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Apostila de Bioquímica

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ricas em proteínas (PR). 
As lipoproteínas diferenciam-se, principalmente, pela densidade (quanto menor a densidade, maior a % 
de lipídios (triacilglicerol - TG)) e, pelas apolipoproteínas, que irão conferir funções específicas a cada 
lipoproteína. 
 
 
Apesar da classificação de bom ou ruim, cada uma das lipoproteínas tem suas funções no organismo. 
O LDL, por exemplo, não deve ser classificado apenas como colesterol “ruim”, já que é responsável pela 
síntese de hormônios esteroides. 
Valores de referência dos Lipídeos sanguíneos: 
 
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Anomalias relacionadas a lipoproteínas: 
• Costumam levam a doenças cardiovasculares, como Doença coronária cardíaca, Acidente vascular 
encefálico, Doença arterial periférica, entre outras. 
• Essas doenças são a causa de morte mais frequente no mundo. Sendo, quando consideradas juntas, 
responsáveis por aproximadamente 25% das mortes no mundo. 
Apolipoproteínas: 
Constituem a parte proteica das lipoproteínas, sendo importante tanto na estrutura quanto no 
metabolismo, já que determinam o destino metabólico através de interações com receptores celulares. 
Principais apolipoproteínas: 
• apoA: 
– Está mais presente no HDL. 
– Ativa a lecitina-colesterol aciltransferase (LCAT: enzima esterificadora de colesterol). 
– Tem propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, devido a isso, associa-se que em níveis 
normais, o HDL é bom. 
– Sintetizada no fígado e no intestino. 
– Clinicamente é um marcador de HDL. 
• apoB: 
– Tem duas variantes comuns: 
▪ B48: sintetizada pelos enterócitos, sendo assim uma baixa de B48 pode indicar uma 
disfunção intestinal e não hepática ou cardíaca. Está presente nos quilomícrons, por isso 
é um indicador do número de quilomícrons e quilomícrons remanescentes no plasma. 
▪ B100: sintetizada no fígado, controla o metabolismo do LDL e apresenta muitas 
variantes. 
– Só existe uma molécula de apoB por partícula, podendo ser utilizada como indicador clínico da soma 
de VLDL, VLDL remanescente e LDL. 
– Anomalia relacionada: Hipercolesterolemia. Uma troca no aa 3500 faz com que o paciente 
desenvolva deficiência de apoB familiar. 
• apoC: 
– É sintetizada no fígado e podemos encontrá-la como principal apolipoproteína intervindo no 
metabolismo dos quilomícrons e das VLDL. 
– Tem pouco valor estrutural e sua atividade é sobretudo metabólica. 
• apoE: 
– Possui 3 isoformas: E2, E3 e E4. 
– Está presente em todas as lipoproteínas. 
– É sintetizada no cérebro pelos astrócitos e micróglia. 
– Está implicada no crescimento e na reparação de células do SNC além de ser antioxidante e anti-
inflamatória. 
– Liga-se a receptor de LDL com maior afinidade que a B100. 
– ApoE estimula a lipoproteína lipase (LPL) – responsável por transferir triacilglicerol do quilomícron 
pro LDL e vice-versa; a triglicerídeo lipase hepática e a LCAT. 
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– Anomalia relacionada: Dislipidemia familiar ou Hiperlipidemia tipo III. A substituição da cisteína por 
arginina na posição 158 o que em indivíduos homozigotos leva a uma diminuição na captação de 
partículas remanescentes. 
• apo(a): 
– Sintetizada no fígado e se liga ao receptor de LDL. 
– Concentração plasmática é mediada geneticamente por fatores relacionados ao estilo de vida. 
– Pouco associada a doenças cardiovasculares. 
Correlação clínica: a medição das apolipoproteínas plasmáticas é um melhor preditor de doenças 
cardiovasculares do que testes lipídicos, ou seja, medição do colesterol total e colesterol-LDL. Isso ocorre, 
porque ao dosar as apolipoproteínas, sabe-se exatamente a concentração e qual lipoproteína está presente. 
Receptor de LDL: 
Brown e Goldstein, pesquisadores que descobriram 
a existência dos receptores de LDL e ganham um Prêmio 
Nobel por isso, mostraram que as LDL que se ligam ao 
receptor eram captadas pelas células, sob a forma de um 
complexo LDL-receptor. 
Os receptores de LDL são localizados na superfície 
das células, num local que foi chamado de fossa revestida, 
podendo se ligar a apoB100 e apoE. Essa fossa invagina, 
fecha-se e forma uma vesícula revestida. A fusão de várias 
vesículas forma um endosoma, e todo esse processo é 
denominado endocitose mediada pelo receptor. 
O colesterol da partícula de LDL é então liberado no interior da célula. Um efeito da captura do 
colesterol é que isto inibe a fabricação de novos receptores de LDL na superfície da célula e um menor 
número de receptores de LDL leva à diminuição da captação das LDLs, o que nos leva a conclusão de que o 
receptor de LDL é regulado pela concentração intracelular de colesterol. As LDLs permanecem então na 
corrente sanguínea e podem se acumular nas paredes das artérias. 
Enzimas e proteínas de transferência de lipídios: 
 Nada mais são do que enzimas que transferem triacilgliceróis de lipoproteínas. São elas: 
• Lipoproteína Lipase (LPL) – presente em células endoteliais: digere triacilglicerol do quilomícron e 
VLDL. 
• Triglicerídeo Lipase Hepática (HTGL) – presente no fígado: converte IDL em LDL. 
Metabolismo de lipoproteínas: 
 O metabolismo de lipoproteínas pode se dar por duas vias que refletem a função do transporte de 
combustível de lipoproteínas. São elas: 
• Via do transporte de combustível 
• Via do fluxo excedente 
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Via do Transporte de Combustível: via metabólica dos quilomícrons e VLDL. 
• Intimamente relacionada ao ciclo jejum-alimentado e com o metabolismo energético. 
• Ligada também ao transporte reverso de colesterol, através das trocas de triglicerídeos. 
 
 
A reação exógena é aquela que 
contém os lipídios da dieta, já a chamada 
endógena é a que contém os lipídios 
circulantes. 
No estado alimentado, os 
quilomícrons transportam os triacilgliceróis 
para a periferia, onde a lipoproteína lipase 
hidrolisa os triglicerídeos, liberando ácidos 
graxos (AGL) para as células. Os 
quilomícrons remanescentes são 
metabolizados no fígado. No estado de 
jejum, a VLDL transporta combustível do 
fígado para os tecidos periféricos. Seus 
remanescentes também retornam ao 
fígado. As partículas remanescentes 
adquirem ésteres de colesterol adicionais 
da HDL em troca por triglicerídeos. 
 
Anomalia relacionada: Hiperapobetalipoproteinemia. Consiste no aumento da concentração de apoB100 
com concentrações relativamente normais de colesterol, o que aumenta o risco cardiovascular. VLDL 
enriquecidas com colesterol originam LDL pequenas e densas, altamente aterogênicas. 
Via do Fluxo Excedente: é a via do metabolismo da LDL. Geradas dos remanescentes da via de transporte 
de combustível, ricas em colesterol. São captadas em resposta a diminuição da concentração intracelular de 
colesterol. 
 
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 É preferível que esses remanescentes circulem entre o fígado e células periféricas, como observa-se 
na imagem, do que se acumulem na corrente sanguínea, podendo gerar placas de ateroma. 
 
Síntese de colesterol 
• As células produtoras de colesterol, quando 
em falta, retiram das lipoproteínas o 
colesterol de acordo com suas necessidades. 
• O colesterol é o principal controlador da 
expressão de HMG sintase e HMG redutase, 
enzimas participantes do metabolismo do 
colesterol. 
• Transporte reverso de colesterol: as partículas 
de HDL transportam colesterol das células 
periféricas para o fígado – o que as torna 
antiaterogênicas. 
 
 
Anomalias relacionadas: 
• Dislipidemias: são defeitos no metabolismo das lipoproteínas, igualmente chamadas, apesar de 
menos corretamente, hiperlipidemias. As dislipidemias genéticas mais importantes são: 
- Hipercolesterolemia familiar 
- Hiperlipidemia combinada familiar 
- Disbetalipoproteinemia familiar