INTERPRETAÇÃO DE EXAMES BIOQUÍMICOS
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INTERPRETAÇÃO DE EXAMES BIOQUÍMICOS

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INTERPRETAÇÃO DE EXAMES BIOQUÍMICOS
FUNÇÃO RENAL
	Relação Uréia/Creatinina
	Uréia Alta
	Uréia Baixa
	Uréia Normal

	Creatinina Normal
	Excesso protéico
Desidratação
	Fome
Desnutrição
	Normal

	Creatinina Alta
	Insuficiência Renal
	Hipercatabolismo
	Insuficiência Renal em desnutrido

Fonte: Curso: \u201cDa admissão à alta metabólica\u201d ministrado pelo professor Antônio Cláudio Goulart Duarte (CATNEPÃO 2008 \u2013 Fortaleza)
ELETRÓLITOS
	EXAMES
	INTERPRETAÇÃO
	CONDUTA NUTRICIONAL

	Hipocalemia (K < 3,5 mEq/L)
	Pode resultar em arritmias cardíacas, redução da peristalse, distensão abdominal e íleo paralítico.
	Reduzir ou suspender TNE. Restringir dieta com fibra dietética. Não se corrige com TNE.

	Hiponatremia leve (125-135 mEq/L)
	Pode dar cefaléia, náuseas, vômitos, cãibras, fraqueza muscular, alterações no sensório, confusão mental, incontinência urinária e fecal.
	Avançar com cuidado na TNE, para não precipitar essas intercorrências.

	Hiponatremia grave (< 125 mEq/L)
	Pode dar poliúria, bradicardia, hipo ou hipertensão, hipo ou hipertermia, pupilas dilatadas, convulsão, PCR, Irpa e coma.
	Pode incidir na resposta inflamatória nutricional.

	Hipernatremia
	Pode ser devido ao uso de diuréticos, DM descompensado, doenças febris, desidratação ou uso de soluções hipertônicas. Em idosos com Na > 160 mEq/L pode ocorrer sede intensa, hipovolemia, fraqueza muscular, desorientação, HSA coma, lesão cerebral irreversível e morte.
	Deve-se aumentar a ingestão de água livre. Não se reduz o sódio da TNE e sim do soro.

	Hipocalcemia
	Pode incorrer em hipotensão arterial, bradicardia, parada cardíaca, espasmos musculares, tetania, ansiedade, depressão e psicose.
	Pode incidir na resposta inflamatória nutricional.

	Hipercalcemia
	Pode resultar em náuseas, anorexia, poliúria, vômitos, constipação, desidratação, letargia e coma.
	Deve-se suspender a TNE até o controle médico do quadro.

	Hipomagnesemia
	Pode ser decorrente de DPC, etilismo crônico, fístulas digestivas, sepse ou administração inadequada de muita glicose e insulina. Pode dar fraqueza e cãibras musculares, vômitos e íleo paralítico.
	Avançar com cuidado na TNE, para não precipitar essas intercorrências.

Fonte: Adaptado do livro: DUARTE, A. C. G. Avaliação Nutricional: aspectos clínicos e laboratoriais. São Paulo: Ateneu, 2007.
INDICADORES DE HIPERALIMENTAÇÃO
	PARÂMETROS
	INTERPRETAÇÃO NUTRICIONAL
CONDUTA NUTRICIONAL

	Trigliceridemia < 300 mg/dL
	Se > 300 mg/dL (sem jejum) significa que a dieta está com excesso de calorias ou o paciente não está conseguindo aproveitar os nutrientes, devido à resistência periférica a insulina elevada. Paciente agravou.

	GGT (Gama Glutamil Transferase)
	Enzima de metabolização hepática de alimentos, medicamento e álcool. Regula toxicidade hepática por alimento, medicamento ou álcool. Indicador sensível de colestase. Pode ser decorrente de excesso calórico, protéico ou lipídico. Reduzir VCT e teor protéico. Usar fórmulas menos lipídicas e mais TCM. É um marcador precoce de excesso nutricional.

	Amilase
	Se elevada, significa que a caloria está elevada. Reduzir volume, pois o pâncreas está limitando a digestão e absorção dos nutrientes.

	Lipase
	Se elevada, reduzir a caloria e a gordura. Se a amilase e a lipase estiverem elevadas, reduzir volume, caloria e trocar a fonte de AGL por TCM, pois o pâncreas está limitando a digestão e absorção dos nutrientes. Ou troca dieta ou suspende.

	Fosfatase alcalina
	Indica esteatose hepática. Pode ser decorrente de excesso calórico ou de excesso de carboidrato ou déficit de proteína. Rever calorias, carboidratos e proteína na dieta. Pode refletir problemas ósseos também.

	ALT/TGP
	Reflete inflamação hepática por excesso de álcool e/ou gordura. Rever VCT, relação kcal/g de N2 e percentual lipídico da dieta. Quando elevado, provavelmente há algum excesso calórico ou lipídico ou há déficit protéico. Aumentar teor de proteína na dieta.

	AST/TGO
	Reflete destruição hepática com comprometimento da mitocôndria do hepatócito. Quando alterado, provavelmente há excesso de proteína e/ou lipídio na dieta. Trocar o tipo de lipídio. Se TGP e TGO estiverem elevados, priorizar quem estiver mais alterado.

	Fosfato
	Hipofosfatemia indica síndrome de realimentação, principalmente quando associado a desordens hidreletrolíticas de K+ e Mg2+. Avaliar sintomatologia: insuficiência cardíaca, desidratação ou sobrecarga hídrica, hipotensão ou insuficiência renal. Reduzir volume, VCT e carboidratos. Progredir mais lentamente e com mais cautela. Todo paciente desnutrido apresenta risco de síndrome de realimentação, bem como aqueles em jejum prolongado, alcoolistas e sob hidratação venosa prolongada.

Fonte: Adaptado do livro: DUARTE, A. C. G. Avaliação Nutricional: aspectos clínicos e laboratoriais. São Paulo: Ateneu, 2007
ÁCIDO ÚRICO
Sinonímia: Uricemia, urato, uricosúria
Material: Soro, líquido sinovial e urina de 24h.
Preparo do paciente: Jejum obrigatório de 8 horas para dosagem no soro. Para dosagem de urina, colher urina 24 horas, alcalinizada (bicarbonato de sódio 5g/L urina). Não refrigerar.
Método: Colorimétrico \u2013 enzimático automatizado
Valor de referência:
Soro: Homens \u2013 3,4 a 7,0 mg/dL
Mulheres \u2013 2,4 a 5,7 mg/dL
Urina 24 horas: 250 a 750 mg/24h
Urina (outras): à critério médico
Líquido sinovial: semelhante ao soro
Principais Aplicações Clínicas: Teste útil no diagnóstico das hiperuricemias, como as encontradas na gota, na calculose e na nefropatia úrica, em neoplasias, leucemias, linfomas, mielomas e policitemia. Constitui fator de risco nas dislipidemias, obesidade, diabetes, hipertensão e ingestão de álcool. Aumentado: na insuficiência renal, gota, anorexia, leucemias, doença infecciosa aguda, câncer metastático, eclampsia severa, choque, cetose diabética, acidose metabólica, intoxicação por chumbo, estresse, alcoolismo, exercício vigoroso, policitemia, psoríase , hiperuricemia assintomática. Diminuído: com uso de drogas antigota (alopurinol, probenecida), doença de Wilson, câncer.
ALBUMINA
Sinonímia: Albuminemia
Material: Soro, líquido pleural e ascítico.
Preparo do paciente: Jejum de 4 horas.
Método: Colorimétrico automatizado
Valor de referência:
Adultos: 3,5 a 4,8 g/dL
Crianças: 0 a 5 dias (<2,5 kg) 2,0 \u2013 3,6g/dL
0 a 5 dias (>2,5 kg) 3,6 \u2013 3,6g/dL
1 a 3 anos 3,4 \u2013 4,2g/dL
4 a 6 anos 3,5 \u2013 5,2g/dL
7 a 9 anos 3,7 \u2013 5,6g/dL
10 a 19 anos 3,7 \u2013 5,6g/dL
Nos líquidos corporais os valores de referência são correlacionados com o soro.
Principais Aplicações Clínicas: Exame útil na avaliação do estado nutricional, da capacidade de síntese hepática e da perda renal de proteínas. Nos líquidos cavitários, ajuda a estabelecer o diagnóstico diferencial entre transudatos e exudatos. Aumentada: na desidratação. Diminuída: em edema, doença hepática, má absorção, diarréia, queimadura, eclampsia, IRC, desnutrição, estresse, hiperhidratação, câncer, gestação, envelhecimento, síndrome nefrótica.

BILIRRUBINAS TOTAL E FRAÇÕES
Sinonímia: Bilirrubina direta (conjugada), indireta e total. BD, BI, BT.
Material: Soro.
Preparo do paciente: Jejum não obrigatório.
Método: Jendrassik/Grof - automatizado
Valor de referência:
Adulto:
Bilirrubina Total: 0,2 a 1,0 mg/dL
Bilirrubina Direta: 0,05 a 0,3 mg/dL
Bilirrubina Indireta: até 0,7 mg/dL
Recém-nascido:
Bilirrubina Total (mg/dL) 0 a 1dia 1 a 2 dias 3 a 5 dias
Recém-nascido prematuro 8,0 12,0 14,0
Recém-nascido a termo 6,0 10,0 8,0
Principais Aplicações Clínicas: Avaliação de hepatopatias e de quadros hemolíticos, em particular na avaliação do recém-nascido.
As causas mais comuns de aumento da Bilirrubina Direta são as doenças hepato-celulares e da árvore biliar.Aumentada: no dano hepatocelular, obstrução biliar, toxicidade por droga, hemólise, jejum prolongado, icterícia fisiológica neonatal, hipotireoidismo.
O aumento da Bilirrubina Indireta indica: (1) aumento da produção Hemólise (DHRN), (2) diminuição do transporte (anticorpos e medicamentos),