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afetado bem jurídico de terceiro. Embora reprovável socialmente, o 
direito penal não pode, por exemplo, punir cidadão que não tome banho 
regularmente, pois se trata de esfera pessoal, não lesando bem de 
terceiro. 
16. Errado. A legitimidade e o conteúdo das normas penais originam-
se diretamente dos princípios e regras constitucionais. Não cabe ao 
legislador infraconstitucional selecionar os valores que deve tutelar. Ao 
contrário, diante do princípio da supremacia da Constituição na 
hierarquia das leis, deve o legislador penal refletir os valores abrigados 
pela Lei Maior para definir legislativamente os delitos. 
17. Errado. A entrada em vigor da lei que aboliu o crime de adultério 
do ordenamento jurídico-penal é exemplo da aplicação do princípio da 
intervenção mínima. Ele é responsável pelo apontamento dos bens 
jurídicos mais importantes de uma sociedade, bem como é responsável 
pela retirada de certas condutas que não possuem mais relevância face 
às mudanças sociais, ensejando a descriminalização. É o caso do 
adultério, já satisfatoriamente protegido por outros ramos do direito. 
18. Correto. No princípio da consunção ou absorção exige-se uma 
sucessão de fatos. Comparando-os, verifica-se a possibilidade do crime 
mais grave absorver os demais fatos menos lesivos. Na medida em que os 
delitos menores sejam meios ou componentes do crime mais grave, fica 
comprovada a dependência das condutas ilícitas. O legislador evita, 
assim, o bis in idem, respondendo o agente pelo crime mais danoso. 
19. Correto. Esta é a visão garantista do direito penal, protegendo o 
cidadão da arbitrariedade que possa existir por parte do Estado. O direito 
penal deve se harmonizar com os valores, garantias e direitos individuais 
plasmados pela Constituição, pois é nela que encontram seu fundamento 
de validade. 
20. Correto. O art. 122 do Código Penal prevê o induzimento, 
instigação ou auxílio a suicídio. O suicídio propriamente dito não é uma 
figura típica no Brasil já que não excede o âmbito do próprio autor. É 
 
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também o caso da autolesão ou daquele que tatua todo o seu corpo. O 
princípio da lesividade direciona o direito penal no sentido de não 
penalizar o ser ou pensar de uma pessoa, somente o seu agir quando 
repercutir em lesão ao bem alheio. 
21. Errado. Consoante entendimento do STJ, não se pode confundir 
bem de pequeno valor com bem de valor insignificante. O de valor 
insignificante exclui o crime em face da ausência de ofensa ao bem 
jurídico tutelado, com a aplicação do princípio da insignificância. Já o 
furto de bem de pequeno valor, eventualmente pode caracterizar o 
privilégio descrito no parágrafo 2º do artigo 155 do Código Penal, que 
prevê a possibilidade de pena mais branda, compatível com a pequena 
gravidade da conduta. Nesse sentido, consulte o REsp 746.854. 
22. Correto. A tipicidade é a adequação perfeita do fato concreto à 
descrição contida na lei. A determinação precisa do conteúdo do tipo e da 
sanção penal é garantia do indivíduo, pois tudo que não for 
expressamente proibido por lei se é permitido fazer ou deixar de fazer. A 
lei é fonte única do Direito Penal incriminador, afastando assim a 
possibilidade de o Estado violar direitos fundamentais do cidadão. 
23. Correto. O direito penal deve estar em sintonia com os valores 
albergados pela Constituição, tais como liberdade, igualdade, justiça, 
segurança, norteando o legislador na escolha do sistema jurídico penal 
vigente. As regras e princípios constitucionais, por um lado, orientam o 
legislador e, por outro, conforme a concepção garantista do direito penal, 
delimitam o âmbito de sua aplicação. 
24. Errado. Há de se fazer diferença entre o pequeno valor da res 
furtiva e a importância do objeto material para a vítima. Segundo o 
Superior Tribunal de Justiça, para a aplicação do princípio da 
insignificância, também deve ser levada em consideração a condição 
econômica da vítima, o valor sentimental do bem, as circunstâncias e o 
resultado do crime para determinar se houve lesão relevante. 
25. Correto. Tome-se como exemplo o crime de quadrilha ou bando, 
art. 288 do Código Penal, no qual se penaliza a associação de mais de 
três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes. É a 
elevação de atos preparatórios à condição de infração autônoma, de 
escolha do legislador, para resguardar a paz pública. 
26. Correto. É necessário que a conduta tenha desencadeado uma 
ofensa de certa monta ao bem jurídico para que ela seja considerada 
típica. É a chamada tipicidade material. Em exemplos, não há crime de 
furto quando a coisa alheia não tem qualquer valor para o seu 
proprietário e não há lesão corporal em pequenos danos à integridade 
 
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física como um simples arranhão. Decorrentes dos princípios da 
fragmentariedade e subsidiariedade, os ilícitos penais devem ser aqueles 
de relevante ofensa aos bens jurídicos tutelados. 
27. Errado. O agente responderá por estelionato, mas não estará 
tipificada a lesão corporal qualificada. O direito penal, baseado no 
princípio da lesividade, não incrimina condutas que não excedam o 
âmbito do próprio autor. Lesionando o próprio corpo, o agente não coloca 
em risco a integridade física de nenhum terceiro. Se não há perigo de 
lesão a bem jurídico de terceiro, não há infração penal. 
 
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Capítulo 02 - Aplicabilidade da Lei Penal
28. (CESPE / Advogado – CEF / 2010) No que diz respeito à lei penal 
no tempo e no espaço, é correto afirmar que a vigência de norma penal 
posterior atenderá ao princípio da imediatidade, não incidindo, em 
nenhum caso, sobre fatos praticados na forma da lei penal anterior. No 
tocante à lei penal no espaço, o Código Penal (CP) adota o princípio da 
territorialidade como regra geral. 
29. (CESPE / Promotor de Justiça Substituto – MPE-SE / 2010) De 
acordo com a lei penal brasileira, o território nacional estende-se a 
embarcações e aeronaves brasileiras de natureza pública ou a serviço do 
governo brasileiro, onde quer que se encontrem. 
30. (CESPE / Promotor - MPE-SE / 2010) De acordo com a lei penal 
brasileira, o território nacional estende-se a embarcações e aeronaves 
brasileiras de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro, onde 
quer que se encontrem. 
31. (CESPE / Promotor - MPE-SE / 2010) De acordo com a lei penal 
brasileira, o território nacional estende-se a embarcações e aeronaves 
brasileiras de natureza pública, desde que se encontrem no espaço aéreo 
brasileiro ou em alto-mar. 
32. (CESPE / Promotor - MPE-SE / 2010) De acordo com a lei penal 
brasileira, o território nacional estende-se a aeronaves e embarcações 
brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, onde quer que se 
encontrem. 
33. (CESPE / Analista de Trânsito – DETRAN-DF / 2009) O Estado é a 
única fonte de produção do direito penal, já que compete privativamente 
à União legislar sobre normas gerais em matéria penal. 
34. (CESPE / Analista de Trânsito – DETRAN-DF / 2009) A lei penal 
admite interpretação analógica, recurso que permite a ampliação do 
conteúdo da lei penal, através da indicação de fórmula genérica pelo 
legislador. 
35. (CESPE / Analista de Trânsito – DETRAN-DF / 2009) O princípio 
da legalidade veda o uso da analogia in malam partem, e a criação de 
crimes e penas pelos costumes. 
 
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36. (CESPE / Advogado – AGU /2009) O princípio da legalidade, que é 
desdobrado nos princípios da reserva legal e da anterioridade, não se 
aplica às medidas de segurança, que não possuem natureza de pena, 
pois