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Manual de moléstias vasculares

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preservar o fluxo sanguíneo. Basicamente existem 
dois tipos de stents intravasculares disponíveis: balão-expansível e autoexpansível. O stent balão-ex-
pansível é feito de metal (aço inoxidável) e vem montado num balão de ATP. O stent autoexpansível 
é feito de liga metálica (nitinol) e vem montado dentro de um cateter retrátil (Figura 3). Ambos apre-
sentam vantagens e desvantagens e a escolha entre um ou outro depende também da região anatômica 
a ser tratada (Tabela 1).
Eles podem ser usados primariamente ou seletivamente conforme o resultado da angioplastia. As 
indicações clássicas da colocação de stents incluem: dissecção, estenose residual > 30%, gradiente de pressão 
intra-arterial entre a porção proximal e distal à área dilatada > 10 mmHg, no tratamento da oclusão comple-
ta e quando ocorre o retorno elástico da placa para o calibre inicial do vaso (recoil). As indicações relativas 
seriam: a prevenção de embolização por placa ulcerada e estenoses muito longas.
Os stents revestidos, também conhecidos como endopróteses, são usados principalmente na exclusão 
dos aneurismas verdadeiros da aorta torácica, abdominal e periféricos. Outra aplicação é no tratamento dos 
traumas vasculares, iatrogênicos ou não, como correção das perfurações, dos pseudoaneurismas e das fístulas 
arteriovenosas.
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Tabela 1 - Vantagens e desvantagens dos Stents.
Tipo
Mecanismo de liberação
Encurtamento
Precisão
Flexibilidade
Força Radial
Melhores Indicações
Balão-expansível
Insuflação do balão
Mínimo
Alta
Baixa
Alta 
Lesões curtas
Muita calcificação
Lesões ostiais
Autoexpansível
Retirada da bainha
Variável
Baixa
Alta
Baixa
Lesões longas
Vasos tortuosos
Acesso contralateral
Figura 3 - Téncica de angioplastia com utilização de filtro de proteção e um stent autoexpansível, o qual é dilatado 
após a sua liberação no local doente da artéria. Aspecto inicial da lesão na bifurcação carotídea (A). Passagem do 
filtro de proteção embólica distal (B). Passagem do cateter de liberação do stent pela lesão (C). Liberação do stent 
pela retirada da bainha protetora do cateter de liberação (D). Uma vez o stent bem posicionado (E), é avançado 
o balão de angioplastia (F) e realizada a insuflação do mesmo para dilatar a estenose arterial (G). Para finalizar 
retira-se o cateter de angioplastia (H) e recolhe-se o filtro de proteção embólica (I). Aspecto final (J).
A B C D E
F G H I J
FHM
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Complicações
Os procedimentos endovasculares, como qualquer outra modalidade terapêutica, não estão isentos 
de complicações. Assim, a abordagem percutânea para o tratamento da doença coronariana, da doença 
arterial periférica e da doença cérebro-vascular, resulta num aumento da incidência de complicações 
arteriais e venosas pós-cateterismo, o que torna crescente a proporção das lesões iatrogênicas na epide-
miologia do trauma vascular.
O risco e a gravidade das complicações variam enormemente de acordo com o local escolhido para pun-
ção, o tamanho dos catéteres utilizados, a existência de doença concomitante e a experiência do serviço. Mas, 
no geral, são mais raras nos exames puramente diagnósticos em relação aos procedimentos terapêuticos, devido 
ao calibre do material utilizado e ao tempo em que o vaso permanece cateterizado. As complicações mais sérias 
correspondem a quase metade do total e ocorrem em aproximadamente 5% dos procedimentos terapêuticos.
As complicações mais simples, como um pequeno hematoma ou uma leve infecção, são facilmente tra-
tadas. Entretanto, algumas das complicações são difíceis de resolver, pois necessitam de correção em caráter 
de urgência e frequentemente acontecem em pacientes críticos, que não dispõem de avaliação pré-operatória 
adequada. Outra preocupação aqui presente é a distorção das estruturas anatômicas, que dificulta uma rápi-
da exposição e aumenta o risco de lesões adicionais indesejadas, bem como a incidência de infecção.
Complicações do local de acesso e embolização distal são as mais comuns enquanto que perfuração, 
dissecção com oclusão, fragmentação de catéteres e migração de stents são mais raras (Tabela 2). As compli-
cações do local de acesso incluem: sangramento, pseudoaneurisma, fístula arteriovenosa (FAV), dissecção e 
infecção. O hematoma retroperitoneal é um tipo à parte de sangramento que ocorre em menos de 0,5% dos 
procedimentos. É uma complicação grave, em geral devido à punção inadvertida da artéria ilíaca externa.
O pseudoaneurisma decorre do extravasamento de sangue através do orifício da punção na parede 
arterial para os tecidos adjacentes. É constituído de uma cápsula fibrosa que, devido à comunicação direta 
com a luz arterial, forma uma massa pulsátil junto ao local de acesso. Pseudoaneurismas pequenos resolvem 
espontaneamente e não requerem tratamento a não ser que sejam sintomáticos. A conduta inicial consiste 
em repouso e repetir o mapeamento dúplex em três semanas, enquanto que a compressão guiada por US 
é a primeira escolha no tratamento dos pseudoaneurismas maiores e/ou sintomáticos. A técnica envolve 
posicionar o transdutor imediatamente acima do orifício e comprimir até a interrupção do fluxo, man-
tendo-o assim por dez a 30 minutos. A cirurgia está reservada para os casos de rotura, pacientes obesos, 
pseudoaneurismas grandes, na vigência de anticoagulação ou no insucesso da compressão guiada por US. 
Outras modalidades mais recentes de tratamento incluem: a injeção de trombina, a embolização com mola 
e a colocação de stent revestido.
A FAV é o resultado da punção inadvertida da artéria e da veia adjacente durante o acesso. Há presença 
de frêmito no local de acesso e sopro contínuo com reforço sistólico durante a ausculta. O diagnóstico é 
facilmente comprovado pela ultrassonografia. Via de regra, a comunicação entre a artéria e a veia é de pe-
quenas dimensões e, portanto, a maioria irá fechar espontaneamente dentro de seis semanas.
A lesão da íntima, geralmente secundária a uma dissecção, favorece a formação da trombose arterial. 
O quadro clínico e o tratamento são semelhantes àqueles da oclusão arterial aguda. O prognóstico é extre-
mamente variável, e depende dos mecanismos de compensação, tempo de isquemia, presença de circulação 
colateral e extensão da trombose. 
A embolização distal é desencadeada pela fragmentação de placas ateroscleróticas durante a passagem 
dos fios guias e dos catéteres utilizados. A microembolização ocorre frequentemente, mas só é detectada 
raramente. Entretanto, dependendo do órgão-alvo (cérebro, rim), pode ter consequências catastróficas. O 
mais importante é prevenir o seu acontecimento com treinamento adequado e manipulação delicada dos 
instrumentos. Nas angioplastias de carótida está indicado o uso de dispositivos de proteção cerebral (filtros 
e balões de oclusão) e o uso de antiagregantes plaquetários para diminuir tais complicações. A macroem-
bolização também é comum. Várias manobras podem ser realizadas, dependendo de cada caso, e incluem: 
aspiração, trombectomia mecânica, angioplastia, trombólise e cirurgia.
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A trombose venosa profunda é caracterizada pela presença de trombo intravenoso junto ao sítio de pun-
ção associada à lesão da parede venosa, mas que raramente obstrui totalmente a luz da veia. É pouco frequente e 
tem seu risco aumentado quando houver múltiplas punções ou com a utilização de catéteres mais calibrosos.
A neuralgia femoral é determinada por trauma direto na punção ou distensão das fibras nervosas pelo