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CAPÍTULO 2
RISCO E RETORNO
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 Entender a relação entre risco e retorno.
 Dominar os procedimentos estatísticos necessários para aferir e medir o risco 
de um ativo ou carteira de ativos.
 Calcular o risco e o retorno.
 Compreender o modelo de formação de preços de ativos e sua relação com a 
linha de mercado de títulos.
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 AVALIAÇÃO DO TEMPO E RISCO
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RISCO E RETORNO Capítulo 2 
CONTEXTUALIZAÇÃO
No capítulo anterior foram apresentadas técnicas e conceitos relacionados ao 
valor do dinheiro no tempo. Aquelas análises, as quais utilizaram o cálculo do valor 
presente e futuro de uma quantia, desconsideram um aspecto muito importante 
que existe no mercado fi nanceiro: o risco do investimento. Em contrapartida, este 
capítulo versará sobre a relação entre risco e retorno de um ativo, constatando 
que deverá existir uma recompensa por correr risco, a qual é chamada de prêmio 
pelo risco. De modo geral, a relação entre risco e retorno é positiva e direta, ou 
seja, quanto maior for o risco, maior deverá ser o retorno potencial exigido. Assim, 
os novos conceitos tornam-se fundamentais para a escolha de qual a melhor 
opção de investimento e devem ser estudados.
Antecipando brevemente o que será detalhado ao decorrer do capítulo, o 
risco envolve tanto os ativos individuais quanto as carteiras com vários ativos. 
Ainda, existem dois tipos de riscos, o sistemático e não sistemático. O risco 
sistemático afeta todos os ativos da economia de alguma forma, por outro lado, 
o não sistemático afeta, no máximo, um número pequeno de ativos. Para mitigar 
o risco não sistemático, pode-se utilizar o princípio da diversifi cação através da 
composição de uma carteira de ativos diferentes. 
Este capítulo foi estruturado da seguinte forma: a primeira seção traz uma 
introdução ao risco e ao retorno, a segunda apresenta as ferramentas de cálculo 
necessárias para conseguir mensurar o risco e o retorno de um ativo individual, a 
seguinte calcula o risco de uma carteira de ativos, a quarta descreve o modelo de 
formação de preços de ativos (CAPM), a quinta analisa as linhas de mercado de 
títulos (SML) e a última exibe algumas aplicações.
INTRODUÇÃO AO RISCO E AO RETORNO
De acordo com Gitman (2005), o risco e o retorno esperado de uma empresa 
impactam profundamente sobre o preço de sua ação e os dois fatores em conjunto 
são os principais determinantes do valor de uma empresa no mercado. O gestor 
fi nanceiro deverá avaliar minuciosamente todas decisões visando assegurar que o 
retorno esperado faça jus ao nível de risco que foi assumido, pois decisões corretas 
provocam um aumento no preço da ação da empresa, benefi ciando os acionistas. 
Portanto, é fundamental que o profi ssional saiba mensurar, avaliar e comparar as 
relações entre risco e retorno para que suas decisões colaborem para a criação de 
valor na empresa. Para começar a entender como determinadas relações ocorrem, 
as próximas subseções descrevem os conceitos de risco e retorno para que, na 
próxima seção, seja analisado como mensurar determinados conceitos.
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 AVALIAÇÃO DO TEMPO E RISCO
a) Risco
Em fi nanças, o risco é a probabilidade de ocorrer uma perda fi nanceira, 
conforme destacou Gitman (2005). De forma alternativa, o autor afi rma que o risco 
é uma incerteza originada pela variabilidade dos retornos de um ativo fi nanceiro. 
Muitos títulos públicos relacionados à dívida do governo praticamente não 
apresentam riscos, pois remuneram uma quantia fi xa garantida, diferentemente 
do mercado de ações, em que há uma grande variabilidade no preço da ação, 
além da incerteza relacionada ao montante de dividendos a serem pagos pelas 
empresas aos seus acionistas. Uma vez que os governos podem emitir dinheiro 
ou aumentarem impostos para pagarem suas dívidas, as Letras do Tesouro, títulos 
emitidos pelo governo com vencimento de curto e médio prazo, praticamente não 
apresentam riscos de inadimplência e acabam sendo usados como referência no 
mercado fi nanceiro e nas comparações com as demais opções de investimento.
De acordo com Ross et al. (2013), o prêmio pelo risco é uma quantia 
excedente dada pela diferença exigida pelo investidor entre a magnitude do 
retorno que um ativo com risco proporciona e a quantia de retorno que um ativo 
sem risco pagará. O conceito fi cará mais claro no decorrer desta seção, logo, não 
se preocupe com ele por enquanto.
 
A fi gura a seguir apresenta um breve resumo das principais fontes do risco 
para empresas e seus acionistas. Enquanto que o risco operacional e o fi nanceiro 
são específi cos à empresa, os riscos associados à taxa de juros, à liquidez e ao 
mercado são riscos exclusivos dos acionistas. Além dos demais riscos descritos 
na fi gura, há o risco moral. O risco moral surge quando a ação do Agente não 
é observável pelo Principal ou, ainda, quando o Agente possui uma informação 
privilegiada após o contrato ter sido fi rmado. 
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RISCO E RETORNO Capítulo 2 
Figura 5 – Fontes de risco
Fonte: Gitman (2005).
Em economia, a assimetria de informação é um tema de pesquisa que premiou 
economistas com o Nobel da área. No problema de risco moral, os participantes 
têm a mesma informação quando o contrato (transação econômica) é assinado, 
porém o problema de informação assimétrica surge somente após o contrato ter 
sido fi rmado, mais especifi camente quando o Principal não consegue observar e/
ou monitorar perfeitamente as ações/esforço do Agente. Um exemplo prático de 
como acontece na relação entre empregador e empregado é útil para entender 
o conceito de risco moral. Podemos citar um caso do empregador (Principal) 
contratar um empregado (Agente), e ambos assinaram um contrato de trabalho no 
qual especifi ca um salário (equivalente à sua produtividade) e as funções a serem 
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 AVALIAÇÃO DO TEMPO E RISCO
exercidas pelo empregado. Ocorre que o empregador não consegue mensurar 
diretamente o esforço, a conduta e a ética do empregado enquanto ele trabalha. 
Assim, o empregador teria difi culdades de avaliar se a remuneração, previamente 
acordada, de fato, corresponde à produtividade exercida pelo empregado no 
trabalho. Em outras palavras, uma vez que a remuneração foi previamente 
estabelecida e garantida ao empregado, o empregado pode não disponibilizar 
todo seu potencial de trabalho para a empresa e, mesmo assim, o empregador 
não terá como visualizar com certeza.
• Preferências com relação ao risco
No dia a dia e em diversos contextos, o ser humano enfrenta situações que 
envolvem riscos. Entretanto, há algumas pessoas que não estão dispostas a 
arriscar nada e outras, ao contrário, fazem questão de ter um comportamento/
escolha que envolva risco. Da mesma maneira, os administradores fi nanceiros 
apresentam diferentes comportamentos quando se trata de assumir riscos. 
A fi gura a seguir apresenta uma forma de entender como os riscos funcionam 
no mercado de ações. O eixo das abscissas mede o risco, enquanto o eixo das 
ordenadas mensura o retorno exigido. 
Figura 6 – Preferências com relação ao risco
Fonte: Gitman (2005).
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RISCO E RETORNO Capítulo 2 
Como pode ser observado na fi gura anterior, o comportamento com relação 
ao risco pode assumir três formas: avesso, indiferente e propenso. O administrador 
avesso ao risco exige que o retorno aumente quando o risco se eleva. Ocorre 
porque ele tem medo da perda fi nanceira e, assim, exige uma contrapartida, no 
caso, um retorno mais alto que compense o risco mais elevado que ele assumiu. 
Observe que, no gráfi co, na medida em que o risco aumenta (de x1 para x2), o 
retorno esperado para o administrador avesso ao risco também aumenta.
De forma contrária,