A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
315 pág.
08 1001questoescomentadasdireitopenalcespe 130811172226 phpapp02

Pré-visualização | Página 40 de 50

diminuída de um a dois terços (art. 
14, parágrafo único, do Código Penal). 
454. Errado. A redução da pena concernente à tentativa deve resultar 
das circunstâncias da própria tentativa. Isto quer dizer que não devem 
ser consideradas na redução as atenuantes ou agravantes porventura 
existentes, e sim o iter criminis percorrido pelo agente em direção à 
consumação do delito. 
A lei prevê exceções à regra geral no art. 14, parágrafo único, do Código 
Penal, cominando a mesma pena para a consumação e a tentativa do 
resultado lesivo. É cominada a mesma sanção, por exemplo, para a 
evasão ou tentativa de evasão com violência do preso (art. 352), para a 
conduta de votar ou tentar votar duas vezes (art. 309, do Código 
Eleitoral) etc. Afora as exceções expressas, é obrigatória a redução da 
pena entre os limites de um e dois terços. 
455. Correto. Dispõe o parágrafo único, do art. 14, do Código Penal, 
que, salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena 
correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços. Tal 
redução é obrigatória e será valorada com base no quanto o agente 
percorreu o iter criminis. 
456. Errado. Segundo a jurisprudência majoritária, a irretroatividade da 
lei penal mais grave, após a Reforma Penal de 1984, deixou de sofrer 
qualquer limitação, abrangendo não só os crimes e as penas, como 
também as medidas de segurança e a execução penal. 
457. Correto. As medidas de segurança constituem espécies de sanção 
penal e, consequentemente, não há como aceitar a possibilidade da 
retroação da lei penal mais grave. 
Diferem das penas pela sua natureza e fundamento. As penas têm 
caráter retributivo-preventivo, objetivando readaptar o criminoso à 
sociedade e baseando-se na culpabilidade. Já as medidas de segurança 
têm natureza preventiva, fundamentando-se na periculosidade do 
 
1001 Questões Comentadas – Direito Penal – CESPE 
Eduardo Neves e Pedro Ivo 
142
sujeito, evitando, desta forma, que um sujeito que praticou crime venha 
a cometer novas infrações penais. 
458. Errado. Segundo a jurisprudência majoritária, a retroatividade 
benéfica, após a reforma penal de 1984, deixou de sofrer qualquer 
limitação, abrangendo não só os crimes e as penas, como também as 
medidas de segurança e a execução penal. 
459. Errado. Segundo o art. 111, do Código Penal, a prescrição, antes 
de transitar em julgado a sentença final, começa a correr do dia em que o 
crime se consumou; no caso de tentativa, do dia em que cessou a 
atividade criminosa; nos crimes permanentes, do dia em que cessou a 
permanência; nos crimes de bigamia e nos de falsificação ou alteração de 
assentamento do registro civil, da data em que o fato se tornou 
conhecido. 
460. Errado. Na prescrição da pretensão punitiva, o Estado perde o 
direito de punir. Tal espécie de prescrição é regulada pela in abstrato, ou 
seja, aquela que o Código Penal comina. Como neste caso o agente não 
chega a ser julgado, não há que se cogitar a hipótese de reincidência. 
461. Correto. A prescrição da pretensão executória ocorre após o 
transito em julgado da sentença condenatória. O seu prazo é 
determinado pela pena imposta na sentença condenatória. O 
reconhecimento da prescrição da pretensão executória impede que o 
estado execute a pena ou medida de segurança imposta, subsistindo os 
efeitos da condenação, como custas, reincidência e a possibilidade de 
execução no juízo cível com o intuito de reparar os danos causados pelo 
ato lesivo. 
462. Correto. Conforme o art. 44, § 4°, do Código Penal, a pena 
restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando 
ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta. No cálculo 
da pena privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo 
cumprido da pena restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de 
trinta dias de detenção ou reclusão. 
463. Correto. Conforme o art. 59, III, do Código Penal, o juiz, atendendo 
à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do 
agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências do crime, bem 
como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja 
 
1001 Questões Comentadas – Direito Penal – CESPE 
Eduardo Neves e Pedro Ivo 
143
necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime, o regime 
inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade. 
464. Errado. De acordo com os arts. 113 e 114, da Lei de Execução 
Penal (LEP), o ingresso do condenado em regime aberto supõe a aceitação 
de seu programa e das condições impostas pelo juiz. Somente poderá 
ingressar no regime aberto o condenado que estiver trabalhando ou que 
comprovar a possibilidade de fazê-lo imediatamente e apresentar, pelos 
seus antecedentes ou pelo resultado dos exames a que foi submetido, 
fundados indícios de que irá ajustar-se, com autodisciplina e senso de 
responsabilidade, ao novo regime. 
465. Correto. Teorias utilitaristas da pena não têm um fim em si 
mesmas, elas possuem uma função especial que é a de prevenir a 
ocorrência de novos delitos. Para os teóricos dessa corrente, deve-se 
buscar a prevenção de novos crimes, e essa prevenção pode ser geral ou 
especial. 
466. Correto. Conforme o art. 126, da Lei de Execuções Penais, o 
condenado que cumpre a pena em regime fechado ou semi-aberto poderá 
remir, pelo trabalho, parte do tempo de execução da pena. O § 1º, do 
citado dispositivo, garante que a contagem do tempo para o fim deste 
artigo será feita à razão de 1 (um) dia de pena por 3 (três) de trabalho. 
467. Errado. Conforme o art. 33, § 1º, II, do Código Penal, considera-se 
regime fechado a execução da pena em estabelecimento de segurança 
máxima ou média e regime semi-aberto a execução da pena em colônia 
agrícola, industrial ou estabelecimento similar. 
468. Correto. Conforme dispõe o art. 31, da Lei de Execução Penal, o 
condenado à pena privativa de liberdade está obrigado ao trabalho, na 
medida de suas aptidões e capacidade. 
Já o preso provisório, vale dizer, aquele ainda sem condenação definitiva 
(recolhido em razão de prisão em flagrante, prisão temporária, por 
decretação de prisão preventiva, pronúncia ou sentença condenatória 
recorrível), não está obrigado ao trabalho. Entretanto, as atividades 
laborterápicas lhes são facultadas e sua prática dará direito à remição da 
pena, tão logo venha a ser aplicada. 
O descumprimento do dever de trabalhar é previsto como falta grave (art. 
50, VI, da LEP), impondo sanções disciplinares. 
 
1001 Questões Comentadas – Direito Penal – CESPE 
Eduardo Neves e Pedro Ivo 
144
469. Correto. A teoria absoluta, da qual Kant era adepto, considera que 
a pena se esgota na idéia de pura retribuição e tem como fim a reação 
punitiva, ou seja, responde ao mal constitutivo do delito com outro mal 
que se impõe ao autor do delito. Esta teoria somente pretende que o ato 
injusto cometido pelo sujeito culpável deste seja retribuído através do 
mal que constitui a pena. 
470. Correto. Para Claus Roxin, a retribuição tem seu fundamento no 
impulso de vingança, que originou historicamente a pena, de modo que 
não se pode considerar que a assunção da retribuição pelo Estado seja 
algo qualitativamente distinto da vingança. Assim, entende contestável 
que o Estado, por meio da retribuição, promova a expiação do 
delinqüente a fim de compensar o mal cometido. Isso porque a idéia de 
uma retribuição compensadora só pode ser plausível mediante um ato de 
fé, já que, racionalmente, não se compreende como se pode pagar um 
mal cometido acrescentando-lhe um segundo mal, que é a pena. 
471. Correto. Karl Binding era inflexível na tese de que só através da lei 
existe e pode ser identificado o crime. Segundo Binding, não é este senão 
oposição, desobediência à lei, sendo função exclusiva da pena mostrar ao 
criminoso sua impotência frente à ordem instituída,