FUNDAMENTAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO PUBLICA - PARTE 1
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FUNDAMENTAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO PUBLICA - PARTE 1

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FUND. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Aula dia 16/08
O Direito Administrativo dá mais valor ao sentido subjetivo que ao sentido objetivo. Por esse motivo, a Administração Pública no Brasil adota o sentido subjetivo da palavra, uma vez que ela direciona sua preocupação nas pessoas, funcionários públicos no caso. Não importa quem se está prestando o serviço, mas sim, quem está o praticando.
\u2022 O que é o Direito Administrativo: é um ramo interno, uma vez que não se preocupa com as relações do Estado com o exterior. E é também um ramo do Direito Público, uma vez que o interesse da coletividade é o que prevalece.
\u2022 Objeto de estudo: a preocupação de estudo dentro do Direito adm. advém das escolas que tentaram abordar sobre tal assunto. Dentre elas, se destacou a Escola do Serviço Público, escola está francesa. Ela entendia que o direito adm. deveria estudar tudo o que fosse serviço público. Entretanto essa escola não foi aceita pelo fato de que na franca, serviço público era todo o serviço exercido pelo Estado, diferente do entendimento do Brasil.
A escola adotada pelo direito adm. brasileiro é a escola do critério da administração, pois ela entendia que a análise da adm. publica era exercer a sua atividade corretamente, ou seja, realizando suas funções típicas.

(RJA) \u2013 Regime Jurídico Administrativo:

O RJA é um conjunto de regras aos quais a adm. publica deve se submeter a seguir. Ou seja, são prerrogativas e limites impostos a adm. publica. Prerrogativas pois são diferenciais que a adm. publica tem, como por exemplo o desapropriação de um terreno público. E limites pois há determinadas limitações que a adm. pública sofre as quais os particulares não são obrigados a se submeter, como por exemplo a prestação de conta.
Tal regime jurídico administrativo se subdivide em dois princípios:

Supremacia do interesse público: sempre que o interesse privado estiver em conflito com um interesse da coletividade, prevalecerá o interesse da coletividade. (Prerrogativa)
Indisponibilidade do interesse público: não se pode dispor do interesse público. Em caso de dívida por exemplo, a administração pública não pode se recusar a aceitar. (Limite)

Portanto, a administração pública jamais terá o mesmo tratamento que os particulares.

\u2022 Princípios: eles podem ser constitucionais ou infraconstitucionais
Os princípios constitucionais já estão previstos dentro da CF.
Estão no artigo 37, caput:
A administração pública direta (já vem da própria CF: União, Estados, DF, Municípios) e
Administração pública indireta (criada pela adm. direta: Autarquias, Fund. Pública, Sociedade de Ec. Mista, Empresa Pública, Consórcio público).
De qualquer poderes da União: legislativo, executivo, judiciário.
Devem obedecer aos princípios LIMPE => legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência. Os quatro primeiros representam o nosso sistema burocrático. A eficiência é oriundo de uma emenda.

\u25d8 Legalidade: o respeito à lei. Celso Antônio diz que há três situações em que é permitido ao estado atuar sem previsão legal: 1º medida provisória. 2º estado de defesa. 3º estado de sitio.
\u25d8 Impessoalidade: a impessoalidade da atuação administrativa impede que o ato administrativo seja praticado visando o interesse de agentes ou de terceiros, devendo ater-se à vontade da lei. Qualquer ato praticado com objetivo diverso da satisfação do interesse público será nulo por desvio de finalidade. Exemplo: licitação e nepotismo.
\u25d8 Moralidade: a doutrina enfatiza que a moralidade administrativa independe da concepção subjetiva (pessoa) de conduta moral, ética, que o agente público tenha; importa, sim, a noção objetiva, embora indeterminada, passível de ser extraída do conjunto de normas concernentes à conduta de agentes públicos, existentes no ordenamento jurídico. => ART 37 §4 fala sobre improbidade administrativa:
\u201cOs atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível\u201d.
Súmula vinculante 13 \u2013 nepotismo (obs.: neste caso, há também uma relação com o princípio da impessoalidade, entretanto prepondera o princípio da moralidade)
\u25d8 Publicidade: a publicidade não está ligada à validade do ato, mas sim à sua eficácia, isto é, enquanto não publicado, o ato não estará apto a produzir efeitos.
\u25d8 Eficiência: o objetivo do princípio da eficiência é assegurar que os serviços públicos sejam prestados com adequação às necessidades da sociedade que os custeia. A eficiência, aliás, integra o conceito legal de serviço público adequado. Exemplo: redução de custos.

Aula dia 23/08 \u2013 Princípios infraconstitucionais:
São aqueles implícitos.

\u25d8 Presunção da veracidade e legitimidade: presume-se legítimos e verdadeiros os atos praticados pela administração pública. Essa presunção é relativa e é permitido questionar.
1º consequência: possibilidade da própria administração pública executar seus atos sem autorização judicial.
2º consequência: possibilidade de questionamento uma vez que tal presunção é relativa.

\u25d8 Motivação: a administração pública precisa motivar os seus atos justamente por ela estar atuando em nome da coletividade. É preciso trazer no princípio da motivação além do dispositivo legal também os fatos.
A justificativa da administração p pode ser prévia, anterior ou durante.
Há uma exceção (Art. 37 II CF) que diz respeito à nomeação e exoneração dos cargos comissionados.
O princípio da motivação dá origem à uma teoria chamada de Teoria dos Motivos Determinantes, que diz que a adm. publica precisa motivar com base nas verdades, salvo risco de tornar o ato nulo.

\u25d8 Razoabilidade e proporcionalidade: a administração pública deve encontrar sempre o equilíbrio entre a razoabilidade e a proporcionalidade, não podendo pesar demais nem de menos nas suas decisões.

\u25d8 Finalidade: a finalidade da adm. pública não é trazer um fim para entes privados, mas sim, uma finalidade pública, visando o interesse da coletividade.

\u25d8 Especialidade: a União não pode fazer um anexo em uma determinada entidade que é especialista em determinada coisa. É quando determinado órgão tem determinada especialidade.

\u25d8 Tutela: quando a administração pública (ex: união) direta cria uma entidade da administração pública indireta (ex: Ibama), ela dá origem à uma pessoa jurídica que terá autonomia administrativa. Quando a União cria a entidade, esta torna-se independente e responde se causar dano a alguém, e ainda assim a União continua protegendo/supervisionando esta entidade.

\u25d8 Autotutela: \u201ccuidar de si próprio\u201d. Prevista na Súmula 473 do STF.
Ela é uma correção dos atos praticados pela administração pública. Na tutela há a administração direta supervisionando a administração pública indireta. Na autotutela a própria administração pública se supervisiona. As duas possibilidades de correção dos próprios atos são:
Nulação: é anulável aquele ato que tem vicio de legalidade. Ou seja, não está de acordo com a lei.
Exemplo: um ato que foi praticado por um determinado servidor público que na realidade deveria ser praticado por outro.
- Quem pode anular os atos: iniciativa da própria administração pública e o judiciário (lembrando que o judiciário precisa ser provocado).
- Efeitos: ex-tunc. Uma vez que o vício está na origem, os efeitos são retroativos.
- Prazo de correção: é preciso verificar se o beneficiário do ato ágio de boa ou d má fé.
Revogação: o ato pode até estar de acordo com a lei, contudo o mesmo não é mais conveniente e oportuno.
Obs.: conveniência e oportunidade são analises de mérito. Mérito é diferente de legalidade e é uma análise individual.
O judiciário não pode revogar ato administrativo salvo os atos que ele mesmo produziu. Portanto, só pode revogar atos administrativos quem o praticou.
- Efeitos: ex-nunc. Não retroage pois tudo o que foi praticado anteriormente está de acordo com a lei.
Obs.: nem tudo é revogado por quem praticou. Os casos são: