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anotações | arte e direito (daniel nicory)

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caso seria prejudicar toda uma comunidade que acredita nesse sistema. 
Bassanio tenta pagar a dívida de Antônio, entretanto Shylock não aceita o pagamento em dinheiro e os rapazes recorrem a um jurisconsulto, o qual reconhece a razão de Shylock no caso, no entanto, explica a Shylock que ele precisará ser exato na sua ação e não poderá derramar uma gota de sangue sem ser penalizado por isso. Shylock desiste e descobre-se que o jovem jurista era apenas Portia disfarçada de jurisconsulto. 
O entendimento da época conclui que Shylock é a representação física da luta pelo Direito, o que revolta a sociedade. Hering explica que o que aconteceu é que Shylock acreditava cegamente no Direito, logo, o que ocorre é uma tremenda injustiça, principalmente considerando o fato da decisão ter sido proferida por alguém sem jurisdição. 
Hering também invalida a execução do possível contrato naquela época, pois mesmo na sociedade daquele momento a penalidade não era aceita, não era juridicamente válida. Para Hering o verdadeiro vilão da obra é Shylock e não o oprimido vingativo. 
O professor tem como interessante o momento que Shakespeare retira a racionalidade na história ao desvendar Portia no papel de jurisconsulto, invalidando qualquer possível decisão justa. 
Conceitos de Ação, Verdade e Mundo 
Quando falamos de ação estamos nos referindo, necessariamente, ao comportamento voluntário humano. É inerente ao ser humano o surgimento da vontade seguida da delimitação da finalidade, aplicação do conhecimento causal, escolha dos meios, definição do plano, execução da ação, produção de efeitos e por fim, o alcance (ou não) da finalidade. 
Sendo assim, Habermas conclui que toda ação humana é uma interação, visto que deriva consequências para a vida em sociedade, apesar de existirem limitações. A partir do exposto, o escritor cria a Teoria da Ação Comunicativa descrita abaixo, que surge da análise da interação entre os limites do agente e os limites que a sociedade impõe as condutas desse agente. 
Ação Estratégica
Nesse caso, o indivíduo apenas reconhece os limites eficaciais, que podem ser postos tanto pelo ambiente quando por ações de outros indivíduos. O agente estratégico não se interessa se vai dar certo ou errado e sim se dará certo para ele, através de seu conhecimento causal. 
A ação estratégica está diretamente relacionada a verdade correspondência (é a compatibilidade entre o que o indivíduo e o sistema normativo interpretam) e ao mundo objetivo (totalidade de coisas perceptíveis pelos sentidos). 
Ação Normativa
O indivíduo reconhece, além dos limites circunstanciais, o sistema normativo. O agente normativo preocupa-se com o que está certo ou errado, apesar de no fundo também possuir seu lado estratégico. 
A ação normativa está diretamente relacionada a verdade-correção (objetivamente ligada ao que está certo ou errado) e ao mundo intersubjetivo/social. 
Ação Dramatúrgica 
Na ação dramatúrgica a vida é um palco onde o agente deve representar a melhor versão de si mesmo. O agente dramatúrgico avalia suas aptidões, utilizando o seu autoconhecimento, que se faz indispensável.
A ação normativa está diretamente relacionada a verdade-credibilidade (consiste na sinceridade passada pelo agente que se apresenta) e ao mundo subjetivo (totalidade interior). 
Ação Comunicativa
A ação comunicativa é aquela em que o agente busca um entendimento coordenador da ação com os outros agentes. Considerada como ação ideal por Habermas. O agente busca agir conforme o modo que o outro, provavelmente, se manifestará. 
A ação comunicativa está diretamente relacionada a verdade-consenso e o mundo da vida. 
Habermas é muito criticado por ser um idealizador, visto que na maioria das vezes os indivíduos não agem conforme a ação comunicativa. 
Tripla Mimesis
Entre a vida que a arte imita e a interpretação do receptor que observa a arte, pode vir a existir três diferentes mimesis, três transformações distintas: a pré-configuração, a configuração e a refiguração. 
Os padrões da vida cotidiana são pré-configurados pelo artista, configurados em sua obra e refigurados pelo público. O sentido da obra só se concretiza após a experiência do leitor. Mesmo que o autor não possua a intenção de fechar a sua obra de arte, essa obrigatoriamente é findada na refiguração. 
As Estruturas Narrativas 
Num Universo Ficcional (obras de James Bond)
Relação com Oponente: o personagem tem sempre como inimigo um estrangeiro (comunistas, terroristas, judeus, dentre outros). 
Relação com o Comando: o personagem possui um estilo próprio de defender a pátria, o qual nem sempre é o mesmo indicado pelo comando. Todavia, Bond sempre alcança o sucesso, mesmo que através de vias alternativas, muitas vezes semelhantes ou iguais as vias utilizadas pelos vilões. A escolha de personagens órfãos nas obras de James Bond realiza-se visando a lealdade máxima a pátria (relação de mais importância para a literatura policial).
Relação com o Par Romântico: o personagem também se evidencia como um grande conquistador. Bond tem sempre uma relação superficial e de objetificação nas obras do autor, consequência de uma desilusão amorosa que sofre na infância. 
Num Gênero Artístico
As estruturas narrativas são elementos que não podem ser destituídos da história sem retirar o seu sentido maior. 
A literatura policial possui sempre uma história dentro de outra história. Normalmente a narrativa da investigação é a que engloba a narrativa do crime. 
Universais 
A ideia de um estado de coisas inicial, alterado por uma força imprevista, quem dá sequência a toda narrativa, utilizando uma gama de instrumentos distintos. Nesse viés, uma nova força reequilibra a situação, ao final da narrativa, contudo não necessariamente essa força tornará a situação melhor que a anterior. O cenário pode mudar para melhor, pior ou se encerrar da mesma maneira que já estava. 
Narrativa Jurídica
O direito trata de fatos. O fato chega aos órgãos de justiça como um fato bruto(pré-figuração), passa por uma conformação jurídica (configuração) e transforma-se em um fato definitivo (reconfiguração). Lawrence, importante autor da narrativa jurídica, desenvolve essa tese. O descarte de elementos desnecessários e a aglutinação de elementos relevantes para o ocorrido são indispensáveis para o processo. 
Essa conformação jurídica é, basicamente, a adequação dos fatos da vida a uma adequação dos fatos jurídicos, ou seja, um processo de subsunção. 
Vale salientar que tanto na literatura quanto no direito existe uma multiplicidade de narrativas, a partir de diferentes perspectivas, que encaminham suas formas de narrar o ocorrido ao juiz, autor da narrativa-síntese (direito) ou causar insegurança, instabilidade (literatura). 
Ficção Jurídica
Na ficção jurídica já se tem a verdade, contudo essa verdade não é revelada para que possa ser possível aplicar-se outros tipos de instrumentos para resolução de um conflito, mais facilmente resolvível através desse caminho.

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