BIODIREITO - FADI - ESTERILIZAÇÃO HUMANA

BIODIREITO - FADI - ESTERILIZAÇÃO HUMANA


DisciplinaProfª Ana Laura Vallarelli Gutierres Araujo7 materiais108 seguidores
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ESTERILIZAÇÃO HUMANA
Ana Laura Vallarelli Gutierres Araujo
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Referências
BOTTEGA, Clarissa. Liberdade de não procriar e esterilização humana. Revista_Jur_v_9_n_2_jul_ dez_2007_p_43_64.
CHAVES, Antônio. Direito à vida e ao próprio corpo (intersexualidade, transexualidade, transplantes). 2ª ed. rev. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1994.
CECCHETTO; URBANDT; BOSTIANCIC. Esterilización quirúrgica humana y legislación argentina. Acta Bioethica, 2007: 13 (2), p. 181-189.
DINIZ, Maria Helena. O estado atual do Biodireito. São Paulo: Saraiva, 2010.
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Referências
MALUF, A.C.R.F.D. Curso de Bioética e Biodireito.São Paulo: Atlas, 2010.
MARTINS-COSTA, Judith. \u201cCapacidade para consentir e esterilização de mulheres tornadas incapazes pelo uso de drogas: notas para uma aproximação entre a técnica jurídica e a reflexão bioética\u201d. In Bioética e Responsabilidade. Rio de Janeiro: Forense, 2009, p. 299.
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Farinelli (1705/1782)
	... como era conhecido Carlo Maria Michelangelo Nicola Broschi, foi um lendário cantor castrato do século XVIII, o mais popular e bem pago cantor de ópera da Europa em sua época.
 	Carlo Maria Broschi foi castrado ainda na infância.
 http://pt.wikipedia.org/wiki/Farinelli
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Castrato ("castrado") é o nome pelo qual eram conhecidos os cantores masculinos que, a fim de terem preservada, ainda na fase adulta, a tessitura vocal da infância (cuja extensão vocal é quase idêntica àquela própria das tessituras vocais femininas, sejam de soprano, de mezzo-soprano ou de contralto), eram submetidos a uma operação cirúrgica de corte dos canais provenientes dos testículos, a partir da qual a chamada "mudança de voz" não ocorria.
A prática de castração de jovens cantores teve início no século XVI (tendo surgido a partir da necessidade de vozes agudas nos grupos corais das igrejas da Europa Ocidental, já que a Igreja Católica Apostólica Romana não aceitava mulheres no coro de suas igrejas), atingindo seu auge nos séculos XVII e XVIII (de tal sorte que, nas óperas do compositor barroco alemão Georg Friedrich Händel, por exemplo, o papel do herói era frequentemente escrito para castrato).
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	Muitos dos rapazes que eram submetidos à castração tratava-se de crianças órfãs ou abandonadas. Algumas famílias pobres, incapazes de criar a sua prole numerosa, entregavam um filho para ser castrado. [...]
	Foi só em 1870, não obstante, que o castratismo destinado a este fim foi terminantemente proibido na Itália (o último país onde ainda era efetuado). E, em 1902, o papa Leão XIII proibiu definitivamente a utilização de castrati nos coros das igrejas.
	O último castrato a abandonar o coro da Capela Sistina foi Alessandro Moreschi (1858-1922), no ano de 1913. Há alguns registros fonográficos da voz deste castrato, que, entre 1902 e 1904, gravou exatos dez discos.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Farinelli
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ANTECEDENTES HISTÓRICOS
Emasculação de doentes mentais (fins eugênicos) \u2013 1779, Dr. Johann Peter Frank 
Laqueadura \u2013 1881, Dr. Luwdgren (durante uma cesária).
Vasectomia \u2013 1885, Dr. Harry Sharp (em jovens do reformatório do Estado de Indiana, EUA).
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Obs.:VASECTOMIA X CASTRAÇÃO
A vasectomia é feita em consultório médico após a aplicação de uma anestesia local. Realiza-se uma incisão em cada saco escrotal  para a localização dos canais deferentes. Em seguida eles são cortados e realizados todos os procedimentos pós-cirúrgicos. Depois de 1 a 2 meses o homem pode se considerar estéril.
A castração significa a retirada cirúrgica dos testículos. Em certa época era  usada como método de esterilização. Termos correlacionados são: emasculação (um sinônimo para castração) e penectomia, que é o termo que correlaciona-se as cirurgias efetuadas no pênis.
http://www.afh.bio.br/reprod/reprod5.asp
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ESTERILIZAÇÃO HUMANA
\u201c... ato ou efeito de esterilizar-se, ou seja, de tornar infértil, infecundo, improdutivo, visando a saúde da mãe, do feto, da família ou da coletividade.\u201d (MALUF, 2010, p. 147)
\u201c...intervenção médica que elimina a capacidade de reprodução\u201d. (LILIE H.)
\u201c...ação de privar de forma permanente ou duradoura a capacidade de gerar uma pessoa\u201d. (CASABONA)
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ESTERILIZAÇÃO HUMANA
Adriana Maluf
Pode ser:
Acidental - patologia
Cirúrgica (com ou sem castração)
Temporária (pílula)
Irreversível 
Dificilmente reversível (vasectomia)
Direta
Indireta (ex.: tumor no ovário/testículos) 
Necessária
Voluntária
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ESTERILIZAÇÃO HUMANA
Maria Helena Diniz
Eugênica (anormais e criminosos sexuais);
Terapêutica (vida da mãe ou do futuro concepto);
Cosmetológica (voluntária);
 Por motivo econômico-social e
Para limitação da natalidade.
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ESTERILIZAÇÃO EUGÊNICA
EUA (1889)
ALEMANHA (1911 \u2013 1933)
SUÍÇA (1907 \u2013 1929) 
AUSTRÁLIA (1992)
CANADÁ (1928)
NORUEGA (1934)
DINAMARCA (1928 \u2013 1963)
SUÉCIA (1972)
PARAGUAI (1936)
FINLÂNDIA
CHINA
ESPANHA (1929)
ITÁLIA (1985)
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ESTERILIZAÇÃO EUGÊNICA
Aproximadamente 
300 mil deficientes foram vítimas de esterilização
obrigatória na Alemanha nazista.
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ESTERILIZAÇÃO HUMANA
Antônio Chaves
Eugênica
Alemanha, 15/09/1935 - \u201clei para a defesa do sangue e da honra alemães\u201d (p. 103) 
EUA, 1971 - 29 Estados dispunham da esterilização eugênica (p.101):
26 Estados sob critério compulsório (quase todos por doença mental, alguns outros por desvios sexuais e nos criminosos sexuais reincidentes);
17 Estados permitiam a esterilização aos epiléticos;
8 Estados \u2013 esterilização voluntária por lei;
2 Estados \u2013 não possuíam lei.
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ESTERILIZAÇÃO HUMANA
Antônio Chaves
Eugênica
EUA - \u201cAs Emendas n. 8 e 14 da Constituição Federal Americana tornaram inconstitucionais as leis esterilizadoras em vários Estados em face da impossibilidade de se justificá-las por razões eugênicas e como processo de retorno dos primitivos castigos vis\u201d (p. 101) 
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EUA - Emendas n. 8 e 14 da Constituição
EMENDA VIII
Não poderão ser exigidas fianças exageradas, nem impostas multas excessivas ou penas cruéis ou incomuns.
[...]
EMENDA XIV - Seção 1
[...] 
	Nenhum Estado poderá fazer ou executar leis restringindo os privilégios ou as imunidades dos cidadãos dos Estados Unidos; nem poderá privar qualquer pessoa de sua vida, liberdade, ou bens sem processo legal, ou negar a qualquer pessoa sob sua jurisdição a igual proteção das leis.
[...]
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/constituicao-dos-estados-unidos-da-america-1787.html
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ESTERILIZAÇÃO HUMANA
ESTERILIZAÇÃO EUGÊNICA
Projetos que não foram aprovados:
ARGENTINA
BOLÍVIA
CHILE 
(CHAVES, 1994, p. 101)
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ESTERILIZAÇÃO HUMANA
Maria Helena Diniz
Cosmetológica
Somente leva em conta a estética \u2013 não é permitida pelo nosso ordenamento jurídico.
 Por motivo econômico-social
Não apresenta respaldo jurídico, mesmo com o consentimento expresso da paciente (DINIZ, 2011, p. 182)
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ESTERILIZAÇÃO HUMANA
Antônio Chaves
Terapêutica (p. 106)
	Excludente de antijuridicidade \u2013 mas:
prudência e critério profissionais;
consentimento \u2013 no caso de urgência não precisa do consentimento do casal.
	Indicações: hipertensões malignas, câncer, tuberculose severa, discordância de Rh (após segunda gestação), diabetes, surtos mentais ligados ao puerpério.
			OBS.: a Lei não contempla hipótese de 				esterilização necessária para homens. 
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ESTERILIZAÇÃO HUMANA
Terapêutica (Brasil)
	Lei de Planejamento Familiar
	Art. 10, II da Lei 9.263/96 \u2013 requisitos:
 	 \u2192 Risco de vida ou à saúde da mulher ou do futuro concepto 
e
 	\u2192 Relatório escrito e assinado por dois médicos.
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ESTERILIZAÇÃO HUMANA
Brasil:
Decreto Federal n. 20.391/32 \u2013 indiretamente foi invocado para a não realização de esterilizações, pois proibia o médico de praticar qualquer ato que tivesse por finalidade impedir a concepção;