Síndrome metabólica - Endocrinologia clínica
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Síndrome metabólica - Endocrinologia clínica

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Letícia Nano- Medicina Unimes 
Síndrome metabólica 
 
Introdução 
A Síndrome Metabólica (SM) é a associação de diversos fatores fisiológicos, bioquímicos, clínicos e metabólicos que 
aumentam diretamente o risco de doença cardiovascular (2x) e Diabetes Mellitus tipo 2 (5X). Além disso, os pacientes 
com SM apresentam risco aumentado 2 a 3 vezes para AVC, 3 a 4 vezes para infarto agudo do miocárdio IAM. Essa 
síndrome tem elevada taxa de morbimortalidade, e sua incidência mundial só aumenta, portanto é de seu estudo e 
pesquisa são de extrema importância no âmbito de saúde pública. 
Epidemiologia 
A prevalência é muito variável, dependendo dos critérios diagnósticos, idade e grupo populacional. Nos EUA foi 
estimado que a prevalência na população geral é de 4,2 a 12%, enquanto na população com sobrepeso e obesidade, 
a prevalência é de até 40%. 
 
Combinação de desordens que aumentam o risco de doenças cardiovasculares 
\u2022 Obesidade central / abdominal / visceral 
\u2022 Disglicemia 
\u2022 Aumento da pressão arterial 
\u2022 Dislipidemia Aterogênica 
\u2022 Elevação de triglicérides 
\u2022 Baixos níveis de HDL colesterol 
\u2022 LDL colesterol pequenas e densas 
\u2022 Estado pró inflamatório (elevação de Proteína C Reativa - PCR) 
\u2022 Estado pró trombótico (elevação do inibidor do ativador do plasminogênio tipo 1 \u2013 PAI-1) 
Fatores de risco 
\u2022 Idade : o risco aumenta conforme o aumento da idade 
\u2022 Genética: algumas etnias podem apresentar maior risco , como os americanos mexicanos 
\u2022 Obesidade central ou visceral 
\u2022 Diabetes : risco aumentado no histórico de Diabetes Gestacional ou antecedente familiar com Diabetes 
Mellitus tipo 2 
\u2022 Outras doenças : risco aumentado quando há histórico de doença cardiovascular, Esteatose Hepática Não 
Alcóolica, Síndrome dos Ovários policísticos etc. 
 
Patogênese 
A patogênese da síndrome deriva da obesidade e desordens do tecido adiposo, resistência à insulina e outros fatores 
como ambientais e genéticos. São principalmente: adiposidade visceral, resistência à insulina , liberação excessiva de 
ácidos graxos livres e citocinas inflamatórias pelos adipócitos viscerais, estresse oxidativo, dislipidemia aterogênica, 
hiperglicemia, disfunção endotelial, hipertensão e estado de hipercoagulabilidade. 
 
Obesidade e desordens do tecido adiposo 
A obesidade foi definida pela Organização Mundial de Saúde como o acúmulo anormal ou excessivo de gordura , com 
índice de massa corporal (IMC) > 30 kg/m2, e que representa risco à saúde. 
O tecido adiposo é o órgão responsável pela maior reserva de energias do corpo. É constituído por adipócitos, cuja 
função principal é estocar AGL na forma de triglicérides em seu citoplasma. O tecido adiposo é considerado hoje um 
órgão/estrutura endócrina pois sabe-se que os adipócitos são capazes de produzir citocinas inflamatórias como o fator 
de necrose tumoral (TNF), interleucina 6( IL-6), proteína C reativa (PCR), adiponectina e o inibidor do ativador do 
plasminogênio-1 (PAI-1). 
 Letícia Nano- Medicina Unimes 
 
Adiponectina 
É uma proteína produzida exclusivamente no tecido adiposo, secretada em 3 
formas: trímeros, de baixo peso molecular, hexâmeros (2 trímeros) e 
multímeros (de alto peso molecular e principal forma). Sua função principal é 
aumentar e melhorar a sensibilidade à insulina nos tecidos, principalmente 
fígado e musculo esquelético. Outras funções: atividade antiaterogênica 
(efeito oposto ao TNF \u3b1) e estímulo da vasodilatação. É diretamente 
relacionado às concentrações de HDL séricas, enquanto é inversamente 
relacionada à síndrome metabólica, níveis de triglicérides, insulina ,glicose, e 
à circunferência abdominal. 
 
TNF-\u237a 
É uma citocina pró inflamatória produzida principalmente pelos macrófagos, mas pode produzida também pelos 
adipócitos. Sua ação causa vasodilatação, e estimula o recrutamento de células imunológicas através das quimiocinas. 
Na síndrome metabólica tem ação estimulando a inflamação do tecido adiposo, e também nos receptores de insulina 
periféricos, diminuindo a expressão do GLUT-4 e culminando na resistência insulínica. O TNF-\u237a também está 
relacionado à disfunção endotelial, hipertensão e hipertrigliceridemia. 
 
Adipogênese 
O processo de adipogênese se inicia no período pré natal e se mantém durante o funcionamento do metabolismo. O 
tecido adiposo contém grande quantidade de células tronco e a adipogênese ocorre conforme a necessidade de 
armazenamento dessa gordura, na hiperplasia. Sob a forma saudável dos adipócitos, somente o aumento da gordura 
a ser armazenada não repercute sistemicamente, fenômeno esse visto em muitos pacientes com obesidade que são 
considerados metabolicamente saudáveis, devido à capacidade efetiva na hiperplasia desse tecido. O problema, no 
entanto, ocorre quando há um desequilíbrio nesse processo. 
Adiposidade visceral 
Sabe-se também que a síndrome não somente está associada ao aumento do tecido adiposo como está também sua 
distribuição. A ocorrência da síndrome está relacionada ao aumento da 
tecido adiposo visceral e diminuição do tecido adiposo subcutâneo, que 
levaria ao aumento dos ácidos graxos livres (AGL) e citocinas inflamatórias 
na circulação. Isso ocorre pois há diferenças funcionais entre os adipócitos 
subcutâneos e adipócitos viscerais. Os primeiros são células menores, que 
têm mais facilidade de se multiplicar e de armazenar AGL, e são mais 
responsivos ao efeito antilipolítico da insulina. Os adipócitos subcutâneos 
também possuem pouca ou ausente infiltração de macrófagos e monócitos 
no tecido, responsável então pela pequena quantidade de produção de 
citocinas inflamatórias. Já os adipócitos viscerais são células maiores, que 
se multiplicam pouco, são metabolicamente mais ativos, acumulam menos AGL e apresentam atividade lipolítica 
mais acentuada. Possuem também maior capacidade de secretar citocinas inflamatórias, tais como o fator de 
necrose tumoral-alfa (TNF-\u3b1), a interleucina-6 (IL-6), a proteína C reativa (PCR) e o inibidor do ativador do 
plasminogênio-1 (PAI-1). 
 
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Fisiopatologia 
O desequilíbrio ocorre, portanto, quando principalmente no tecido adiposo visceral, há um desequilíbrio no 
armazenamento da gordura visceral, como na expansão exacerbada desse tecido em contraposição à uma pobre 
vascularização, causando hipóxia. Sabe-se que a hipóxia pode estimular a secreção de citocinas inflamatórias pelos 
próprios adipócitos, ocorrendo uma inflamação no tecido adiposo. As citocinas produzidas também atraem mais a 
infiltração de macrófagos no tecido, que por sua vez produzem mais substâncias pró-inflamatórias, que atingem 
também nível sistêmico. A inflamação no tecido adiposo adjacente é responsável pela resistência insulínica dentro do 
adipócito. Com a resistência insulínica, a insulina não consegue agir no adipócito, realizando sua função antilipótica (a 
insulina inibe a lipólise). Com isso, os triglicérides são quebrados em AGL e são liberados na circulação sanguínea. Os 
ácidos graxos livres circulantes se depositam principalmente no fígado e músculo esquelético, onde exercem sua 
lipotoxicidade. A lipotoxicidade é capaz de induzir a uma resistência insulínica nesses dois locais. A lipotoxicidade no 
fígado estimula a secreção excessiva de VLDL, causando aumento ainda maior dos triglicérides e diminuição do HDL , 
caracterizando a dislipidemia. Sem a ação da insulina nos hepatócitos, esses realizam a gliconeogênese, que somado 
à resistência insulina periférica devido à inflamação sistêmica, culmina na hiperglicemia. Os ácidos graxos livres 
também são capazes de atuar no pâncreas,