BIODIREITO - FADI - Terminalidade da Vida, Morte Digna e Eutanásia
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BIODIREITO - FADI - Terminalidade da Vida, Morte Digna e Eutanásia


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BIODIREITO 
ROTEIRO \u2013 Terminalidade da vida. Morte digna/2014
Ana Laura Vallarelli Gutierres Araujo
Vocabulário
Seguem abaixo alguns textos extraídos da internet que explicam alguns termos relevantes para a compreensão do tema que estamos tratando.
Morte cerebral ou encefálica 
Morte encefálica é a definição legal de morte. É a completa e irreversível parada de todas as funções do cérebro. Isto significa que, como resultado de severa agressão ou ferimento grave no cérebro, o sangue que vem do corpo e supre o cérebro é bloqueado e o cérebro morre.
Obs.: a morte encefálica é permanente e irreversível.
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/146morte_encefalica.html
Neste caso, cessam as funções cerebrais e, se a pessoa estiver ligada a uma máquina, pode-se prolongar a sua vida. Ex.: transplantes e no caso de morte encefálica de mulher grávida.
Estado de coma
A palavra coma vem do grego koma, que significa \u201cestado de dormir\u201d. Obviamente, um indivíduo nesse estado não está dormindo, uma vez que é impossível acordá-lo através de estímulos, como um barulho, por exemplo. O estado de coma é caracterizado pela atividade mínima do cérebro. Na verdade, o mesmo [sic] continua funcionando, porém em seu nível mais básico, representando assim, a falência dos mecanismos de manutenção da consciência causada pela insuficiência cerebral.
[...]
Não existe uma forma de tratamento no sentido de tirar o paciente do estado de coma. O que se faz nesse sentido é a tomada de medidas que previnam futuros danos físicos e neurológicos ao paciente, além de garantir a sua vida, uma vez que é necessária a aplicação de nutrientes através de tubos de alimentação, a utilização de máquinas de ventilação artificial, etc. 
A recuperação de uma pessoa no estado de coma varia conforme a gravidade da lesão sofrida. Alguns casos não duram mais do que duas a quatro semanas, outros são irreversíveis. Alguns pacientes, quando saem do coma, entram no chamado estado vegetativo. Nesse estado, a pessoa está acordada, pode realizar alguns pequenos movimentos, bocejos e resmungos, no entanto, não responde a qualquer estímulo interno ou externo, evidenciando a persistência da lesão cerebral. 
Por Tiago Dantas (http://www.mundoeducacao.com.br/doencas/estado-coma.htm)
O que separa, pois o estado de coma do diagnóstico de morte encefálica é a irreversibilidade do último, com repercussões sistêmicas sobre a homeostase\ufffd de órgãos vitais, baseadas em danos permanentes estruturais focais ou difusos no encéfalo.
(http://medicina.fm.usp.br/gdc/docs/revistadc_101_123-131%20863.pdf)
Estado vegetativo persistente
Define-se por \u201cEstado Vegetativo\u201d ao quadro no qual um indivíduo possa vir a se encontrar, apresentando ausência de reações, ausência de consciência de si e do ambiente circunstante, condição de estado de vigilância, ausência de respostas comportamentais aos estímulos ambientais, alternação dos estados de sono e vigília.
Uma pessoa em EV apresentará uma perda temporária ou permanente de toda a capacidade de pensamento e de comportamento consciente, porém conservam algumas outras funções autônomas e cerebrais como a respiração e a deglutição espontânea, apresentando até mesmo reações de sobressalto aos ruídos muito altos, e em geral não necessitam de aparelhos para manutenção de suas funções vitais. A maioria dos indivíduos neste estado apresenta reflexos anormais acentuados, inclusive a rigidez e movimentos espasmódicos dos membros superiores e inferiores, em muitos casos as suas condições prolongam-se estavelmente por longos e indeterminados períodos de tempo.
[...]
Prognóstico
Atualmente, devido à particularidade de cada caso, e de acordo com os métodos de investigação, não se pode prever se os pacientes de EV se restabelecerão ou não, muito menos considerá-los como doentes terminais.
Por Marlene Amariz (http://www.infoescola.com/saude/estado-vegetativo/)
Paciente não está em coma, mas está inconsciente. Necessita de cuidados de terceiros para permanecer vivo. Deve-se realizar os tratamentos ordinários para melhorar a qualidade de vida dele.
Fase terminal
Existe um determinado momento na evolução de uma doença que, mesmo que se disponha de todos os recursos, o paciente não é mais salvável, ou seja, está em processo de morte inevitável. Este conceito não abrange apenas a potencialidade de cura ou reversibilidade de uma função orgânica atingida, mesmo tratando-se de órgão nobre. Refere-se àquele momento em que as medidas terapêuticas não aumentam a sobrevida, mas apenas prolongam o processo lento de morrer. A terapêutica, neste caso, torna-se fútil ou pressupõe sofrimento. Neste momento, a morte não mais é vista como um inimigo a ser temido e combatido, muito pelo contrário, deve ser bem-vinda e recebida como um amigo que trará alívio aos sofrimentos. (http://www.medicinaintensiva.com.br/eutanasia1.htm)
	DOENÇA (http://www.medicinaintensiva.com.br/eutanasia1.htm)
VIDA
MORTE
Salvável
Inversão de expectativas
Morte inevitável
Preservação da vida
Alívio do sofrimento
Alívio do sofrimento
Preservação da vida
Beneficência
Não-Maleficência
Não-Maleficência
Beneficência
\ufffd
Normas constitucionais
CF, art. 1º, III; 4º, II; 5º e § 3º
A vida humana é um bem tutelado constitucionalmente e é considerada bem indisponível, muito embora não se constitua um direito absoluto (guerra, legítima defesa e estado de necessidade).
Eutanásia, distanásia, ortotanásia e mistanásia: distinções
Eutanásia 
O termo eutanásia vem do grego, podendo ser traduzido como boa morte ou morte apropriada\ufffd. 
Desde a Antiguidade esse tema vem sido debatido. Sócrates e Platão\ufffd defendem-na. Em sentido oposto, Hipócrates, no lapidar juramento que atravessou os séculos: "A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda\u201d\ufffd.
Maria Helena Diniz explica que a incurabilidade, a insuportabilidade da dor e a inutilidade do tratamento não justificam a eutanásia. Recorda que a lepra, a tuberculose e a sífilis eram incuráveis e, atualmente, o tratamento é possível.
Conforme elucidam Carlos Fernando Francisconi e José Roberto Goldim, o termo eutanásia comporta diferentes interpretações, podendo ser classificada de diversas formas. Expõem dois critérios: quanto ao tipo de ação e quanto ao consentimento do paciente\ufffd. 
1. Quanto ao tipo de ação: 
a) Eutanásia ativa
b) Eutanásia passiva
Não confundir ortotanásia com eutanásia passiva.
c) Eutanásia de duplo efeito: quando a morte é acelerada como uma consequência indireta das ações médicas que são executadas visando o alívio do sofrimento de um paciente terminal. 
2. Quanto ao consentimento do paciente\ufffd: 
a) Eutanásia voluntária: quando a morte é provocada atendendo a uma vontade do paciente. 
b) Eutanásia involuntária: quando a morte é provocada contra a vontade do paciente. 
c) Eutanásia não voluntária: quando a morte é provocada sem que o paciente tivesse manifestado sua posição em relação a ela.
Jiménez de Asúa (1942) elenca três tipos, conforme transcrevem José Roberto Goldim e Carlos Fernando Francisconi: 
a) Eutanásia libertadora, que é aquela realizada por solicitação de um paciente portador de doença incurável, submetido a um grande sofrimento; 
Eutanásia eliminadora, quando realizada em pessoas, que mesmo não estando em condições próximas da morte, são portadoras de distúrbios mentais. Justifica pela "carga pesada que são para suas famílias e para a sociedade"; 
Eutanásia econômica, seria a realizada em pessoas que, por motivos de doença, ficam inconscientes e que poderiam, ao recobrar os sentidos, sofrerem em função da sua doença\ufffd. 
José Afonso da Silva pondera que a inviolabilidade do direito à vida, atribui ao Estado o dever de protegê-la, mesmo em face do desinteresse do seu próprio titular, logo, mesmo com o consentimento lúcido do doente, o caráter delituoso da eutanásia permanece. Essa proteção \u2013 ainda José Afonso da Silva, seguindo