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Hipernatremia

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nos indivíduos que não secretam o HAD (diabetes insípido central) ou naqueles em 
que o túbulo renal não responde ao HAD (diabetes insípido nefrogênico). O tratamento 
dos pacientes com hipernatremia devido à hipodipsia é a administração da água por 
via oral. Esta também pode ser feita pela infusão contínua por gavagem na velocidade 
de 75 a 100 ml/hora. 
Redução Patológica da Ingestão de Água (Hipodipsia Hipotalâmica): alguns 
pacientes com lesão do hipotálamo, por tumor, doença infiltrativa (sarcoidose) ou 
doença cerebrovascular, possuem hipodipsia (diminuição da sensação de sede) e são 
cronicamente hipernatrêmicos. Os níveis plasmáticos de ADH estão menores do que 
deveriam estar para o grau de hipernatremia. Na verdade, o osmostato destes 
pacientes está reajustado para cima, isto é, a natremia passa a ser mantida em um 
valor um pouco mais elevado. 
 
Hipernatremias hipervolêmicas: ocorrem quando há um ganho excessivo de sódio e 
água, sendo o ganho eletrolítico maior do que o hídrico. As hipernatremias por 
excesso de sódio só ocorrem em situação na qual o rim não consegue excretar a 
sobrecarga deste íon; é a situação do recém-nascido, do idoso e dos pacientes com 
insuficiência renal. O tratamento é a suspensão imediata da solução hipertônica 
concomitante à administração de furosemida. 
Ganho de Sal ou Soluções Hipertônicas Ingestão de Sal ou Infusão Hipertônica: 
existem diversas situações de hipernatremia por ganho de sódio, em vez de perda de 
água livre. São elas: infusão inadvertida de salina hipertônica, infusão de bicarbonato 
de sódio, ingestão excessiva de sal sem beber água, ingestão de água salgada (ou 
afogamento no mar), dieta enteral hiperosmolar, múltiplos clisteres salinos, diálise 
Flávia Helena da Silva 
 
hipertônica etc. A reposição diária de soro fisiológico 0,9% em pacientes que não 
bebem água pode causar uma hipernatremia, geralmente leve (no máximo 154 
mEq/L). 
 
Nos indivíduos que têm o centro da sede funcionante e são capazes de ter acesso à 
ingestão de líquidos, a hipernatremia não se mantém, pois a água consumida irá 
corrigir prontamente o distúrbio natrêmico. Na prática médica, encontra-se 
hipernatremia geralmente em recém-natos, lactentes, idosos, pacientes intubados 
e indivíduos com rebaixamento da consciência ou pacientes gravemente 
enfermos e acamados, pois são justamente estes os pacientes que não têm livre 
acesso à água. 
 
Manifestações clínicas 
A hipernatremia aguda grave leva à desidratação neuronal e cerebral, provocando 
distúrbios neurológicos (Encefalopatia Hiperosmolar), especialmente quando excede 
160 mEq/L (osmolaridade efetiva > 330 mOsm/L). Surge rebaixamento da consciência, 
chegando ao coma e crise convulsiva (esta é mais comum durante a reidratação). 
Fraqueza e dor muscular são indícios de rabdomiólise hipernatrêmica. A desidratação 
abrupta do cérebro pode romper pequenas veias levando à hemorragia 
intraparenquimatosa, subaracnoide ou mesmo subdural. 
 
Tratamento 
O tratamento da hipernatremia, ou de qualquer estado hiperosmolar, é a reposição de 
água livre. A água deve ser oferecida de preferência pela via oral, pelo cateter enteral, 
ou por qualquer outro tipo de acesso. Quando um grande volume for necessário, 
podemos dividi-lo entre as vias enteral e parenteral. Se houver indicação de reposição 
intravenosa exclusiva (ex.: redução do nível de consciência, obstrução intestinal), a 
solução escolhida não poderá ser a água destilada, pois a infusão de grandes 
quantidades desta solução na veia provoca hemólise. Por este fato, as soluções de 
escolha serão o soro glicosado a 5% ou a salina hipotônica (0,2% ou 0,45%), 
dependendo do tipo de perda que o paciente apresenta. Após calcular o déficit 
corporal de água, acrescenta-se a este montante a reposição das “perdas insensíveis” 
normais (cerca de 1.500 ml), pois tais perdas podem agravar ou dificultar a correção 
da hipernatremia. Antes de iniciar a reposição, é importante determinar se a perda foi 
de água livre (perda cutânea, pela respiração, diabetes insipidus) ou de fluidos 
hipotônicos (diarreia, poliúria). No primeiro caso, temos que repor água livre “pura” 
(água potável pelo trato digestivo ou SG 5% pela via intravenosa). No último caso, 
como geralmente há hipovolemia associada, temos que repor água livre + sódio (na 
forma de salina hipotônica 0,2% ou 0,45%). O objetivo do tratamento da hipernatremia 
aguda sintomática é baixar a natremia a uma taxa máxima de 10 mEq/L em 24h. 
Uma correção mais rápida do que esta pode precipitar edema cerebral agudo e 
agravamento do quadro neurológico. Em pacientes com hipernatremia grave (Na+ > 
160 mEq/L), é necessário corrigir o sódio sérico ao longo de 48-72h, para não 
ultrapassar o limite de 10 mEq/L a cada 24h. 
Uma das fórmulas para se calcular o deficit de água livre é: 
 
 
 
Flávia Helena da Silva 
 
Fórmulas utilizadas 
 
ACT= Água corporal total 
 
Variação de Na+ = Na de infusão – Na sérico/ ACT – 1 
 
Criança = ACT = P x 0,6 
Homem = ACT = P x 0,5 
Mulher = ACT = P x 0,45 
 
Déficit de H20 total = ACT x Na sérico/140 – 1