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da ponderação do caso concreto. 
Em outras palavras, o juiz formulará uma valoração entre o querer do 
agente e o resultado produzido. O art. 18, II, do CP, estabelece que crime 
culposo é aquele em que o agente deu causa ao resultado por 
imprudência, negligência ou imperícia. A comparação que se faz entre o 
comportamento realizado pelo agente no plano concreto e aquele que 
uma pessoa de prudência normal (mediana) teria naquelas mesmas 
condições é a previsibilidade objetiva, um dos elementos da culpa. 
191. Errado. O crime de omissão de socorro, art. 135 do Código Penal, é 
um crime omissivo próprio. O tipo estabelece um comportamento 
mandamental, uma imposição de conduta que, se desobedecida, torna-se 
um crime. Outro exemplo de crime omissivo próprio é o art. 269 do CP, 
que prevê o delito de omissão de notificação de doença. 
192. Correto. A coação física irresistível ou vis absoluta exclui a conduta 
por falta de voluntariedade do agente. Dessa maneira, exclui-se a 
tipicidade e o único a responder pelo crime é o coator. Na coação moral 
irresistível ou vis compulsiva, o coagido pratica a conduta delitiva por 
medo. Exclui-se a culpabilidade por inexigibilidade de conduta diversa e 
o único a ser punido pelo crime é o coator. 
193. Errado. A primeira parte da questão está correta, repetindo o art. 
23 do CP. Porém, no excesso punível, preceituado no parágrafo único do 
mesmo artigo, o agente responde a título de dolo ou culpa. 
 
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194. Correto. O exemplo da questão é correto e está em conformidade 
com o instituto da desistência voluntária, preceituado no art. 15 do 
Código Penal. Presentes os requisitos da voluntariedade e da eficácia 
para evitar o resultado, o agente só responderia pelos atos já praticados. 
195. Correto. Com a teoria finalista de Hans Welzel, criada no início da 
década de 1930, dolo e culpa passaram a integrar a tipicidade. E dentro 
dos elementos do tipo penal existem aspectos objetivos, subjetivos e 
normativos. Aspecto objetivo é aquele descritivo, sem qualquer valoração. 
Subjetivo é aquele que se refere à intenção do agente, o especial fim de 
agir. Há ainda o aspecto normativo, o qual exige um juízo de valor por 
parte do magistrado. Como exemplo, o crime de prevaricação (art. 319 do 
CP) estabelece: retardar ou deixar de praticar (elemento objetivo), 
indevidamente (elemento normativo), ato de ofício ou praticá-lo contra 
disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento 
pessoal (elemento subjetivo). 
196. Errado. Normas penais em branco são aquelas que estabelecem a 
cominação penal, ou seja, a sanção penal, mas remetem a 
complementação da descrição da conduta proibida para outras normas 
legais, regulamentares ou administrativas. Conforme entendimento do 
STJ, o cloreto de etila é substância entorpecente de porte para uso 
próprio e comércio clandestino proibidos pela Lei de Tóxicos. O fato de 
não estar expressamente descrito na aludida lei quais seriam as 
substâncias consideradas entorpecentes ou causadoras de dependência 
física ou psíquica, não afasta a responsabilidade do agente. 
197. Correto. Aberractio ictus significa aberração no ataque, que resulta 
em erro na execução. O art. 73 do CP, juntamente com o art. 20, §3°, 
estabelecem que se consideram as condições ou qualidades da pessoa 
contra quem o agente queria praticar o crime, e não as da vítima real. 
Dispõem ainda que se aplica a regra do art. 70 do CP, de concurso 
formal de crimes, no caso do agente, mediante uma única conduta, 
praticar duas ou mais infrações. 
198. Correto. O arrependimento posterior tem fundamento em questões 
de política criminal, como uma proteção à vítima e incentivo ao 
arrependimento do agente. O dispositivo possui requisitos próprios, 
abrange todos os crimes em que ocorra prejuízo patrimonial à vítima, e 
aplica-se aos crimes dolosos ou culposos consumados ou tentados. Ele é 
uma causa pessoal e obrigatória de diminuição de pena, já que o art. 16 
no CP é imperativo: a pena será reduzida... 
199. Errado. A questão começa falando em estado de necessidade, mas 
dá a descrição do instituto da legítima defesa, conforme art. 25 do Código 
Penal. Não há que se confundir os institutos. 
 
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200. Correto. A banca aborda alguns requisitos do consentimento do 
ofendido, causa supralegal de exclusão de ilicitude. São necessários: a 
disponibilidade do bem ou interesse, capacidade para consentir, a 
concordância do ofendido, livre de qualquer vício, coação ou fraude e a 
não contrariedade dos costumes e valores sociais do momento. É um 
tema aceito pela doutrina majoritária, não previsto expressamente na 
legislação brasileira. 
201. Correto. Há progressão criminosa quando existem múltiplas 
intenções por parte do agente, como no exemplo da questão. O dolo 
passa por uma série de mutações. Conforme o princípio da consunção ou 
da absorção, o fato mais gravoso absorve os demais, respondendo o 
agente apenas pelo resultado mais amplo, no caso, o homicídio. 
202. Correto. O Código Penal adota a teoria normativa com relação à 
natureza jurídica da omissão. A omissão não é punível de forma 
independente. Somente quando a omissão for a causa de um resultado, 
ou seja, quando o agente, tendo o dever de agir, não fizer aquilo que a lei 
lhe obrigava no momento, tem-se a relevância para o Direito Penal. 
203. Errado. A omissão de socorro, art. 135 do CP, é um crime omissivo 
próprio, mas não admite a tentativa. Os crimes omissivos próprios são 
crimes de mera conduta e consumam-se com a simples inação do agente. 
Não prestando assistência na hora ao pedreiro, Marcelo omitiu-se e 
restou consumado o delito automaticamente. 
204. Correto. Consoante art. 20, §3°, do CP, consideram-se as condições 
ou qualidades da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime, 
ou seja, da vítima visada, e não da vítima real. Caso o agente, mediante 
uma única conduta, pratique duas ou mais infrações, é aplicada a regra 
do concurso formal, regra do art. 70 do CP. 
205. Errado. Fato atípico é aquele que não encontra reflexo em 
nenhuma conduta prevista em lei como crime ou contravenção. O direito 
penal tutela apenas os bens jurídicos mais importantes para o convívio 
da coletividade, restando aos demais ramos do direito as outras formas 
de controle social. Não há no Código Penal, por exemplo, a figura de dano 
culposo. Não fica afastada, porém, a possibilidade de ressarcimento no 
âmbito civil. Os ilícitos de outras áreas do direito, como os de natureza 
civil, administrativa, tributária, existem independentemente de sua 
tipificação penal. 
206. Correto. O Código Penal adotou a teoria objetiva, realística ou 
dualista quanto à punibilidade da tentativa, conforme art. 14, parágrafo 
 
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único, do CP. A tentativa deve suportar uma punição mais branda, pois a 
lesão do resultado é menor do que aquele do crime consumado. 
207. Correto. A questão traz um exemplo de descriminante putativa. 
Putativo significa imaginário, algo que parece, mas não é o que aparenta 
ser. O médico legista feriu uma pessoa viva acreditando tratar-se de um 
cadáver. É um erro plenamente justificado pelas circunstâncias na qual 
se encontrava. De acordo com o art. 20, §1°, do Código Penal, o médico 
será considerado isento de pena. 
208. Errado. Trata-se de crime formal, pois não é necessário haver dano 
efetivo ao bem tutelado, a fauna aquática. Para a sua consumação, que 
ocorre antecipadamente, exige-se apenas a simples prática da conduta 
típica, pescar em local ou época proibida ou com uso de petrechos 
proibidos, sendo desnecessário o acontecimento de qualquer resultado