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Justiça

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Justiça como sentimento
O sentimento que mais aflige o homem, antes mesmo de atingir plenamente a idade da razão, é o da injustiça sofrida. A criança se rebela e grita quando se sente injustiçada, quando acredita que tem um direito e este direito não lhe é respeitado.
Justiça como virtude
Justiça - uma das quatro virtudes cardinais
constante e firme vontade de dar aos outros o que lhes é devido
Outras virtudes cardinais 
a prudência ou sabedoria) - razão para discernir em todas as circunstâncias o verdadeiro bem e a escolher os justos meios para o atingir. Ela conduz a outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida", sendo por isso considerada a virtude-mãe humana. 
a fortaleza (ou Força) - assegura a firmeza nas dificuldades e a constância na procura do bem; 
a temperança (ou Moderação) que "modera a atração dos prazeres, assegura o domínio da vontade sobre os instintos e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados" sendo por isso descrita como sendo a prudência aplicada aos prazeres
Justiça como virtude
A justiça não é um virtude espontâneas como a caridade. A caridade pode ser exercida espontaneamente, sem nenhuma reflexão prévia, objetivando aliviar o sofrimento de quem quer apareça, como apareça, sem levar em conta nenhuma outra circunstância; ela é instintiva, direta, indiscutível, podendo ser simbolizada como a enfermeira que passa de um doente a outro, encontrando o remédio que conforta cada enfermo, sem levar em conta seus méritos ou a gravidade de seus ferimentos
Justiça como virtude
 a justiça não pode ser concebida sem regras, tal como se dá com a caridade: a justiça não pode ser apenas instintiva, é submetida a regras, condições, qualificações e reflexões; a obrigação por ela imposta é condicional, hipotética, pois o modo de agir dependerá da categoria em que se encontra o objeto da ação, devendo empenhar-se em não levar em conta aspectos alheios aos critérios eleitos, sejam emotivos ou individuais. Nada é menos espontâneo do que a justiça:
Justiça - definição
conceito abstrato que se refere a um estado ideal de interação social em que há um equilíbrio razoável e imparcial entre os interesses, riquezas e oportunidades entre as pessoas envolvidas em determinado grupo social
A Justiça pode ser reconhecida por mecanismos automáticos ou intuitivos nas relações sociais, ou por mediação através dos tribunais, através do Poder Judiciário.
Concepção relativa de justiça 
 justiça - possui significação ampla, muda de tempos em tempos
o que estaria correto e adequado no presente poderia se alterar no futuro e vice versa. 
a colocação dessa palavra no corpo dos textos jurídicos, poderá causar distorções, pois não haverá um comando totalmente definido. 
Concepção absoluta
é um valor, como os demais valores advindos do Direito Natural, que são eternos, imutáveis e universais. 
não se pode considerar que a Justiça é uma terminologia sem conteúdo e significado definido, que poderia se alterar diante da época.
Absoluta e relativa
o conceito que hoje temos de justiça é em substância o mesmo dos antigos filósofos (absoluta na forma)
O valor, porém, é produto da história e varia com as contingências históricas; o que era justo para os povos antigos já não é para nós, por exemplo: a escravidão tão comum na antiguidade, há séculos não é mais admitida. O ideal, por sua vez, não é o mesmo para cada povo, nem para cada época histórica; cada povo, cada época tem seu ideal próprio, sua maneira peculiar de sentir, de realizar a justiça (relativa no conteúdo)
Características da Justiça
medida de igualdade entre os homens – igualdade formal - Princípio da Isonomia: todos são iguais perante a lei.
 nem sempre as pessoas são e se encontram em igual situação, e dessa forma, tratar todos da mesma maneira não seria uma medida de Justiça, mas injustiça.
 Assim, a idéia de Justiça, deve ser complementada pela proporcionalidade, pois se as pessoas que não são e nem se encontram iguais, devem ser tratadas desigualmente, mas na medida dessa desigualdade, sob pena de, também, não ser uma medida justa.
Critérios para definir o que é justo 
Perelman (1997 – Direito e Justiça)
a cada qual a mesma coisa; 
 a cada qual segundo seus méritos;
 a cada qual segundo suas obras; 
a cada qual segundo suas necessidades; 
a cada qual segundo sua posição e,
a cada qual segundo o que a lei lhe atribui.
A cada qual a mesma coisa
Igualdade absoluta
todos devem ser tratados da mesma forma, sem que se leve em consideração quaisquer particularidades que os distingam. 
 trata-se- do mesmo jeito, independentemente das condições ou situações fáticas particulares, um velho e um jovem; um rico e um pobre.
Critica : o único ser perfeitamente justo seria a morte, inexorável e universal. 
é absolutamente injusto, ainda que seja sedutor e "populista", tal critério; a depender do caso concreto, necessário conferir certos privilégios, para equilibrar algumas desvantagens; 
A cada qual segundo seus méritos
Igualdade distributiva 
não se exige a igualdade de todos, mas um trato proporcional aos méritos, deméritos, sacrifícios e intenções.
meritocracia – valoriza-se o mérito do ser humano.
O que vale é o esforço, a causa da ação, e não o seu simples resultado. Mérito é um critério de ordem moral
Somente são tratados igualmente aqueles que detêm o mesmo mérito, com a mesma intensidade.
proporcionalidade - as recompensas variam na mesma medida que o mérito. 
O demérito também deve ser levado em consideração quando se deseja não só recompensar, como também punir. 
Exemplos: critério de salvação pela boa intenção, pela pureza da alma, Direito penal da culpabilidade 
A cada qual segundo suas obras
 Igualdade comutativa 
 independentemente dos sacrifícios ou esforços despendidos, premia-se segundo o resultado.
 Essa apuração se dá com fatores facilmente mensuráveis, como o peso, a medida, as horas trabalhadas, as peças concluídas, os resultados de concursos públicos.
Critério calvinista de salvação: predestinação: quanto mais riqueza acumulada, mais perto da salvação
Direito penal objetivo
enquanto o critério baseado no mérito tende à universalidade, permitindo aferir-se uma medida comum aplicável a todos os homens, o critério baseado apenas no resultado (obras ou conhecimentos), em sua essência bem mais simplista e pragmática, limita-se a comparar obras ou conhecimentos da mesma espécie 
A cada qual segundo suas necessidades
 Igualdade de caridade (justiça social)
fórmula que mais se aproxima da noção de caridade: reduzir os sofrimentos resultantes das privações de meios suficientes à provisão das necessidades mais básicas à vitalidade humana. A sua aplicação exige que sejam tratados da mesma forma aqueles que fazem parte de uma mesma categoria essencial do ponto de vista de suas necessidades
caridade - busca satisfazer as necessidades de cada indivíduo em particular, considerando-se os elementos psicológicos do indivíduo isoladamente considerado. 
justiça segundo as necessidades - elege e ordena o que entende por necessidades essenciais, de modo a formar diversas categorias essenciais, concedendo a cada uma delas -  a devida “quantia”, que é igual entre os membros de um mesmo grupo, mas, na comparação entre diversos grupos, será proporcional à necessidade dos mais carentes.
As maiores discussões surgem quando se busca definir o que será entendido por necessidades essenciais, e qual a respectiva ordenação de prioridades entre elas.
Teoria do mínimo existencial – políticas compensatórias 
legislação social e trabalhista
A cada qual segundo sua posição
Igualdade aristocrática
tratam-se os seres não por características intrínsecas que os distingam, mas por fatores externos à sua vontade (o nascimento ou a nobreza), que os colocam em grupos e posições sociais diferentes.
 tratar as pessoas de acordo com a categoria a que pertençam
critério anti-universalista, e altamente discriminatório, 
exemplos clássicos as diferenças de tratamento dispensadas