Aula 2 - Curso de Informativos
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Aula 2 - Curso de Informativos

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AULA 2 \u2013 CURSO DE INFORMATIVOS - CPIURIS
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CP IURIS \u2013 Jaylton Lopes \u2013 Direito Civil, Consumidor e Processo Civil
PROCESSO CIVIL
Intimação por oficial de justiça, carta rogatória, precatória ou de ordem. Prazo recursal. Início do cômputo. Data da juntada aos autos. - Nos casos de intimação/citação realizadas por correio, oficial de justiça, ou por carta de ordem, precatória ou rogatória, o prazo recursal inicia-se com a juntada aos autos do aviso de recebimento, do mandado cumprido, ou da juntada da carta. (STJ, INF 604 - REsp 1.632.777-SP).

Quando se inicia o prazo recursal?
O prazo recursal será contado da citação, intimação ou notificação:

Art. 230. O prazo para a parte, o procurador, a Advocacia Pública, a Defensoria Pública e o Ministério Público será contado da citação, da intimação ou da notificação.

Sendo a intimação/citação por correio, oficial de justiça, ou por carta de ordem, precatória ou rogatória, o prazo recursal inicia-se com a juntada aos autos do aviso de recebimento, do mandado cumprido ou da juntada da carta.

Confira os dispositivos legais:

Art. 231. Salvo disposição em sentido diverso, considera-se dia do começo do prazo:
I - a data de juntada aos autos do aviso de recebimento, quando a citação ou a intimação for pelo correio;
II - a data de juntada aos autos do mandado cumprido, quando a citação ou a intimação for por oficial de justiça;
(...) VI - a data de juntada do comunicado de que trata o art. 232 ou, não havendo esse, a data de juntada da carta aos autos de origem devidamente cumprida, quando a citação ou a intimação se realizar em cumprimento de carta;
Art. 232. Nos atos de comunicação por carta precatória, rogatória ou de ordem, a realização da citação ou da intimação será imediatamente informada, por meio eletrônico, pelo juiz deprecado ao juiz deprecante.

Verifica-se, portanto, que havendo a intimação por correios, pessoal, ou por carta, o prazo recursal inicia-se da juntada aos autos.

INFORMATIVO 604 - Ação monitória. Cédula rural pignoratícia e hipotecária. Embargos. Securitização da dívida. Matéria de defesa. Reconvenção. Desnecessidade. - O pedido de alongamento da dívida originada de crédito rural pode ser feito em sede de embargos à monitória ou contestação, independentemente de reconvenção. (STJ,INF 604 - REsp 1.531.676-MG).

O pedido de alongamento da dívida originada de crédito rural pode ser feito em sede de embargos à monitória ou contestação, independentemente de reconvenção. O preenchimento dos requisitos legais para a securitização da dívida originada de crédito rural (ou alongamento) constitui matéria de defesa do devedor, passível de ser alegada em embargos à monitória ou contestação, independentemente de reconvenção.

Direito subjetivo à securitização (alongamento) da dívida (Súmula 298, STJ).
Súmula 298 - \u201cO alongamento de dívida originada de crédito rural não constitui faculdade da instituição financeira, mas, direito do devedor nos termos da lei\u201d.

Imagine a seguinte situação hipotética:

João é devedor de uma quantia representada por meio de cédula de crédito rural.

A cédula de crédito rural é um título executivo extrajudicial. Assim, o credor poderá ingressar com execução contra o devedor em caso de inadimplemento.

Na situação concreta, contudo, havia algumas falhas formais na cédula de crédito rural. Em virtude disso, o banco credor preferiu ingressar com uma ação monitória contra João cobrando a dívida que estava em atraso.

 Relembrando o que é uma ação monitória

Ação monitória é um procedimento especial, previsto no CPC, por meio do qual o credor exige do devedor o pagamento de soma em dinheiro ou a entrega de coisa com base em prova escrita que não tenha eficácia de título executivo.

Ex1: ação monitória para cobrança de cheque prescrito.

Ex2: ação monitória para cobrança de valores baseados em contrato bancário de abertura de conta corrente.

O cheque prescrito e o contrato bancário de abertura de conta são provas escritas do débito, mas que não se constituem em título executivo.

Se o credor tem título executivo, pode ingressar desde logo com a execução.

Se o credor não tem nenhuma prova documental, só lhe resta a ação de cobrança.

Se o credor tem prova escrita que não goza de eficácia de título executivo: cabe ação monitória.

Posturas do juiz diante de uma ação monitória proposta

Diante da propositura de uma ação monitória, o juiz poderá adotar uma das seguintes condutas:

Determinar a emenda da petição inicial;

Receber a petição inicial como procedimento ordinário;

c) Indeferir a petição inicial;

Aceitar a monitória: neste caso, ele reconhece evidente o direito do autor e manda expedir um mandado monitório para que o réu pague a dívida, entregue a coisa ou execute a obrigação combinada no prazo de 15 dias. Aqui o magistrado faz um mero juízo de delibação.

Imaginemos que, em nosso exemplo, o juiz aceitou a monitória e determinou a expedição de mandado monitório. O réu (João) foi, então, citado.

Posturas do réu

O réu citado poderá assumir uma das seguintes posturas:

a) Cumprir a obrigação.

b) Não pagar nem se defender.

Defender-se. A defesa na ação monitória é denominada de \u201cembargos à ação monitória\u201d (art. 702 do CPC).

Qual é a natureza jurídica dos \u201cembargos à ação monitória\u201d?

Os embargos apresentados na ação monitória pelo réu não possuem natureza de ação \u2013 como ocorre em relação aos embargos do devedor na execução \u2013, mas sim natureza de contestação. Dessa forma, nos embargos à ação monitória o réu poderá apresentar ampla defesa, sem restrições quanto à matéria.

Além de apresentar os embargos, o réu poderá oferecer reconvenção?

SIM. Na ação monitória admite-se a reconvenção.

Vamos abrir agora um parêntese para tratar sobre a \u201csecuritização da dívida rural\u201d

Entre os anos de 1994 e 1995, os produtores rurais contraíram enormes dívidas com os bancos devido à queda dos preços dos produtos ocasionada pela política econômica e monetária adotada à época (implantação do Plano Real), com maior abertura comercial às importações, além da frustração das safras, por fatores adversos.

Diante desse cenário, o Governo Federal, por intermédio da Lei nº 9.138/95 (modificada posteriormente pelas Leis 9.866/99, 10.437/2002, 11.322/2006 e 11.775/2008), implementou um programa de securitização de dívidas oriundas de operações rurais, propiciando a renegociação dos débitos em condições mais favoráveis do que aquelas usualmente praticadas pelo mercado financeiro.

Dado o caráter protetivo da norma e sua evidente função de incentivo ao setor agrícola, consolidou-se no STJ o entendimento de que a securitização da dívida originada de crédito rural (ou \u201calongamento\u201d), quando satisfeitos os requisitos legais, não constitui uma mera faculdade da instituição financeira, mas direito subjetivo do devedor, nos termos da Súmula 298/STJ:

Súmula 298-STJ: O alongamento de dívida originada de crédito rural não constitui faculdade da instituição financeira, mas, direito do devedor nos termos da lei.

Assim, o devedor rural que pretenda regularizar seu débito pode, por sua própria iniciativa e independentemente de prévio pedido administrativo, acionar o Poder Judiciário para que o Banco credor seja obrigado a fazer o alongamento da dívida.

Voltando ao exemplo:

João apresentou embargos à monitória pedindo a securitização da dívida rural, ou seja, a sua renegociação com o alongamento dos prazos.

O banco contra argumentou afirmando que essa matéria não poderia ser alegada em sede de embargos à ação monitória. Segundo alegou a instituição financeira, o pedido do réu deveria ter sido veiculado em reconvenção.

O argumento do banco deverá ser aceito? NÃO.

Dessa forma, não há que se exigir do devedor a apresentação de reconvenção, bastando que provoque o juiz, no bojo dos próprios embargos à monitória ou contestação, a examinar os pressupostos legais para a securitização da dívida rural, que,