungível, é 
aquele que somente pode ser praticado por pessoa expressamente 
indicada no tipo penal. É o caso do crime de falso testemunho. Não 
admite co-autoria, somente participação. 
140. Errado. A questão descreve com um exemplo o §1° do art. 13 do 
CP, que trata de superveniência de causa relativamente independente, e 
ela só erra com o apontamento do crime imputado a Alberto. O correto 
seria tentativa de homicídio, já que a conduta praticada por Alberto deu-
se com o dolo, a vontade de matar e não de lesionar. Do texto legal, 
aprende-se que se imputam os fatos anteriores (a tentativa de homicídio, 
no caso) a quem os praticou. 
141. Correto. Na legítima defesa, o perigo vem de uma agressão injusta 
humana. Logo, se uma pessoa, atuando em estado de necessidade, 
provoca uma agressão ao bem jurídico, esta é uma agressão lícita, 
caracterizando uma eventual reação como estado de necessidade e não 
legítima defesa. Por exemplo, se um náufrago A tenta matar o náufrago B 
que possui um salva-vidas e por este é morto, o náufrago B não atuou 
em legítima defesa e, sim, em estado de necessidade. 
142. Errado. A desistência é voluntária quando não há coação física ou 
moral, podendo ela ser espontânea ou não, como no caso de conselho de 
terceira pessoa. O Código Penal não faz exigência com relação aos 
motivos da desistência; basta que haja voluntariedade do agente e 
eficácia para exclusão da tipicidade. 
 
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143. Errado. A questão contraria o parágrafo único do art. 18 do Código 
Penal, que afirma que salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser 
punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica 
dolosamente. 
144. Errado. A natureza jurídica do arrependimento posterior é causa 
pessoal e obrigatória de diminuição de pena. Sua exposição está no art. 
16 do CP, dispondo que nos crimes cometidos sem violência ou grave 
ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa por ato 
voluntário do agente, até o recebimento da denúncia ou da queixa, a 
pena será reduzida de um a dois terços. A questão tenta confundir o 
arrependimento posterior com o instituto do arrependimento eficaz. 
145. Errado. A primeira parte da questão está errada, pois diz respeito à 
teoria diferenciadora, não adotada pelo Código Penal brasileiro, na qual 
existe a verificação da prevalência de um bem sobre o outro, ou seja, 
utiliza-se o princípio da ponderação dos bens. A segunda parte está 
correta já que um dos requisitos do estado de necessidade é a 
razoabilidade do sacrifício do bem. Assim, há estado de necessidade no 
sacrifício de um bem menor para salvar um bem de maior valor, bem 
como no sacrifício de um bem de valor idêntico ao preservado, como no 
caso de um homicídio praticado num naufrágio, numa disputa pelo 
colete salva-vidas. Não se pode, todavia, abdicar-se da vida humana por 
um patrimônio. Essa aferição, valoração dos bens, é feita no caso 
concreto pelo magistrado. 
146. Errado. A primeira parte da questão está correta. Com relação à 
pena da tentativa, todavia, a afirmação está incorreta. O parágrafo único 
do art. 14 esclarece que, salvo disposição em contrário, pune-se a 
tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de 
um a dois terços. 
147. Errado. No crime formal o tipo penal possui em sua estrutura uma 
conduta e um resultado naturalístico, mas este último não é necessário 
para sua consumação, ou seja, o crime estará consumado com a mera 
prática da conduta. Por exemplo, o crime de extorsão, art. 158 do CP, 
consuma-se independente da obtenção da vantagem indevida. Já o crime 
de mera conduta não contém um resultado naturalístico, contentando-se 
a lei com a ação ou omissão do agente. É o caso do ato obsceno, art. 233 
do CP. Portanto, a questão está errada porque o arrependimento eficaz só 
é possível nos crimes materiais, já que um dos requisitos é a capacidade 
do agente de evitar o resultado. 
148. Errado. O Código Penal adota a teoria limitada da culpabilidade, 
da qual são elementos a imputabilidade, a potencial consciência da 
ilicitude e a exigibilidade de conduta diversa. A culpabilidade passa a ser 
 
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um juízo de reprovação social, incidente sobre o fato típico e antijurídico 
e sobre seu autor. 
149. Errado. Não é necessária a prévia autorização para a legítima 
defesa de direito de terceiro. O Código Penal permite expressamente a 
legítima defesa de bens jurídicos alheios, amparando-se no sentimento 
de solidariedade humana. 
150. Errado. Fato típico é aquele que se encaixa com precisão na 
descrição do tipo penal. A contrario sensu, fato atípico é aquele que não 
encontra simetria em nenhum tipo penal, como exercer o meretrício. Os 
elementos do fato típico são: a conduta, o resultado naturalístico, o nexo 
de causalidade e a tipicidade. Eles estarão todos presentes nos crimes 
materiais consumados. Diferente situação é a do crime formal, que não 
prevê a produção de resultado, podendo até existir, e a do crime de mera 
conduta, que não contém o resultado naturalístico. A culpabilidade não 
integra o fato típico. 
151. Correto. Esta é a divisão bipartida ou dicotômica adotada pela 
legislação brasileira. A diferença de crime ou delito e contravenção dá-se 
pela gravidade da sanção penal. As penas mais graves são destinadas 
aos crimes (delitos), já que estes expõem os bens jurídicos tutelados a 
um perigo maior. 
152. Errado. O erro de proibição escusável ou inevitável exclui a 
culpabilidade do agente, isentando-o de pena. O erro de proibição ou erro 
sobre a ilicitude do fato inescusável