Resumo - Direito Processual Penal - Ação Processual Penal
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Resumo - Direito Processual Penal - Ação Processual Penal


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Ação Processual Penal
Parte 1
Ação processual penal
A atividade jurisdicional é INERTE, só se inicia por meio de provocação, que se dá através da AÇÃO.
A ideia de que haveria uma Teoria Geral do Processo apresenta muitos problemas, porque há enorme distinção entre os elementos e conceitos básicos do processo civil e os do processo penal.
De onde nasce que há uma equivalência entre os elementos do processo civil e os do processo penal?
A pretensa utilização do conceito de LIDE, que seria objeto de ambos os processos.
O problema é que todos os pensadores (Carnelutti, Calamandrei, Liebman...) estavam pensando no conceito de lide para o processo civil.
Conceito de LIDE para Carnelutti: conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida. \uf0e0 tem tudo a ver com processo civil; o autor possui um direito material violado, busca, por meio do processo, uma prestação do réu consistente numa obrigação de dar, fazer, não fazer, e o réu não quer cumpri-la.
No processo penal, o réu precisa fazer alguma coisa, atendendo a um interesse, a uma pretensão do Ministério Público e este aciona o judiciário para que seja determinado ao réu o cumprimento daquela coisa? Não é a ideia mais adequada, o réu não tem esse dever oponível ao réu. Nenhuma lide existe entre o Ministério Público e o acusado, não há uma relação de direito material subjacente. Tampouco entre vítima e acusado. Inclusive, há crimes que não possuem vítimas ou não possuem uma vítima identificável. E, na maioria dos casos, o Ministério Público não precisa de uma autorização da vítima para agir, ele cumpre suas funções oficiais. Não há, portanto, necessariamente, uma relação material entre vítima e acusado. Ao Ministério Público, não interesse a condenação em todos os casos; a ele interessa tanto a condenação de culpados quanto a absolvição de inocentes ou de pessoas cuja culpa não está suficientemente comprovada.
Giovanni Leone dizia que há um conflito imanente e indisponível de interesses entre o direito de punir do Estado e o direito de liberdade do autor do delito. No entanto, essa construção tem origem no direito privado. No processo penal, não há necessariamente um conflito de interesses entre o Estado (MP e Juiz) e o direito de liberdade do acusado da prática de um delito.
Para Jacinto Coutinho, na verdade, o conteúdo do processo penal não é um conflito de interesses, mas um caso penal. Há uma situação de fato que precisa ser acertada pelo exercício da jurisdição. O MP toma conhecimento do caso penal, elabora uma peça acusatória, exerce a ação, leva o caso ao Estado-juiz, que analisa todas as provas apresentadas, pela Acusação e pela Defesa, e vai pronunciar-se sobre o mérito daquela situação, absolvendo ou condenando, promovendo um acertamento sobre o fato.
É desse acertamento que se cuida o processo penal, e não da solução de conflitos imaginados entre o réu, MP, Estado, vítima etc., pensados apenas para satisfazer a teoria.
Parte 2
Grande diferença entre processo civil e processo penal: a RAZÃO pela qual se aplica o processo.
No processo civil, existe uma relação de direito material subjacente, de modo que o processo só se aplica em situações patológicas. Isso porque o direito civil prevê uma série de relações que INDEPENDEM do processo civil (compra e venda, contratos em geral etc.). O processo civil só existe se surge um PROBLEMA entre uma dessas relações de direito material. Ele não é necessário para a realização da maior parte dos atos da vida civil.
O processo penal, ao contrário, é FISIOLÓGICO. O direito material penal não se aplica SEM O PROCESSO PENAL. Os tipos penais, as sanções penais, são se realizam mediante o acerto do caso penal pelo processo, pela jurisdição. \uf0e0 princípio da indefectibilidade ou inafastabilidade da jurisdição penal.
Para o Prof. Guilherme Lucchesi, há equívoco na lição de Frederico Marques, que defendia que a ação penal em nada difere do direito de ação exercido no processo civil e que a única distinção entre os processos seria a MATÉRIA. Para Frederico Marques, as linhas conceituais e os caracteres jurídicos seriam os mesmos.
Para Hélio Tornaghi, AÇÃO, apoiando-se no conceito do processo civil, seria um direito subjetivo público que qualquer pessoa possui, para exercer do Estado a prestação jurisdicional. \uf0e0 Mas é evidente que NÃO É QUALQUER PESSOA que tem o direito de demandar alguém em juízo CRIMINALMENTE.
Uma vítima de furto, via de regra, não pode demandar em juízo o autor do crime. Ela depende da atuação do Ministério Público.
Portanto, esse direito de ação não convém a todos os tipos de ações no processo penal.
 O grande problema dos conceitos clássicos de AÇÃO é que eles se aparam na lógica do direito privado, como se a ação fosse um direito SUBJETIVO. Direito subjetivo é aquele que satisfaz o interesse do titular do direito e se traduz na exigência de comportamento de outras pessoas, se traduz numa PRETENSÃO.
Isso não é muito bem aplicável ao processo penal.
O Ministério Público, titular da ação penal, não tem exatamente um DIREITO, uma FACULDADE de acusar.
Outros autores defendem que a AÇÃO seria um direito POTESTATIVO, isto é, um direito que satisfaz os interesses de seu titular, mas que se realiza por um ato exclusivo de sua própria vontade, sem necessidade de cooperação com o sujeito passivo. Por exemplo, num contrato de aluguel, o locador tem o direito potestativo de rescindir a qualquer momento o contrato de locação, satisfeitas determinadas condições, mas que independem de um comportamento do sujeito passivo (locatário).
A ideia de direito POTESTATIVO é um pouco mais próxima da ideia de AÇÃO no processo penal. Para Aury Lopes Jr., a ação no processo penal é um direito potestativo, porque basta uma declaração de vontade por parte do autor, demandada ao Estado-juiz para que se deflagre o processo penal, de forma independente a uma contraprestação.
Para o Prof. Guilherme Lucchesi, o grande problema disso é que haveria uma FACULDADE por parte do Ministério Público.
Princípio da obrigatoriedade: o MP não tem um DIREITO, ele tem um DEVER de oferecer a acusação penal. O MP deve zelar pela indivisibilidade da ação penal, não podendo escolher contra quem será ajuizada a ação penal.
Conceito de ação penal:
Para Jacinto Coutinho: a ação penal deve ser entendida como um DIREITO-DEVER de provocar a jurisdição para que ela venha a acertar determinado caso penal. Para o MP, a ação processual penal é um DEVER. Para a vítima-querelante, é um DIREITO. E Aury Lopes Jr. concorda, porque entende que a ação não depende de nenhuma contraprestação, bastando a manifestação de vontade do querelante, satisfeitos os pressupostos processuais e condições da ação, para que o Estado autorize deflagração do processo penal.
Por meio deste DIREITO-DEVER de provocar a ação penal, preserva-se a garantia da INÉRCIA DA JURISDIÇÃO. Ainda, assegura-se a finalidade da ação como a de ACERTAMENTO DO CASO PENAL. A pretensão é de que o Estado julgue o caso e se manifeste pela absolvição \u2013 nos casos de insuficiência probatória ou de comprovação da inocência \u2013 ou pela condenação \u2013 desde que comprovada a culpa do acusado.
É incorreto, portanto, que o Ministério Público peça, já na denúncia, a CONDENAÇÃO. Isso porque o juízo feito no momento de recebimento da denúncia, é muito PRELIMINAR, tocante apenas às peças informativas que compõem o bojo da investigação preliminar. Não houve, ainda, produção de PROVAS, sob o crivo do contraditório judicial.
No mesmo sentido, não é tecnicamente adequado falar em julgamento de PROCEDÊNCIA ou IMPROCEDÊNCIA da denúncia, porque não deve haver um pedido expresso de CONDENAÇÃO quando do oferecimento da denúncia. A pretensão do MP não é a de CONDENAR, mas a de VER PROCESSADO O ACUSADO, para que após o exercício da ampla defesa e do contraditório, com produção probatória, permita-se uma análise de mérito por parte do Estado-juiz.
Contra quem se dirige a ação:
Contra o acusado ou contra o Estado?
Qual o pedido?
Trata-se de um pedido de PROCESSAMENTO dirigido ao ESTADO,