Guia   Distúrbios Ácido Básicos
11 pág.

Guia Distúrbios Ácido Básicos


DisciplinaPediatria I4.459 materiais41.901 seguidores
Pré-visualização5 páginas
Dis-
túrbio 
primá-
rio
Dis-
túrbio 
misto
ALC 
RESP 
e 
AC 
MET
AC 
MET 
SIM-
PLES
AC 
RESP 
e 
AC 
MET
AC 
RESP 
e 
AC 
MET
AC 
RESP 
SIM-
PLES
AC 
RESP 
e 
ALC 
MET
ALC 
MET 
e 
ALC 
RESP
ALC 
MET 
SIM-
PLES
ALC 
MET 
e
AC 
RESP
ALC 
RESP 
e 
AC 
MET
ALC 
RESP 
SIM-
PLES
ALC 
RESP 
e 
ALC 
MET
LEGENDA: AC RESP: ACIDOSE RESPIRATÓRIA; ALC RESP: ALCALOSE RESPIRATÓRIA; AC MET: ACIDOSE METABÓLICA; ALC MET: ALCALOSE METABÓLICA 
Distúrbios Acidobásicos
4
ACIDOSE RESPIRATÓRIA
DEFINIÇÃO Diminuição do pH em resposta à retenção de CO2
EVENTO AGUDO
Aumenta a ligação de [H+] com albumina e aumento no bicarbonato sérico; 
troca de [H+] por Na+ e K+ aumentando o bicarbonato no fluido extracelular; o 
H+ liga-se à Hb e o bicarbonato é liberado das hemácias para o plasma
EVENTO CRÔNICO Aumento da excreção renal de [ H+] e maior reabsorção de bicarbonato
CAUSAS
doenças das vias aéreas superiores
doenças das vias aéreas inferiores
doenças da parede torácica
doenças do sistema nervoso central e 
neuromusculares
depressão respiratória por medicamentos
obesidade extrema
Ex: edema de glote
Ex: pneumonia
Ex fraturas de costelas
Ex: síndrome de Guillain-Barré
Ex: sedativos/narcóticos
Ex: síndrome de Prader-Willi
CLÍNICA 
(DEPENDE DA 
GRAVIDADE E DA 
CRONICIDADE)
Manifestações neurológicas (cefaleia, tremor, embaçamento da visão, 
sonolência, confusão mental, hipertensão intracraniana, coma)
Taquipneia ou bradipneia
Hipertensão pulmonar
Aumento do Débito Cardíaco (DC)
Arritmias cardíacas
Aumento discreto de P-- e K+
Diminuição do lactato e Na+
Aumento do HCO3
-
Diminuição de Cl-
TRATAMENTO
Tratar a causa básica e melhorar a ventilação alveolar 
(VA= volume minuto \u2013 volume do espaço morto anatômico e fisiológico)
Se houver doença pulmonar obstrutiva crônica é preciso cautela na oferta 
de O2, pois o centro respiratório é estimulado pela PaO2. E nesses pacientes, 
também não se pode diminuir a pCO2 >10 mmHg/hora.
ACIDOSE RESPIRATÓRIA
História de doença pulmonar crônica?
SIM NÃO
SIM NÃO SIMNÃO
Var HCO3
-=0,35 x Var PaCO2?
Var HCO3
-<0,35 x Var PaCO2? Var HCO3
->0,35 x Var PaCO2?
Var HCO 3
-<0,1 x Var PaCO2? Var HCO 3
->0,1 x Var PaCO2?
Var HCO 3
-=0,1 x Var PaCO2?
AC RESP CRÔNICA
AC RESP AGUDA E CRÔNICA
OU
AC RESP CRÔNICA ASSOCIADA A AC MET
AC RESP CRÔNICA
ASSOCIADA
A ALC MET
AC RESP
AGUDA
ASSOCIADA
A AC MET
AC RESP
AGUDA
ASSOCIADA
A ALC MET
AC RESP AGUDA
Departamento Científico de Terapia Intensiva \u2022 Sociedade Brasileira de Pediatria
5
ALCALOSE RESPIRATÓRIA
DEFINIÇÃO Aumento do pH secundário à diminuição de CO2. É o distúrbio acidobásico mais comum, pois é gerado por qualquer mecanismo que aumente a FR.
EVENTO AGUDO
Há diminuição na tensão do CO2 plasmático e nas hemácias. A albumina e 
outros tampões secretam [H+] para diminuir o bicarbonato. O bicarbonato 
plasmático entra nas hemácias por troca com Cl-
EVENTO CRÔNICO diminui a reabsorção de bicarbonato e aumenta sua excreção renal
CAUSAS
hiperventilação mediada por hipoxemia
hiperventilação mediada por alterações no 
sistema nervoso central
pulmonar
hepática
farmacológica
outras
Ex: anemia grave
Ex: hiperventilação psicogênica
Ex: embolia
Ex: encefalopatia
Ex: ingestão desalicilato
Ex: febre, dor
CLÍNICA 
(DEPENDE DA 
GRAVIDADE E DA 
CRONICIDADE)
Tonturas
Câimbras
Espasmos musculares
Sinais de hipocalcemia
Síncope
TRATAMENTO
Tratar a causa básica
Nos casos de hiperventilação psicogênica e afastada causas graves de 
alcalose respiratória, pode se utilizar a técnica de colocar o paciente para 
respirar dentro de um saco de papel.
ALCALOSE RESPIRATÓRIA
História campatível com alcalose respiratória crônica?
SIM NÃO
SIM NÃO SIMNÃO
Var HCO3
-:0,2 x Var PaCO2?
Var HCO3
-<0,2 x Var PaCO2? Var HCO3
->0,2 x Var PacCO2? Var HCO3
-<0,5 x Var PaCO2? Var HCO3
->0,5 x Var PaCO2?
Var HCO3
-:0,5 x Var PaCO2?
AC RESP AGUDA
ALC RESP AGUDA
ASSOCIADA
A ALC MET
AC RESP AGUDA
ASSOCIADA
A AC MET
ALC RESP CRÔNICA
ASSOCIADA
A ALC MET
AC RESP CRÔNICA
ASSOCIADA
A AC MET
AC RESP CRÔNICA
Distúrbios Acidobásicos
6
ACIDOSE METABÓLICA
DEFINIÇÃO
Aumento na concentração do [H+], diminuição do pH e diminuição do HCO3
., 
embora durante a alcalose respiratória ocorra também diminuição do HCO3
.
FISIOPATOLOGIA 
E RESPOSTA 
AO EVENTO 
DESENCADEANTE
Para manter o balanço acidobásico, o [H+] é tamponado pelo HCO3 
extracelular (EC), pelas proteínas e sulfatos no meio intracelular (IC) e pela 
excreção ácida renal. Uma das maneiras de se avaliar o sistema tampão 
HCO3
- no compartimento IC é pela medida da PaCO2 venosa que reflete a 
PaCO2 no leito capilar e no IC (normalmente a PaCO2 venosa é 6 a 8 mmHg 
maior que a arterial). 
Quando há acidose, inicia-se na primeira hora, a compensação respiratória 
com a diminuição da PaCO2 chegando ao máximo em 12-24 horas. Após 3 
a 5 dias, inicia-se então a compensação renal com aumento na absorção do 
HCO3
- no túbulo contornado proximal (TCP) e aumento na excreção de ácidos 
(H+, H2PO4, NH4). 
Mantida a acidose metabólica (AM), a curva de dissociação da oxiHb desvia-
se para direita (não liberação de O2 para os tecidos), diminui a contratilidade 
miocárdica, diminui o débito cardíaco (DC), há saída do K+ para o espaço 
extra-celular, diminui a resposta às catecolaminas, altera o estado mental, 
altera a função imune e diminui a resposta à insulina. Isso pode resultar em 
um distúrbio simples: diminuição de HCO3
. e diminuição esperada na PaCO2 
ou distúrbio misto: AM associada a acidose ou alcalose respiratórias, por 
inadequada compensação. 
ACIDOSE 
METABÓLICA E: 
3 ÂNION GAP 
(AG) 
3 RAZÃO +\u394 
(AG)/-\u394 HCO3
Uma vez determinada a presença de acidose metabólica, calcula-se o AG que 
traduz a avaliação dos ânions não mensuráveis, auxiliando na interpretação 
do DAB, direcionando para prováveis causas e para melhor terapêutica: 
AG = Na+ - (Cl+ + HCO3
-) \u2013 normal: 8 a 16 mEq/L. Se AG >16, primariamente 
há AM, independente do pH e do HCO3. Em casos de hipoalbuminemia, a 
diminuição de 1 g/dl, reduz 2,3 a 2,5 mEq/L no AG. Então, corrige-se o AG 
(Fórmula de Figge):
 AGajustado: AGobs + (2,5 + [albnormal \u2013 albobs]).
Geralmente, na AM com AG elevado, a redução do HCO3
- é equivalente 
teoricamente, ao aumento nos ânions não mesuráveis. Desta forma: a razão 
+\u394 (AG)/-\u394 HCO3
- = 0,8 a 1,2. Razão +\u394 (AG)/-\u394 HCO3
. entre 1 e 2, traduz 
AM com AG elevado, não complicada. Se a razão < 0,4: sugere AM com AG 
normal, hiperclorêmica. Se entre 0,4 a 0,8: sugere AM com AG elevado 
combinada com AM com AG normal (ex: AM associada a insuficiência renal). 
Se \u22652: sugere AM associada a alcalose metabólica ou AM associada a acidose 
respiratória crônica. 
ACIDOSE 
METABÓLICA E GAP 
OSMOLAR
Gap osmolar é a diferença entre a osmolalidade real e a osmolalidade 
estimada: 2 x Na + glicemia/18 + ureia/6 (fórmula de Weisberg). 
Importante nos casos de suspeita de intoxicação alcoólica ou pelo metanol, 
etilenoglicol, propilenoglicol. Valor geralmente <15 mOsm/Kg H2O. Valores 
acima de 15 mOsm/Kg indica necessidade de análise das substâncias 
no sangue e urina. Também se eleva na CAD, infusão intravenosa (IV) 
de manitol, no choque grave, na acidose lática e na hiperlipidemia. Na 
intoxicação por salicilatos, o gap osmolar pode ser normal.
ACIDOSE 
METABÓLICA E AG 
URINÁRIO
Normalmente, os principais íons na urina são Na+, K+ e NH4
+ e os ânions, 
Cl- e HCO3
-. Em casos de AM com AG normal, o AG urinário pode ser útil 
para detectar impedimento de excreção renal de NH4
+. AGurinário = Na+ + 
K+- Cl- (na urina). Valor negativo representa excreção