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Apostila de Bioquímica

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mecanismos de resistência a insulina são mais aceitos, um mais antigo, proposto 
em 1963 e um mais recente. Ambos os mecanismos podem ocorrer juntos. 
 O mais antigo propõe que o AGL induz resistência à insulina no músculo esquelético. O aumento de 
ácido graxo livre, aumenta também o acetil-CoA e NADH, que inativa a PDH (piruvato desidrogenase), assim, 
ocorre um aumento de citrato proveniente do A.G. que inibe a PFK. Com a PFK inibida, aumentam os níveis 
de G-6P, que inibe a hexoquinase II, aumentando a glicose intracelular, o que inibe a captação de glicose 
pelo GLUT4. 
 
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 O mecanismo mais recente propõe que AGL induz resistência à insulina no músculo esquelético de 
uma forma alternativa. Aumento da chegada de AGL ou diminuição do metabolismo de AGL acarretam um 
aumento de metabólitos de AGL intracelular (diacilglicerol, Acil CoA e ceramidas). Estes metabólitos ativam 
a serina/treonina kinase. A degradação de metabólitos de serina fosforilam os receptores (IRS-1 e IRS-2) em 
um ponto de inibição. Diminui a habilidade do IRS para ativar o PI 3-kinase. Diminui o transporte de glicose 
e outros eventos. 
OBS: o correto é que ocorra a digestão de metabólitos de tirosina e não de serina. 
 
Síndrome metabólica ou síndrome de resistência à insulina: é composta por 3 patologias associadas: 
obesidade, resistência à insulina e hipertensão. Suas principais características são: 
− Intolerância à glicose; 
− Hiperinsulinemia; 
− Elevadas concentrações de TAG plasmático; 
− Aumento de lipemia; 
− Diminuição do HDL e aumento do LDL; 
− Hipertensão e estado prócoagulante. 
 
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Efeitos da Diabetes Mellitus Tipo 2 
Hiperglicemia e hiperinsulinemia. 
Aumento a síntese de triacilglicerol no fígado, acompanhado do aumento de VLDL. 
Hipertrigliceridemia. 
Indivíduos obesos produzem mais citocinas (TNF-α). 
TNF inibe IRS-1 e IRS-2, que acarreta na diminuição no transporte de GLUT4. 
Outros tipos de diabetes: 
− Diabetes gestacional: acomete cerca de 135.000 mulheres por ano nos EUA. Costuma ocorrer entre a 
24ª/28ª semana, causando maior risco de mortalidade fetal. Há um risco de a mãe ter diabetes tipo II de 
63% no período compreendido de 5 a 16 anos após o parto. 
− Glucagonoma (glaucoma). 
− Doença de Cushing (“diabetes da supra-renal”, “diabetes hipofisário”). 
− Diabetes induzidos por uso de hormônios (glicocorticóides, GH e esteróides). 
Tratamentos: 
− Administração de insulina exógena. Os tipos existentes se diferenciam na velocidade de ação de cada 
uma. O tipo a ser administrado é escolhido para o tratamento de acordo com cada caso. 
 
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− Agentes hipoglicemiantes orais: 
▪ Redutores da absorção intestinal de glicose. Ex: Acarbose. 
• Inibidor da alfa 1,6 glicosidase intestinal; 
• Diminui a digestão de amido da dieta; 
• Não estimula a síntese, secreção ou ação periférica de insulina; 
• Melhora os níveis de H1c; 
• Pode ser combinado com outros agentes AHO; 
• Pode ser administrado para DM I e II. 
▪ Redutores da produção hepática de glicose. Ex: Biguanidas (Metformina). 
• Inibe a gliconeogênese hepática em até 20%; 
• Reduz discretamente a absorção intestinal de glicose; 
• Aumenta a absorção periférica de glicose em até 25%; 
• Não estimula a síntese, secreção ou ação periférica de insulina; 
• Não é metabolizada, a excreção é renal; 
• Contraindicação: doença coronariana, enfisema pulmonar, insuficiência hepática e/ou renal; 
• Diminui LDL e VLDL plasmático/aumenta HDL plasmático; 
• É administrado para DM II. 
▪ Estimulam a secreção de insulina endógena. Ex: Sulfoniluréias e análogos de aminoácidos. 
• Aumenta a secreção de insulina (estimula canal K+); 
• Aumenta a afinidade da insulina pelo seu receptor; 
• Diminui a secreção de glucagon; 
• Metabolizado no fígado; 
• Excreção biliar ou urinária; 
• Contraindicação: insuficiência hepática e/ou renal; 
• É administrado para DM II. 
• Nota: pode ultrapassar a placenta e depletar a insulina do pâncreas fetal. Seria recomendado que 
gestantes diabéticas administrarem insulina exógena. 
 
Mecanismo regulatório de ação das sulfoniluréias na formação de frutose-2,6-bifosfato hepática. SU 
inibem a proteína cinase AMPc dependente por catalisarem a fosforilação da enzima bifuncional PFK-
2/F2,6BPase. Inibindo a F2,6BPase. Diminuindo gliconeogênese e aumentando a glicólise. 
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▪ Melhoram a sensibilidade periférica à insulina, aumentando a captação de glicose pelo GLUT4. Ex: 
Tiazolidinedionas. 
 
 Alguns medicamentos sozinhos não são capazes de diminuir os níveis de glicose (parte vermelha), 
porém quando são associados conseguem realizar bem esta tarefa (parte azul). 
 
 Os benefícios da atividade física para diabéticos já foram comprovados experimentalmente por 
alguns estudos. Isso ocorre devido a translocação do GLUT4 no músculo esquelético estimulada pelo 
exercício. Em pacientes diabéticos pós-exercício a concentração de GLUT4 chega próximo ao normal e os 
efeitos desse processo se potencializam com o tempo. Por isso é extremamente importante para o 
tratamento que associado aos fármacos, o paciente possua uma dieta regrada e o hábito de se exercitar.