LACAN, Jacques. O seminário. Problemas cruciais para a psicanálise (1964 65)
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LACAN, Jacques. O seminário. Problemas cruciais para a psicanálise (1964 65)

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Jacques Lacan

;)blemas Cruciais
para a

Í Psicanálise
Seminário 1964 -1965

PUBLICAÇÃO PARA
CIRCULAÇÃO INTERNA

Problemas cruciais
para a

psicanálise

Jacques Lacan

Problemas cruciais
para a psicanálise

Seminário 1964-1965

PUBLICAÇÃO NÃO COMERCIAL
EXCLUSIVAPARAOS MEMBROS

DO CENTRO DE ESTUDOS
FREUDIANOS DO RECIFE

Recife, outubro de 2006

Tíiylti do Original;
1'rtthlèmes cruciaux pour Ia psychanalyse

l'itl)li( íi^iio imerna da Association lacanienne Internationale
i.VipyrightA? hy Jucques Lacan

'IViulutorcs:
< 'íílUflitl /*Í:'/H(>.V
t 't»KYÍç'(íu Beltrão Fleig
l>iui'iin'n de Andrade Lima Araújo
IrttKi í Víc'ar.v
Ivan Corrêa

íjsticiu P. Fonseca
Lftit Alherto Tavares

M&quot; Amélia Lym
M11 Auxiliadora Fernandes

Mu Lúcia de Queiroz Santos
Mário Fleig

Nina Virgínia Araújo Leite

Revisores:
fírrttrd Leloup
Francisco Settíneri
Islícia P, Fonseca

/W&quot; Lúcia Lima de Queiroz Santos

Revisão de Editoração:
M&quot; Emílio de Carvalho Lapa

do pmjfto ilc trad«ç5í> c

Aviso ao leitor

Esta tradução é efeito de transferência de trabalho inter
institucional, em lugares onde o ensino de Lacan se pro-

cessa e se desdobra. Tem por objetivo principal fornecer
subsídios para o estudo, a partir da leitura textual da obra

de Jacques Lacan,

Reconhecendo a importância de preservar o estilo c a
subjetividade do autor, os tradutores e revisores procura-

ram manterem -se fie is à letra, evitando qualquer elucidação
que pudesse induzir o leitor. Assim, os mistérios foram su-

portados e os enigmas passados adiante, deixando-se ao
leitor o direito de saboreá-los.

Realizada inicialmente a partir das notas estenografadus
dos seminários de Lacan e, a seguir, cotejada pelo texto

estabelecido pela Association Lacanienne Internationale,
esta tradução destina-se ao uso exclusivo dos participan-

tes do Centro de Estudos Freudianos do Recife, não tendo
qualquer finalidade comercial,

Agradecendo a todos que colaboraram cono.icu tor-
nando possível esta edição, fica. aqui um convite àqiiclc.f
que queiram levar adiante este projeto, através ilc su-

gestões ou correções, que serão sempre bem-vindas, Jit-
zendo circular a palavra, de Lacan.

Lfticia P. Fonseca

Nota liminar à edição francesa

Tenho que agradecer inicialmente, aqui, ao Sr. Michel Roussan

que me permitiu utilizar seu próprio trabalho para a presente

edição desse seminário.

Há muitos anos Lacan era o objeto de negociatas por parte da
I.P.A., junto a um certo número de alunos seus, parafazè-lo se

calar. O apoio que lhe fora trazido no imo precedente por várias
personalidades para obter-lhe a sala de conferência da Escola

Normal Superior foi ao mesmo tempo um reconforto e um estímu-
lo. Mas no início desse novo ano uma certa lassidão o tinha afe-
tado. Jakobson, a quem ele participava seus embaraços, lhe ti-

nha respondido: &quot;Quando tu não sabes o que fazer intitulas teu
curso problemas fundamentais &quot;,

É o que vale para nós o título, Problemas Cruciais. Sem dúvida
é também o que explica que haja poucas novidades nesse seminá-
rio, a garrafa de Klein vindo aí renovar apenas muito pouco os

apoios tomados precedentemente por Lacan sobre diversas figu-
ras topológicas. Mas, o grande talento de Lacan em variar a

apresentação de temas já elaborados do», facilmente, a impres-
são da novidade.

Resta o tema no qual ele tinha pensado, as posições suhjeti-
vas, e. ao qual ele renunciou; ele é tratado parcialmente nus últi-

mas lições do seminário.

C.D.

Sumário

Lição I 2dezembro 1964 li
LiçãoII 9dezembro 1964 23
Lição III lódezembro 1964 41

Lição IV ójaneiro 1965 59
Lição V 13 janeiro 1965 79
Lição VI 20janeiro 1965 97
Lição VII 27 janeiro 1965 seminário fechado 113
Lição VIII 3 fevereiro 1965 137

Lição IX 24 fevereiro 1965 seminário fechado 157
Lição X 3 março 1965 177

Lição XI l O março 1965 193
Lição XII 17março 1965 211
Lição XIII24 março 1965 seminário fechado 227
Lição XIV 31 março 1965 257
LiçãoXV 7abril 1965 281

Lição XVI 28 abril 1965 seminário fechado 297
Lição XVII5 maio 1965 325

Lição XVID 12maiol965 337
Lição XDC 19 maio 1965 349
Lição XX 26 maio 1965 seminário fechado 361
Lição XXI 2 junho 1965 385

Lição XXII 9junho 1965 401
Lição XXIII 16junhol965 417
Lição XXIV 23 junho 1965 seminário fechado 433

Bibliografia ... ... 457

LIÇÃO I
2 de dezembro de 1964

&quot;Colorless green icleas s/eepfuriously
Fitríously sleep ideas green colorless &quot;

&quot;Songe, songe céphise. à celie nuit cruelle,
Qiiifut pour tout un peuple une nuit éíernelle

Se eu não estivesse diante de um auditório francófono, poderia imediatamente
emitir: &quot;Eis aí o que se chama de falar!&quot;, mas acontece que devo supor que, apesar
da evidente necessidade do bilingiiismo em nossa cultura, há algumas pessoas aqui

que não compreendem absolutamente o inglês. Eu darei uma equivalência disso,
palavra por palavra. A primeira palavra quer dizer &quot;sem cor&quot;, a segunda palavra,

&quot;verde&quot;, a terceira palavra, &quot;ideias&quot; no plural, a quarta quer dizer &quot;sono&quot;, pode querer
dizer &quot;dormir&quot;, com a condição de se colocar o to antes, e pode querer dizer &quot;dor-

mem&quot; na terceira pessoa do plural do indicativo presente; vocês verão por quê é o
sentido ao qual nos deteremos. A natureza do indefinido em inglês, que não se ex-
prime absolutamente, permite então traduzir até aqui, palavra por palavra: &quot;Ideias

verdes incolores dormem&quot;, ao que se acrescenta isso que evidentemente é um ad-
vérbio, em razão de sua terminação: &quot;furiosamente&quot;.

Eu disse: &quot;Eis o que se chama de falar&quot;. É exatamente falar? Como saber? É
precisamente pelo saber que foi forjada essa... cadeia significante \u2014 rnal ouso dizer

&quot;frase&quot;. Ela foi forjada por um lingiíista chamado Moam Chomsky, Esse exemplo
está citado, introduzido numa pequena obra que se chama Syntatic Strucntres-1,

puhl içado pela Mouton, em La Haye, De que se trata? De estruturalismo, creiam em
minha palavra, e de estrutura sintática, de sintaxe. Isso mereceria imediatamente um

contentado mais preciso. Eu não faço senão indicá-lo.
A .sintaxe, numa perspectiva estruturalista, é para se situar num nível preciso,

i|W <1i;immvinos de formalização, por um lado, e, por outro, referindo-se ao sintag-
niii. () siniagnui é a cadeia significante considerada naquilo que se refere à junção

\u2022Sc «m», elementos. Synuirtic Utritcturex consiste em formalizar essas ligações. Todas

Os Problemas Cruciais da Psicanálise

as ligações entre esses elementos serão equivalentes? Em outros termos, qualquer
signifieante pode ser imediatamente contíguo a qualquer significante? Salta aos
olhos que a resposta pende, sobretudo, para a negativa, pelo menos quanto ao que
concerne a certo uso dessa cadeia significante, seu uso, digamos, no discurso. Esse
exemplo acha-se no início da obra em questão. Ele introduz alguma coisa que é para
se distinguir do fim desse trabalho, a saber, a constituição, ou o início, o esboço de

um raciocínio sobre a estrutura sintática; ele introduz uma noção que convém dis-
tinguir daquela da gramática.

Ele introduz sua proposta, Syntatic Structures, especificando-a como tendo um
fim: como estabelecer a formalização, os signos algébricos, digamos, para ilustrar
logo para vocês o que está em questão, que permitirão produzir, na língua inglesa,

tudo o que é gramatical, e de impedir que se produza uma cadeia que não o seja?
N5o posso me antecipar aqui a julgar o que obtém o autor de uma tal empreitada; o

que posso indicar é que, nas condições particulares que lhe oferece essa língua
positiva que é a língua inglesa, quero dizer a língua, tal como se fala, não se trata de

extrair a lógica da língua inglesa, trata-se, de alguma fornia, de algo que poderia ser
montado, em nossos dias, pelo menos, numa máquina eletrônica, e que só pudes-

sem sair dela frases gramaticalmente correias e, ambição maior, todas as formas