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entender o caráter ilícito ou determinar-se de acordo com esse 
entendimento, tal circunstância não afasta o reconhecimento da eventual 
futilidade de sua conduta. 
301. Errado. Para que se possa dizer que uma conduta é reprovável, ou 
seja, que há culpabilidade, é necessário que o agente pudesse ter agido 
 
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de acordo com a norma. Entretanto, para que o sujeito aja de acordo com 
o direito, é imperioso que o mesmo tenha a capacidade psíquica de 
entender o que a lei determina e que, em face de sua não observância, 
haverá uma sanção predeterminada. Assim, a inimputabilidade do 
agente tem o condão de excluir a culpabilidade do delito. A legítima 
defesa, diferentemente, exclui a ilicitude. 
302. Errado. O reconhecimento da imputabilidade, inimputabilidade ou 
semi-imputabilidade é fundamental para a correta aplicação da pena. 
Cabe ressaltar que a semi-imputabilidade, redução da capacidade de 
compreensão ou vontade, não exclui a imputabilidade. Sendo 
constatada, o juiz poderá reduzir a pena de 1/3 a 2/3 ou impor medida 
de segurança. 
303. Correto. Chama-se de imputabilidade penal a capacidade que tem 
a pessoa que praticou certo ato, definido como crime, de entender o que 
está fazendo. De acordo com esse entendimento, será ou não punida. 
Nesta questão, a banca apresenta o exato conceito da imputabilidade 
penal. 
304. Errado. A imputabilidade é a capacidade de entender o caráter 
ilícito do seu comportamento e de dirigir sua conduta de acordo com esse 
entendimento. Pode ser afastada pelas suas causas excludentes, que são: 
doença mental, desenvolvimento mental incompleto, que inclui a 
menoridade; desenvolvimento mental retardado e embriaguez completa 
proveniente de caso fortuito ou força maior. 
Diferentemente, a potencial consciência da ilicitude significa ter 
condições de saber que seu comportamento é contrário ao ordenamento 
jurídico. Convém deixar claro que não se exige do sujeito que ele saiba 
que sua conduta está prevista no tipo penal, pois o que se averigua é se, 
nas condições em que ele vive, tem como saber se sua conduta é errada, 
contrária ao direito, ao ordenamento jurídico, ou seja, não é averiguar se 
o agente sabe que está fazendo algo errado, mas sim se ele teve 
condições para saber. 
305. Errado. A exigibilidade de conduta diversa, elemento da 
culpabilidade, é a verificação, no caso concreto, se, de fato, seria possível 
exigir-se do agente um comportamento diferente do que ele cometeu. 
Como causas excludentes da exigibilidade de conduta diversa, a doutrina 
costuma apontar a Coação Moral Irresistível e a Obediência 
Hierárquica. 
Tal conceito não se confunde com a imputabilidade, que é a capacidade 
de entender o caráter ilícito do seu comportamento e de dirigir sua 
conduta de acordo com esse entendimento. 
 
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306. Errado. Conforme o art. 26, do Código Penal, é isento de pena o 
agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou 
retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de 
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse 
entendimento. 
Assim, incapacidade total de entender o caráter ilícito do fato, nas 
citadas situações, é caso de isenção de pena, e não de diminuição. 
307. Errado. Nesta questão, a banca não diz que o agente era 
inteiramente incapaz, o que seria necessário para isentá-lo de pena. O 
que é dito é que ele não era inteiramente capaz. Desta forma, o 
enquadramento do caso em análise não é no “caput” do art. 26, e sim no 
parágrafo único, que trata da possibilidade de diminuição da pena. 
Segundo o texto legal, a pena pode ser reduzida de um a dois terços se o 
agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por 
desenvolvimento mental incompleto ou retardado, não era inteiramente 
capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo 
com esse entendimento. 
308. Errado. Nos termos do art. 28, II, do Código Penal, não exclui a 
imputabilidade penal a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou 
substância de efeitos análogos. 
309. Correto. A questão traz a possibilidade de redução de pena 
presente no parágrafo 2º, do art. 28, do Código Penal. Segundo o citado 
dispositivo legal, a pena pode ser reduzida de um a dois terços se o 
agente, por embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, não 
possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de 
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse 
entendimento. 
310. Errado. A embriaguez exclui a culpabilidade, na medida em que a 
pessoa perde a liberdade de escolha ao agir. Todavia, isso somente ocorre 
se a embriaguez se deu de maneira involuntária. Caso contrário, 
entende-se que a pessoa não era livre no momento da conduta 
criminosa, mas o foi no momento em que escolheu embriagar-se, razão 
pela qual a atitude continua culpável. 
311. Correto. Segundo disposição expressa no parágrafo 2º, do art. 28, 
do Código Penal, a pena pode ser reduzida de um a dois terços se o 
agente, por embriaguez proveniente de caso fortuito ou força maior, não 
possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de 
 
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entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse 
entendimento. 
312. Errado. A embriaguez culposa ocorre quando o agente, não 
pretendendo embriagar-se, bebe demais, imprudentemente, chegando 
assim ao estado etílico. Neste caso, conforme o art. 28, II, do Código 
Penal, não se opera a exclusão da imputabilidade penal. 
313. Correto. Sobre esta temática, há decisão do Superior Tribunal de 
Justiça (HC 33401/RJ) no sentido de que, em se tratando de 
inimputabilidade (ou semi-imputabilidade), vigora, entre nós, o critério 
biopsicológico normativo. Dessa maneira, não basta simplesmente que o 
agente padeça de alguma enfermidade mental. Faz-se mister, ainda, que 
exista prova de que este transtorno realmente afetou a capacidade de 
compreensão do caráter ilícito do fato (requisito intelectual) ou de 
determinação segundo esse conhecimento (requisito volitivo) à época do 
fato, no momento da ação criminosa. 
314. Errado. Maria será absolvida por inexistência da culpabilidade, e 
não da ilicitude da conduta. A imputabilidade é um dos elementos 
estruturais da culpabilidade. 
315. Errado. O Código Penal filiou-se ao critério biopsicológico, no qual, 
para a pessoa ser considerada inimputável, não basta a doença mental, 
devendo ainda, ao tempo do crime, a pessoa não se encontrar em uma 
situação de entender e querer. Cabe ressaltar que há uma exceção a este 
critério biopsicológico, que é referente aos menores de 18 anos, em que 
não é necessária a incapacidade de entender ou querer. 
316. Errado. A emoção e a paixão são alterações intensas do estado 
psíquico de longa (paixão) ou curta (emoção) duração. Emoção e paixão 
não excluem a imputabilidade (art. 28, do Código Penal), mas são causas 
de diminuição de pena (art. 65, II, "c" e art. 121, parágrafo 4º, do Código 
Penal). 
317. Errado. A embriaguez preordenada configura-se quando o agente 
se embriaga deliberadamente para praticar o crime. O autor da ação 
criminosa busca, com a embriaguez, ou romper os freios inibitórios ou 
alcançar uma escusa, na medida em que se encontra numa situação de 
inimputabilidade no momento da ocorrência do delito. Nessa forma de 
embriaguez apresenta-se a hipótese de actio libera in causa por 
excelência. 
 
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A embriaguez preordenada não reduz a pena e, nos termos do art. 61, II, 
“l”, é