Aula 3   Artigo[Ivan] Contabilidade
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Aula 3 Artigo[Ivan] Contabilidade

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Apresentado no 1º Seminário USP de Contabilidade \u2013 FEA \u2013 USP \u2013 2001.
Professor Mestre Ivan Carlin Passos

Método de Custeio por Absorção: Uma Análise de suas Origens e Fins Gerenciais

Resumo

O objetivo desse artigo é analisar o porquê da escolha da legislação pelo método por
absorção e quais seriam as possíveis conseqüências de sua não obrigatoriedade, para
isso são pesquisadas as origens e os desenvolvimentos da \u201cContabilidade Mãe\u201d, o
surgimento da Contabilidade de Custos, Gerencial e dos Métodos de Custeio.
A hipótese estabelecida é a de que se a legislação deixasse as empresas escolherem o
método de apropriação dos custos aos produtos, o método de Custeio por Absorção
deixaria, ao longo do tempo, de ser utilizado por diversas empresas que utilizam o
método de Custeio Variável para fins gerenciais.
Uma pesquisa empírica não foi necessária, pois se sabe que até hoje as empresas, muitas
delas com conhecimento dos grandes benefícios da informação advinda do método de
Custeio Variável para fins decisoriais, por questões econômicas e outras, não o utilizam.
Portanto, buscou-se através da pesquisa bibliográfica, com citações e exemplos de
renomados autores, chegar à comprovação da hipótese estabelecida através de um
raciocínio lógico.

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1.Introdução
O Método de Custeio por Absorção é o exigido pela atual legislação brasileira. Diversos
estudos criticando suas informações para fins gerenciais já foram escritos, todos esses
trabalhos sempre o comparam com as vantagens informativas do método de Custeio
Variável.
Segundo Aristóteles, \u201cSe você deseja entender alguma coisa, observe seu começo e seu
desenvolvimento\u201d, sendo assim, este artigo analisa as origens da Contabilidade e seu
desenvolvimento para entender melhor o surgimento dos métodos de custeio e a escolha
da legislação por um específico.
O objetivo do artigo não é assumir uma posição contrária ou a favor deste ou daquele
método de custeio em um universo global contábil, mas apenas, como já dito,
comprovar a tendência do abandono do Método de Custeio por Absorção por empresas
que utilizam o Método de Custeio Variável para fins gerenciais.
A Contabilidade como toda ciência teve seu começo por alguma necessidade e
propósito, se verá nesse artigo que suas finalidades e objetivos foram se adequando de
acordo com o desenvolvimento social e tecnológico da Humanidade.
2.Origens da Contabilidade
De acordo com Bernardo (1996), no período Paleolítico, de 30.000 a 20.000 anos atrás,
já havia a necessidade do homem de um instrumento contábil, sabe-se através de
estudos arqueológicos que os chamados \u201chomens das cavernas\u201d, mesmo sem o invento
da escrita ou do cálculo, faziam marcas nas paredes, essas talvez para marcar quantos
animais eles possuíam em cativeiro ou quantos já haviam caçado, não se sabe ao certo,
porém são evidentes que eram para \u201ccontar\u201d algo.
Com o surgimento das civilizações organizadas, por volta de 3500 a.C., surgiu a figura
do escriba, predecessor do Contador, conta a história que ele ficava no portão da cidade
registrando numa tabuleta de barro todas as importantes transações, essa era uma
maneira do governo cobrar sua parte. As tabuletas cada uma com um lançamento eram
gravadas e reproduzidas em outra maior, dando origem ao Diário, as identificadas pelo
mesmo fato eram amarradas juntas formando o Razão.
Na Mesopotâmia 3100 a.C. surgiu a primeira escrita, a escrita pictográfica (desenhos),
essa auxiliou muito a administração da época nos registros das transações de
mercadorias, na cobrança dos tributos e no controle de pagamento dos salários.
Outra grande inovação, que muito auxiliou o progresso dos registros contábeis, foi o
papiro, invenção dos egípcios por volta de 1000 a.C. permitiu substituir materiais de
pouca durabilidade e difícil manuseio como: madeira, mármore, couro, tabuletas de
barro, etc.
Na República Romana, por volta de 300 a.C., a contabilidade encontrava-se já muito
desenvolvida se compararmos com os tempos atuais, podia-se encontrar registros em
moeda do valor do caixa, de estoques e até mesmo de receitas e despesas.
Um período importantíssimo para a Contabilidade foi a época clássica do direito
romano (45 a.C. a 250 a.C.), nesse os chefes de família utilizavam-se da \u201cAdeversaria\u201d
para realizar registros de pagamentos e recebimentos diários divididos cada um em sua
parte, essa forma de controle foi a base da contabilidade romana e as empresas e o
governo da época também a utilizavam.
A Contabilidade parou de se desenvolver juntamente com a queda do Império Romano
em 476 d.C., retornou aos trilhos do progresso apenas na segunda parte da Idade Média
(1100 d.C.).

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Na Inglaterra, por volta de 1130, existia o Pipe Roll, um controle de arrecadação de
impostos feito por meio de um bastão partido ao meio com anotações idênticas, uma
ficava com o tesoureiro do governo e a outra com o sheriff da região, assim poderiam
prestar contas do montante arrecadado.
Com as Cruzadas, por volta de 1200, milhões de pessoas passavam por Gênova e
Veneza aquecendo o comércio, isso contribuiu para o surgimento das agências de
contabilidade, que prestavam contas aos sócios, debitando despesas incorridas e receitas
recebidas; inventários de mercadorias confiadas ao agente, quantidades vendidas e
recebidas em livro separado do Razão, e uma conta de caixa. Duas entradas eram feitas,
tornando o razão auto-balanço, e um ensaio de balanço poderia ser tirado dele.
Antes da criação das partidas dobradas eram utilizadas as partidas simples, na qual uma
entrada era feita somente em uma conta pessoal (tanto o débito quanto o crédito), não
haviam contas nominais. O sistema não objetivava demonstrar os negócios feitos, mas
sim o que se estava devendo ou era devido. Conceitos de capital e renda eram
ignorados, nenhum balanço completo nem demonstração de lucros e perdas poderiam
ser produzidos pelo sistema, porque nem todas as contas relevantes estavam incluídas.
Finalmente em 1494, com a obra Tractus de Computis et Scripturis, o frade Luca
Pacioli, denominado o \u201cpai\u201d da contabilidade moderna, publicava um guia geral para a
prática da escrituração em partida dobrada conhecida como \u201cMétodo de Veneza\u201d,
apesar de já existirem indícios da criação das partidas dobradas, foi a primeira
publicação difundida mundialmente.
A criação do método das partidas dobradas e sua divulgação foram um marco para o
desenvolvimento da contabilidade em termos mundiais, suas vantagens sobre as partidas
simples são diversas, entre elas Bernardo (1996) cita:

\u2022 \u201cEqualizar as entradas permitindo a conferência da precisão
aritmética;

\u2022 Ambos os aspectos de cada transação são registrados;
\u2022 O risco de fraude é diminuído pelo efeito do equilíbrio;
\u2022 Criou um sistema de classificação;
\u2022 Permitiu os cálculos e análises de lucros e perdas relevantes e

oportunos;
\u2022 A posição financeira é prontamente apurada do balanço patrimonial,

assim provendo checagens aritméticas e diminuindo a incerteza em
face dos negócios;

\u2022 Os negócios da entidade podiam ser vistos separadamente dos seus
proprietários;

\u2022 O conceito de capital é totalmente desenvolvido através do uso da
conta do proprietário.\u201d

Através de uma análise dos fatos verificou-se que o desenvolvimento da Contabilidade
ocorreu juntamente com o da Humanidade, a necessidade do homem por uma
ferramenta contábil surgiu por volta de 30.000 anos atrás, a ciência contábil está sempre
se desenvolvendo de acordo com a necessidade dos usuários de cada época, o
surgimento de sociedades organizadas criou a necessidade da administração dos
tributos, da divisão de lucros de viagens comerciais, das intermediações bancárias
(operações de crédito). Com a grande criação, a partida dobrada, a contabilidade ganhou
uma importante ferramenta para atender as necessidades do mercado.
Porém, depois dessa extensa