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a pena será reduzida de um a dois terços. 
171. Correto. O crime de omissão de socorro, art. 135 do Código Penal, 
é um crime omissivo próprio. É um crime de mera conduta e se consuma 
com a inércia do agente. Ele não admite tentativa. O tipo impõe uma 
conduta que, se desobedecida, torna-se um crime. O crime de omissão de 
notificação de doença é outro exemplo de crime omissivo próprio, art. 
269 do CP. 
172. Correto. A questão trata de superveniência de causa relativamente 
independente. Positivada no art. 13, §1°, do CP, a causa exclui a 
imputação ao agente quando produz o resultado por si só. No exemplo, 
Bruna faleceu exclusivamente por causa do acidente. Portanto, Ana deve 
responder somente pelos fatos anteriores, ou seja, a lesão corporal. 
173. Errado. O art. 23, parágrafo único, do CP, dispõe que o agente, em 
todas as hipóteses das excludentes de ilicitude, responderá pelo excesso 
doloso ou culposo. Marcelo somente responderá se usar de excesso ao 
repelir injusta agressão, seja dolosa ou culposamente. 
174. Correto. A hierarquia, como requisito da obediência hierárquica, 
não é admitida nas relações entre particulares. A hierarquia que autoriza 
o reconhecimento da excludente de culpabilidade é uma relação de 
 
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Direito Administrativo, na qual exista dependência funcional do executor 
da ordem em relação a quem lhe ordenou a prática do ato delituoso. 
175. Errado. A questão aborda o exercício regular de direito, no qual 
não haverá crime se, da prática de esportes, desde que respeitadas as 
regras regulamentares, resultarem lesões ou até mesmo morte. É um tipo 
penal permissivo que afasta a ilicitude da conduta do agente, mesmo que 
seja dentro de um esporte de notória violência como o boxe. 
176. Errado. O estado de necessidade afasta o crime, pois há a exclusão 
de ilicitude conforme art. 23, I, do CP. A conduta, no entanto, não deixa 
de ser considerada fato típico. O que acontece é que, presente uma 
excludente de ilicitude, fica afastada a infração penal, já que o fato típico 
praticado não é contrário ao Direito. 
177. Correto. O exemplo da questão está em perfeita consonância com o 
texto legal, art. 20, §3° do CP, que dispõe que o erro quanto à pessoa 
contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Consideram-se as 
condições ou qualidades da pessoa contra quem o agente queria praticar 
o crime e não as da vítima. O legislador se preocupou em considerar, 
para a aplicação da pena, as condições da vítima virtual e não da vítima 
real. 
178. Errado. O arrependimento posterior, disposto no art. 16 do CP, 
apresenta requisitos inafastáveis. O primeiro deles é ter sido o crime 
praticado sem violência ou grave ameaça à pessoa. O art. 157 trata do 
roubo, que é a subtração de coisa móvel alheia mediante grave ameaça 
ou violência. Ora, é impossível então, a benesse do arrependimento 
posterior. 
179. Errado. A questão traz o conceito da legítima defesa, que vem 
descrita no art. 25 do CP, como aquele que, usando moderadamente dos 
meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito 
seu ou de outrem. Na questão há a tentativa de confundir a legítima 
defesa com o estado de necessidade, exposto no art. 24 do CP. 
180. Errado. A primeira parte da questão está correta. Não há, 
entretanto, necessidade de prévia autorização do titular do direito 
ameaçado para configurar-se estado de necessidade de terceiro. A lei se 
funda na solidariedade que deve existir entre as pessoas em geral, não 
exigindo nem mesmo a existência de parentesco ou intimidade. Assim, 
por exemplo, está em estado de necessidade aquele que mata um cão 
feroz que está atacando um indivíduo desconhecido dele. 
181. Errado. Exemplo clássico de culpa consciente. Embora Andrey 
tenha previsto o resultado, atingir Nádia com uma das facas, ele espera 
 
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sinceramente que o mesmo não ocorrerá, pois acredita que sua 
habilidade impedirá a ocorrência do evento lesivo de sua previsão. A 
culpa consciente aproxima-se do dolo eventual, mas são institutos 
diferentes. No dolo eventual, o agente, após a previsão do resultado, 
assume o risco de produzi-lo. 
182. Correto. Preceituado no art. 23, II, segunda parte do CP, o 
exercício regular do direito é uma causa de exclusão de ilicitude. É um 
tipo penal permissivo que afasta a antijuridicidade da conduta do agente. 
No exemplo da questão especificamente, há as chamadas ofendículas, 
que são instrumentos usados para a defesa da propriedade ou 
inviolabilidade do domicílio, como o arame farpado ou cacos de vidro em 
muros. Dessa forma, Gisele não praticou fato típico algum, pois estava 
acobertada pelo seu exercício regular de direito. 
183. Correto. Segue a literalidade do art. 23 do CP, que dispõe não 
haver crime quando o agente praticar o fato em estado de necessidade, 
legítima defesa, exercício regular de direito e estrito cumprimento do 
dever legal. São as excludentes de antijuridicidade ou ilicitude. 
184. Correto. Na tentativa existe a conduta dolosa, ou seja, a vontade 
livre e consciente de querer praticar determinado delito. Situação 
diferente acontece no crime culposo, no qual o agente não quer 
diretamente o resultado e nem assume o risco de produzir o resultado. 
Não há de se falar, portanto, em tentativa de crime culposo. A exceção se 
dá com a culpa imprópria, já que nela existe a intenção de produzir o 
resultado. Trata-se, em verdade, de crime doloso tentado, punido a título 
de culpa por motivos de política criminal. 
185. Errado. A banca exemplifica o instituto do exercício regular de 
direito, que afasta a ilicitude da conduta do agente. Não haverá crime se 
resultarem lesões ou até mesmo morte da prática de esportes, desde que 
respeitadas as regras regulamentares. É um tipo penal permissivo, já que 
exclui a antijuridicidade permitindo a prática de um fato típico. 
186. Correto. A questão expõe o crime omissivo impróprio, positivado no 
art. 13, § 2° do CP. Diz o Código que a omissão é penalmente relevante 
quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. Ensina 
também que o dever de agir é um encargo de quem tenha por lei 
obrigação de cuidado, proteção ou vigilância. É o caso do bombeiro, que 
possui uma obrigação jurídica de agir para evitar o resultado, não 
podendo deixar de fazê-lo, dentro de um critério de razoabilidade. 
187. Correto. A questão traz um exemplo clássico da tentativa incruenta 
ou branca, que é aquela na qual o agente não consegue atingir o objeto 
material contra a qual recairia sua conduta, mesmo tendo usado todos 
 
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os meios ao seu alcance. Ou, em outras palavras, é aquela na qual não 
há derramamento de sangue, sem a ocorrência de lesões na vítima. 
188. Errado. A legítima defesa é descrita no art. 25 do CP e acoberta 
aquele que, usando moderadamente dos meios necessários, repele 
injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. O art. 
121 do CP, ao tratar de homicídio, preceitua em seu §1° um caso de 
diminuição de pena, para aquele agente que cometa o crime sob o 
domínio de violenta emoção logo em seguida à injusta provocação da 
vítima. Trata-se de diminuição de pena para o crime de homicídio e não 
de legítima defesa. 
189. Correto. É o enunciado da Súmula n°145 do STF. Denomina-se 
flagrante esperado quando um terceiro provoca o agente à prática do 
crime ao mesmo tempo em que age para evitar a consumação do delito. 
Esta situação resulta em crime impossível, não restando ao Estado 
nenhum direito de punir. 
190. Errado. A culpa, na concepção finalista, é o elemento normativo da 
conduta, pois sua verificação depende