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Apostila de Direito de Família   Parte II   54 páginas

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de família e o dos seus filhos; 
• grave dano reconhecido judicialmente. 
 
Profª Maria Cremilda Silva Fernandes 
Especialista em Direito Privado 
 
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Quadro síntese dos prazos para separação judicial consensual, litigiosa e divórcio 
Separação judicial 
consensual 
Após um ano da celebração do casamento, por ambos os cônjuges 
Separação 
judicial 
litigiosa 
motivada A qualquer tempo, por qualquer um dos cônjuges, desde que prove 
conduta desonrosa ou falta a dever conjugal por parte do outro. 
Separação 
judicial 
litigiosa 
imotivada Por qualquer um dos cônjuges, sem a necessidade de apresentar 
qualquer motivo, desde que prove a separação de fato há pelo 
menos um ano e a impossibilidade de recompor o lar, ou dois anos 
de doença mental grave do outro, tornando a vida insuportável. 
Divórcio Direto Após dois anos de separação de fato, por qualquer um dos 
cônjuges, ou após um ano da decisão concessiva de medida 
cautelar de separação de corpos. 
Divórcio Indireto Por qualquer um dos cônjuges, por conversão da separação judicial 
que tenha ocorrido há pelo menos um ano, contado do trânsito da 
sentença da separação. 
 
 
QUADRO RESUMO 
 
Separação 
judicial 
 
Finalidades 
- dissolver a sociedade conjugal, sem romper o 
vínculo matrimonial, o que impede que os 
consortes convolem novas núpcias. 
- Constituir-se como uma medida preparatória do 
divórcio. 
 
Separação 
judicial 
 
Espécies (lei n.º 
6.515/77, arts. 4º, 5º e 
39) 
Separação consensual ou por mútuo consenso 
dos cônjuges casados há mais de 1 ano (CC, arts. 
1.574); 
Separação litigiosa ou não-consensual, 
efetivada por iniciativa de vontade unilateral de 
qualquer um dos cônjuges ante as causas legais. 
 
 
Separação 
judicial 
 
 
Separação consensual 
- Procedimento (CPC, arts. 1.120 a 1.124; Lei n.º 
6.515/;77, art. 34, §§ 1º , 3º e 4º; arts. 4º, 9º 10, 15, 
20, 22; Lei n. 6.015/73, arts. 101, 167, II, n.14). 
- Eficácia jurídica só com a homologação judicial 
(Lei n. 6.515, art. 34, § 2º) por ser a separação 
consensual um ato judicial complexo, visto que a 
vontade dos cônjuges só produz efeito liberatório 
quando houver homologação do órgão judicante, 
que tem eficácia com a reconciliação (Lei n. 
6.515/77, art. 46; Lei n.º 6.015/73, art. 101; CC, art. 
1.574, parágrafo único). 
 
 
 
 
 
 
 
a) separação litigiosa como sanção 
(CC, arts. 1.572 e 1.573), que ocorre 
quando um dos cônjuges imputar ao outro 
qualquer ato que importe em grave 
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Especialista em Direito Privado 
 
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Separação 
judicial 
 
Separaçã
o litigiosa 
 
Modalidades 
violação dos deveres matrimoniais. 
b) Separação litigiosa como falência, 
que se dá quando um dos cônjuges 
provar a ruptura da vida em comum há 
mais de um ano consecutivo e a 
impossibilidade de sua reconstituição 
(CC, arts. 1.572, § 1º). 
c) Separação litigiosa como remédio, 
que se efetiva quando um cônjuge a pedir 
ante o fato de estar o outro acometido de 
grave doença mental, manifestada após o 
casamento, que impossibilite a 
continuação da vida em comum, desde 
que, após uma duração de 2 anos, a 
enfermidade tenha sido reconhecida de 
cura improvável (CC, arts. 1.572, § 2º). 
 
Separação 
judicial 
 
Separaçã
o litigiosa 
 
Procedimento 
- Pode ser precedida de separação de 
corpos (CC, art. 1.575); 
- Obedece a rito ordinário; 
- Foro competente é o do domicílio da 
mulher (Lei n.º 6.515. art. 52); 
Há possibilidade de reconciliação (Lei n.º 
6.515, art. 46, parágrafo único). 
 
 
 
 
 
Separação 
judicial 
 
 
 
 
 
Efeitos da 
separação 
judicial 
 
 
 
 
 
Efeitos pessoais 
em relação aos 
consortes 
- Pôr termo aos deveres recíprocos do 
casamento (CC, art. 1.576); 
- Impedir o cônjuge de continuar a usar o 
sobrenome do outro se declarado culpado 
na separação litigiosa, desde que isso 
seja requerido pelo cônjuge inocente e 
não se configure os casos do art. 1.578, I 
a III, do CC. Ao passo que na separação 
consensual tem opção de usar ou não o 
sobrenome de casado. 
- Impossibilitar realização de novo 
casamento; 
Autorizar a conversão em divórcio, 
cumprido 1 ano de vigência de separação 
judicial ou da decisão concessiva de 
separação de corpos; 
- Proibir que sentença de separação 
judicial de empresário ou ato de 
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reconciliação sejam opostos a terceiros 
antes de arquivados ou averbados no 
Registro Público de Empresas Mercantis 
(CC, art. 980). 
 
 
 
 
 
Separação 
judicial 
 
 
 
 
 
Efeitos da 
separação 
judicial 
 
 
 
 
 
Efeitos 
patrimoniais 
relativamente aos 
cônjuges 
- Por fim ao regime matrimonial de bens, 
sendo que a partilha será feita mediante 
proposta dos cônjuges, homologada pelo 
juiz (na separação consensual) ou por ele 
deliberada (na litigiosa); 
- Substituir o dever de sustento pela 
obrigação alimentar (Lei n.º 6.515, arts. 
19, 21, §§ 1º e 2º, 22, parágrafo único, 
23, 29 e 30; CC, arts. 1.701, 1700, 1.699, 
1.707, 1708 e 1709). 
Dar origem, se litigiosa a separação, à 
indenização por perdas e danos ante 
prejuízos morais ou patrimoniais sofridos 
pelo cônjuge inocente; 
- Suprimir direito sucessório entre os 
consortes em concorrência ou na falta de 
descendente e ascendente (CC, arts. 
1.829, 1.830 e 1.838); 
- Impedir que ex-cônjuge de empresário 
separado judicialmente exija desde logo a 
parte que lhe couber na quota social, 
permitindo que concorra à divisão 
periódica dos lucros, até que a sociedade 
se liquide (art. 1.027, CC); 
 
 
 
 
Efeitos quanto 
aos filhos 
- Não altera o vínculo de filiação; 
- Passa-os à guarda e companhia de um 
dos cônjuges, ou, se houver motivos 
graves, de terceiro. 
- Assegura ao genitor, que não tem a 
guarda da prole, o direito de visita, de tê-
la temporariamente em sua companhia 
nas férias e dias festivos e de fiscalizar 
sua manutenção e educação; 
- Garante aos filhos menores ou maiores 
inválidos pensão alimentícia; 
- Possibilita que ex-cônjuges separados 
judicialmente, adotem em conjunto 
criança, desde que preenchidos os 
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requisitos legais (CC, art. 1.622, 
parágrafo único). 
 
Divórcio Conceito É a dissolução do casamento válido, que se opera mediante 
sentença judicial, habilitando as pessoas a contrair novas 
núpcias. 
 
 
 
 
 
Divórcio 
 
 
 
 
 
Modalidades 
 
 
 
 
 
Divórcio 
indireto 
Divórcio consensual indireto ocorre quando um 
dos cônjuges com o consenso do outro pede a 
conversão da prévia separação judicial 
(consensual ou litigiosa) em divórcio (Lei n. 6.515, 
art. 35), desde que tal separação tenha mais de 1 
ano (CF, art. 226, § 6º, e CC, art. 1.580 e § 1º). 
Divórcio litigioso indireto, obtido mediante 
sentença judicial proferida em processo de 
jurisdição contenciosa ("tem por objetivo a 
composição e solução de um litígio."), em que um 
dos consortes, judicialmente separado há mais de 
1 ano, havendo recusa do outro, pede ao juiz que 
converta a separação judicial (consensual ou 
litigiosa) em divórcio; 
Procedimento: Lei n. 6.515, arts. 31, 35, parágrafo 
único, 47, 48, 37, §§ 1º e 2º, 36 e parágrafo único, 
I e II, 32; Lei n. 7.841/89, art. 2º; CPC, art. 82, II. 
Divórcio Modalidades Divórcio 
direto 
(CC, art. 
1.580) 
Divórcio consensual direto – decorre do mútuo 
consentimento dos cônjuges que se encontram 
separados de fato há mais de 2 anos (CF/88, art. 
226,