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anotações | arte e direito (daniel nicory)

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Arte e Direito
Professor: Daniel Nicory
1ªavaliação: 14/03
NÃO HAVERÁ AULA: 07/03
Anteposições: 11/02 – 10:50/ 12/02 – 7:20, 9h ou 10:50
 18/02 – 10:50/ 19/02 – 07:20, 9h ou 10:50
Introdução
Arte e Direito consistem em duas áreas com muito em comum. Suas maiores semelhanças são a interpretação (em ambos os casos sempre poderemos nos defrontar com duas interpretações distintas do mesmo objeto. Contudo o Direito precisa dar uma resposta final em algum momento, ou seja, o sistema jurídico. Já a arte é muito mais livre para continuar em aberto) e a retórica (tanto o Direito como a arte, precisam da boa expressão para produzir os seus resultados necessários para realizar o belo e o justo). 
Conforme a visão aristotélica fato é que a vida imita a arte. O mito é uma história que dá sentido a um mistério. 
Aristóteles também se preocupa com a verossimilhança das histórias, isto é, a sucessão de eventos segundo o necessário ou provável. 
Poética Aristotélica
Mythos
Organização dos fatos em uma sequência com início, meio e fim. Dentro da Teoria da Arte é o chamado enredo. A representação mítica é variável, visto que pode evidenciar-se através símbolos ou manifestações físicas. Aristóteles diz que essa organização é importante e quando a enfatiza é pelo fato de que uma história na sua sequência, além de sua sequência cronológica, tem uma sucessão causal, é a sucessão de acordo com o necessário ou o provável (verossimilhança das histórias). 
Mimesis
Consiste na imitação. A atividade mimética está relacionada a representação da ação. O animal que se caracteriza pela imitação é o camaleão. Quando Aristóteles trata da arte como imitação e representação, ele pensa no teatro. Nos dias de hoje, seria a dramaturgia (novelas/séries). Mimesis nesse sentido é agir “como se”. A ficção é comportar-se como se fosse o outro e, portanto, a arte imita a vida nesse sentido, sem tornar realidade. 
Ex. O ator não se transforma na personagem, ele mimetiza-a. 
Katharsis
Purificação espiritual do público a partir da experiência da arte. Consiste na provocação de um sentimento naqueles que vislumbram a obra – a Katharsis é provocada pelo Mythos através da organização dos fatos. O sentimento se desperta através de 3 caminhos: a peripécia (reviravolta), descoberta (reconhecimento) ou patético (sofrimento). 
O Mito de Édipo-Rei 
Na história do Édipo-Rei, Laio e Jocasta são reis de Tebas e quando Jocasta descobre que está grávida, Laio vai até o oráculo da cidade para saber o que o destino lhe reserva e ele diz que o destino do filho deles é mata-lo e casá-lo com a própria mãe. Diante dessa maldição, quando a criança nasce, a entregam a um servo para que mate a criança e a deixa para morrer nos pés de uma árvore. Ele é encontrado por uma pessoa e levam essa criança para um casal. O casal cria o filho sem nunca revelar a ele sua origem biológica.
Édipo quando chega a idade adulta, vai ao oráculo e repete a mesma profecia, então, desesperado, foge da outra cidade e segue pela Grécia e encontra com a comitiva de Laio e por conta de uma discussão, mata seu pai. Édipo acaba matando todos os guardas, inclusive o Laio, sem saber que era seu pai. Chegando em Tebas, está a esfinge e tem um enigma, assombrando a todos “Decifra-me ou devora-te”. Édipo responde a aquilo que era um grande mistério e o enigma da esfinge. Édipo entra em Tebas e quem o recebe é a viúva e agora rainha, Jocasta (sua mãe, que ele não conhece). Então, acaba se envolvendo com Jocasta e realizam a profecia.
Édipo, depois que se torna rei, quer descobrir quem matou Laio. Chega a uma testemunha, que é um dos sobreviventes e depois de muito custo, chega até ele que o próprio matou Laio. Jocasta depois que descobre que era seu filho, se suicida.
Modos Ficcionais em Northrop Frye 
O autor canadense associa a tragédia ao isolamento do herói e a comédia a inclusão do herói na sociedade. Dessa forma, propõe uma classificação das obras de arte de acordo com a capacidade de ação das personagens. A classificação também diz respeito a evolução da literatura na história. 
Modo Mítico
As personagens possuem o poder da ação e são superiores a própria natureza, além de transitarem entre os mundos. As personagens são deuses, quase sempre representam valores e forças da natureza. A condição de imortalidade é muito comum aqui, porém não obrigatória. 
Ex. Thor, Odim, Mulher-Maravilha. 
Modo Maravilhoso
Os personagens permanecem sobrenaturais, porém aqui não são mais divinas. Uma obra para ser maravilhosa não exige que todas as personagens sejam dotadas de poderes. É aqui que encontramos as questões jurídicas mais interessantes, como o controle de poder, divisão do poder, medo do desconhecido, etc. As histórias maravilhosas expandem a capacidade de possibilidades das personagens, nos induzindo a refletir sobre questões antes nunca pensadas, visto que as personagens lidam com problemas semelhantes aos nossos. O modo maravilhoso trabalha com personagens humanos, porém também utiliza os animais. 
Ex. X-Man, Harry Potter. 
Modo Fantástico 
Consiste em um modo intermediário, onde levanta-se a grande dúvida se estamos diante ou não do modo maravilhoso. O espectador se sente inseguro ao não saber em que campo está. Levanta-se um mistério, aparentemente sobrenatural, porém que não é explicado. As primeiras personagens que percebem esses acontecimentos têm sua sanidade questionada por aqueles ao seu redor. O fantástico é a dúvida. Algumas histórias são desmitificadas ao final, porém outras não. 
Ex. Stranger Things, Dark. 
Modo Mimético Alto
Sherlock Holmes consiste no exemplo perfeito do personagem que traz a história do modo fantástico para o mimético. Aqui ainda lidamos com personagens que não são dotados de nenhum poder sobrenatural, mas que utilizam suas habilidades para algum fim específico. É no mimético alto que finalmente estamos diante dos grandes heróis e dos grandes vilões.
Ex. Batman, Coringa, Édipo. 
Modo Mimético Baixo
Aqui as personagens são totalmente comuns, como cada um de nós. Essas personagens, tanto heróis quanto vilões, se evidenciam como os espelhos que nenhum de nós gosta de reconhecer. As nossas piores versões. Vale salientar que o comum também é belo, nem sempre se evidencia como algo pejorativo. 
Ex. Personagens do filme Roma, Rosa de O Segundo Sol. 
Modo Irônico
As personagens do modo irônico possuem poderes e capacidades de ação inferiores aos dos comuns. São aqueles com extrema dificuldade de ação, compreensão e interpretação. 
Ex. Clóvinho, de O Segundo Sol. 
Pode-se concluir que a literatura vai se desmitificando ao longo do tempo, se tornando cada vez mais próxima da realidade. Ao chegarmos ao fundo do poço, com personagens extremamente comuns, a roda gira e o mítico renasce através do irônico. Essa é a tese de Frye. 
Lições da Literatura Jurídica
A Luta pelo Direito (1870)
Consiste em um dos primeiros referenciais históricos que utiliza a arte para explicar um tema jurídico.
Hering faz referência a duas obras. Uma delas de William Shakespeare - O Mercador de Veneza. 
A obra defende que o indivíduo que não defende o Direito, corrobora com um mundo de injustiças. Lutar pelo Direito é dever de todos os cidadãos na proteção da comunidade. Não é só o Direito subjetivo (Right) que depende do objetivo (Law). 
O Mercador de Veneza consiste em uma comédia que conta a história de Bassanio que se apaixona por Portia, a qual pertence a classe social superior à sua. Bassanio pede ajuda a Antônio seu amigo para pagar o dote da moça. Antônio desprovido do recurso no momento faz um empréstimo com Shylock, um famoso agiota judeu da época. O agiota resolve emprestar, contudo se compromete a pagar 1 libra de carne do seu peito para cada dia que ultrapasse o prazo estipulado pelos dois. 
Antônio não consegue pagar a dívida e Shylock recorre a justiça para que essa coaja Antônio a pagar. O judeu utiliza o argumento da importância do Direito para a ordem da sociedade. Logo, não atender ao seu

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