Aula Nota 10 1
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Muitos dos professores que conheço acham que, de todas as técnicas
apresentadas neste livro, De surpresa é a que tem maior capacidade de
mudar rapidamente a cultura de sua sala de aula. Por que você acha que
eles pensam assim?
Pegue um plano de aula que você aplicará em breve e identifique três
momentos em que seria bom usar De surpresa Escreva suas perguntas no
Motivar os alunos nas suas aulas 1 63
próprio plano de aula. Faça algumas anotações sobre quais alunos você
vai chamar De surpresa.
Pegue esse mesmo plano de aula e assinale os lugares para duas
sessões curtas de Todos juntos. Repito, escreva suas perguntas. Tente fazer
perguntas em todos os cinco níveis de dificuldade e anote também a deixa
que você vai usar.
Assinale mais uma vez seu plano de aula, desta vez para identificar em
que momento seus alunos terão de escrever as respostas às suas perguntas,
antes de debater. Não esqueça de ievar em consideração onde eles vão
escrever e quais são as expectativas: Você vai recolher o que eles escreverem?
Eles deverão escrever orações completas?
Faça uma lista curta daquilo que você quer que seus alunos façam
ou pensem a respeito quando você usar Tempo de espera. Anote duas ou
três frases que você pode praticar e usar durante a aula, como reforço de
comportamentos académicos eficazes e para disciplinar você mesmo a
esperar o tempo que seja necessário.
CAPÍTULO CINCO
CRIAR UMA FORTE
CULTURA ESCOLAR
As técnicas do Capítulo Cinco (assim como as dos Capítulos Seis e Sete) concen-
tram-se na construção de uma cultura que faça da sua sala de aula um lugar onde os
alunos estudem bastante, aprendam hábitos de trabalho intelectual e se esforcem ao
máximo. Antes de descrever os métodos específicos que excelentes professores usam
para construir essa cultura, vale a pena usar umas poucas páginas para entender o
conceito e os fatores que a consolidam. E mais complexo do que parece. Além disso,
as técnicas sobre as quais vocês vão ler farão mais sentido se estudadas no contexto
de uma clara definição do que é cultura escolar.
CULTURA ESCOLAR: CINCO PRINCÍPIOS
Para construir uma cultura escolar que conduza e sustente a excelência, você deve
levar em consideração cinco aspectos de sua relação com os alunos. Esses cinco
aspectos ou princípios são frequentemente confundidos ou fundidos entre si. No
entanto, vale a pena distingui-los para conseguir tirar o máximo de cada um dos
cinco princípios na sua aula.
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OS CINCO PRINCÍPIOS DA CULTURA ESCOLAR
Disciplina
Gestão
Controle
Influência
Engajamento
Disciplina
A maioria das pessoas usa a palavra disciplina; para se referir ao processo de
administrar consequências e punições. É um verbo: "Vou disciplinar você".
Prefiro usá-lo como Ronald Morish em seu excelente livro, With Ali Due
Respcct (Com Todo Respeito): como um substantivg_que de_signa o processo
de ensinar a alguémji maneira certa de fazer alguma coisa, ou que se refere
ao estado de ser capaz de fazer alguma coisa da maneira certa - "tenho dis-
ciplina" ou "ensino disciplina". Este sentido da palavra também ocorre na
expressão autodisciplina - a habilidade de se obrigar a terminar as coisas
iniciadas - e em disciplina como um conjunto de ideias ou um método de
pensamento (como em uma disciplina académica). Tudo isso indica que, no
centro desta definição de disciplina, estájo ensino^- ensinar aos alunos o jeito
certo e eficaz de fazer as coisas.
Ironicamente, muitos professores
esquecem este elemento, embora seja
central na definição de seu trabalho.
Eles esperam ensinar conteúdo, mas
não necessariamente os hábitos e os
Raramente os professores
param para ensinar a seus
alunos, passo a passo, o que
é um comportamento de
aprendizado eficaz. processos necessários para ser um
aluno bem-sucedido e um cidadão
consciente. Eles criam sistemas de pre-
miação e punição para desenvolver o senso de responsabilidade nos alunos.
Exortam os alunos a dar o melhor de si, pressupondo que eles saberão como
fazer o que é melhor. Mas raramente os professores param para ensinar a seus
alunos, passo a passo, o que é um comportamento de aprendizado eficaz. Em
vez disso, pressupõem que os alunos já aprenderam isso em salas de aula an-
teriores ou são célicos quanto ao valor de aprender um jeito certo de fazer as
coisas, como sentar direito, tomar notas e seguir instruções. Como diz meu co-
Criar uma forte cultura escolar
lega Doug McCurry: "Se eles não estão fazendo o que você pediu, a explicação
mais provável é que você não Ihes^ensjnoujcoino".
Ensinar com disciplina implica investimento inicial em ensinar seus alunos
Í^^^"^Bffl»«l^\u2014,\u2014planejamento) Como seus alunos
vão sentar, fazer fila, entrar em sala ou tomar notas? Portanto, deve fazer parte
do planejamento de sua aula investir nestas práticas, além de avaliar constan-
temente se a disciplina de seus alunos está atingindo os padrões desejados. Os
resultados de enfatizar e investir neste tipo de disciplina podem ser extraordi-
nários, porque, no fim, descobre-se que há muitos alunos excluídos da cultura
escolar. Estes alunos estão dispostos a fazer o que se espera deles. Eles estão só
esperando que alguém lhes ensine.
Gestão
Em contraste, gestão é o_processo de reforçar comportamento par meio de con-
sequências. O que tipicamente se costuma chamar de "disciplinar" é, na verda-
de, apenas gestão: distribuir consequências. Alguns professores acham que isso
basta e, à primeira vista, parecem ter razão. Salas de aula eficazes precisam de
sistemas de gestão. Como a gestão é o elemento da cultura escolar que tem resul-
tados mais visíveis no curto prazo, acabamos não reconhecendo que ela depende
dos outros quatro elementos e tem limitações sem eles. A gestão torna mais clara
e eficiente a operação de uma sala de aula focada no aprendizado, mas não se
sustenta sem os outros quatro elementos da cultura escolar. SernjileSj mesmo
nos melhores sistemas, a gestão acaba sofrendo de uma progressiva redução de
resultados: quanto mais você a usa, menos eficiente ela se torna.
Quando escolas e professores confiam excessivamente na gestão, segue-
se urna espiral fatal: os alunos perdem a sensibilidade para as consequências
e se tornam maquiavélicos com relação aos prémios; mais e mais punições e
prémios são necessários para atingir os mesmos resultados ou até menos. Os
alunos se tornam cada vez mais insensíveis às doses maiores, e essas doses
maiores sinalizam para os alunos que o professor está desesperado ou mesmo
que eles são alunos problemáticos, e não bons alunos. No fim, a moeda da ges-
tão torna-se menos racional e demasiadamente negativa.
Uma gestão firme não é apenas uma parte positiva da cultura escolar, mas
também uma parte necessária. Contudo, a gestão eficiente precisa operar em
combinação com os outros quatro elementos ou vai se tornar, rapidamente,
uma gestão ineficiente. Ensine aos alunos como fazer as coisas do jeito certo;-
não basta estabelecer consequências para quando fazem as coisas do jeito er-
rado. Para conseguir isso, é preciso ser capaz de administrar os alunos, ou seja,
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convencê-los a fazer as coisas independentemente das consequências, inspirá-
los e envolvê-los positivamente nas tarefas escolares. Com isso, você também
constrói com eles relações não transacionais, que não envolvem prémios ou
punições, e mostra que se importa muito com eles, a ponto de conhecer cada
um como indivíduo. Essas habilidades permitem a você reconhecer que seus
alunos são excelentes gestores da sala de aula.
Controle
Controle é a sua capacidade de levar alguém a fazer o que você pede, independente-
mentc das consequências. Para muita gente, controle é um palavrão. Deve haver algo
errado em controlar uma pessoa. Não é democrático, dizem, e é coercitivo. A inten-
ção de controlar outra pessoa é especialmente repreensível em um professor, dizem,
porque ensinar é ajudar