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A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL

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A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
 
PRETTO, Débora1 
ORIENTADOR, Professor2 
Resumo 
As experiências dos primeiros anos de vida de uma criança definem como será o 
adulto do futuro. É na infância que o indivíduo começa a descobrir o mundo, a 
construir relações sociais e a moldar sua personalidade. Nesse processo, o ato de 
brincar tem papel fundamental, por isso, o estudo apresentado neste artigo foi 
desenvolvido com o intuito de avaliar a importância do brincar na educação infantil, 
buscando identificar os benefícios da prática para o desenvolvimento das crianças. 
Para tanto, fez-se uso da metodologia de revisão bibliográfica, buscando-se em 
plataformas digitais, estudos que tratassem do tema e pudessem contribuir com a 
discussão proposta. A investigação permitiu concluir que, de fato, o brincar é 
indispensável na educação infantil, pois as brincadeiras beneficiam o 
desenvolvimento social, físico, cognitivo e emocional, além de fomentar a 
imaginação e a criatividade das crianças. Por outro lado, identificou-se que alguns 
professores ainda não conseguem perceber a brincadeira como uma ferramenta de 
desenvolvimento infantil, tratando a hora de brincar das escolas, simplesmente como 
um momento de lazer e distração dos alunos. Assim sendo, concluiu-se que o 
brincar traz inúmeros benefícios para as crianças, principalmente nos seus primeiros 
seis anos de vida, sendo fundamental a formação continuada e treinamento de 
professores da pré-escola, para que os mesmos utilizem as brincadeiras a seu favor, 
e as tornem, de fato, mediadoras do aprendizado e do crescimento físico e 
intelectual das crianças. 
 
Palavras-chave: Desenvolvimento infantil. Educação Infantil. Brincar. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
As vivências da infância de um indivíduo marcam sua trajetória, e as 
brincadeiras têm papel fundamental no desenvolvimento pessoal. O brincar é algo 
natural da criança, podendo ser entendido como uma forma particular de descobrir o 
mundo, refletir sobre ele, e entender-se como parte de uma realidade (DALLABONA; 
MENDES, 2004). 
 
1 Aluna do curso de Segunda Licenciatura em Pedagogia do Centro Universitário Internacional 
UNINTER. Relatório apresentado como Trabalho de Conclusão de Curso. 1º semestre – 2019. 
2 Professor orientador no Centro Universitário Internacional UNINTER. 
2 
 
O espaço e o tempo para a brincadeira são elencados como itens básicos 
determinantes para o crescimento físico e emocional saudável, de acordo com 
pesquisa da Universidade de NotreDame (PEREIRA, 2017), ou seja, o ato de brincar 
é indispensável para que se tenha qualidade de vida ao longo dos anos. 
Teixeira e Volpini (2014) enfatizam que é durante a infância que a criança 
inicia sua interação com o mundo, sendo que boa parte desta interação que gera, 
por consequência, o aprendizado, acontece por meio das brincadeiras. Os mesmos 
autores ainda relembram o conhecido dito popular de que “se aprende brincando”, 
demonstrando a relação intrínseca que existe entre a educação e o brincar. 
 Nesse contexto, o estudo apresentado neste artigo foi desenvolvido com o 
objetivo geral de avaliar a importância do ato de brincar para as crianças nos 
primeiros anos escolares, buscando identificar os benefícios das brincadeiras, bem 
como discutir sua relação com o aprendizado e o desenvolvimento de aspectos 
físicos e psicológicos. 
 Embora seja um tema bastante discutido na psicologia e na pedagogia, dada 
a importância do mesmo, investigar os benefícios e a importância de a criança 
brincar durante o período da educação infantil mostra-se pertinente, pois a pesquisa 
permitirá o aprofundamento no tema, trazendo reflexões e perspectivas para 
professores de educação infantil, pois estudar sobre o brincar pode trazer 
contribuições a respeito do entendimento de cada criança, em diferentes contextos 
sociais, como enfatiza Nunes (2002). 
 Para alcançar os objetivos supracitados, o artigo foi estruturado em quatro 
tópicos principais: a fundamentação teórica, que apresenta a contextualização de 
temas relacionada ao assunto pesquisado, fornecendo embasamento teórico para 
as discussões; a metodologia, que relata o roteiro de construção da pesquisa; os 
resultados e discussões, parte principal do artigo, onde apresentam-se as 
informações pertinentes e os dados científicos relacionados ao assunto e, por fim, 
tem-se as considerações finais, que realizam o fechamento e apontam as principais 
conclusões obtidas com a pesquisa. 
 
 
 
 
 
3 
 
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
 
 
2.1 EDUCAÇÃO INFANTIL: CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA 
 
 
A história da educação infantil mistura-se com o contexto histórico, social e 
cultural. Por muitas décadas, as crianças eram tratadas como adultos, 
diferenciando-se deles apenas pelo tamanho e pela força, sendo que a infância não 
era tratada como um período de fragilidade (NEVES, 2019). 
Esta percepção sobre a infância começou a mudar somente em meados do 
século XX e, no Brasil, as primeiras atividades voltadas à educação infantil foram 
influenciadas pelo desejo de modernizar o país seguindo os moldes europeus. Tal 
anseio fez com que a elite social, composta por médicos, juristas e intelectuais, 
inspirados nas novas ideias pedagógicas do primeiro mundo, passassem a ver a 
infância como um problema social, sobretudo entre os mais pobres. A solução deste 
problema, por sua vez, era considerada fundamental para o desenvolvimento do 
país, pois assim acreditava-se que era possível construir uma nação culta, moderna 
e civilizada (NASCIMENTO, 2015; UJIIE; PIETROBON, 2008). 
Kuhlmann Jr (2000, apud UJIIE; PIETROBON, 2008) indica que a ideia 
principal, dentro dos princípios pedagógicos europeus, era o de preservar a infância, 
o que desencadeou a construção de projetos com foco nas crianças, que passaram 
a ser tratadas como promessas para o futuro. 
Com esse pensamento, instituições nacionais e internacionais, como o 
Departamento Nacional da Criança, UNICEF e UNESCO, elaboraram políticas para 
a educação e infância, voltadas sobretudo para áreas educacionais de saúde, 
assistência e previdência social (NOGUEIRA, 2011). 
Neves (2019) ressalta que, apesar dos esforços, a educação infantil que se 
via na sociedade brasileira era elitizada: apenas crianças pertencentes às classes 
mais altas eras assistidas em instituições particulares. Esse cenário perdurou até 
1988, quando em virtude da pressão popular, a educação e as pré-escolas foram 
reconhecidas como um dever do Estado, assegurado pela nova Constituição 
Federal, em seu artigo 205: 
A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será provida e 
incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno 
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e a 
sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 1988). 
4 
 
A educação infantil, hoje, após inúmeras discussões, conta com a Lei de 
Diretrizes e Bases – LDB, e o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, que de 
acordo com Oliveira (2008) e Silva (2013), permitem que a criança receba 
acolhimento, segurança, desenvolvasua sensibilidade, suas habilidades sociais e 
expressões, possibilitando o desenvolvimento pleno do indivíduo em aspectos 
físicos, psicológicos, intelectuais e sociais. 
 
2.2 O QUE É BRINCAR? 
 
 
Divertir, aproveitar, jogar e imaginar podem ser considerados sinônimos de 
brincar. O ato de brincar é intrínseco à criança, porém, não se caracteriza como um 
simples passatempo ou distração: de acordo com Rodrigues (2009), ao brincar, a 
criança estimula sua imaginação, e a realidade e fantasia interagem, promovendo 
novas experiências e novas formas

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