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Apostila de Bioquímica

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Esse fato, em conjunto com a ativação da enzima HMG-
CoA sintetase, dispara a produção de corpos cetônicos. Estes podem 
ser transportados para o sangue e, assim, outros tecidos podem captá-
los e realizar a conversão em acetil-CoA para utilização no CK. 
O acúmulo de acetil-CoA ainda induz uma inibição da piruvato 
desidrogenase e ativação da piruvato carboxilase, o que aumenta a 
gliconeogênese. Isso se dá porque o corpo não quer gastar piruvato 
para gerar energia, mas sim para gerar glicose. 
 
 No ciclo da ureia, o glucagon regula as 4 enzimas do ciclo, principalmente Ornitina transcarbamoilase, 
Argininasuccinato liase e Arginase, aumentando a atividade das mesmas, promovendo uma maior produção 
de ureia. 
 
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Efeitos do Glucagon 
Fígado Tecido adiposo 
 degradação glicogênio 
 degradação de ácidos graxos 
 síntese glicogênio 
 glicólise 
 gliconeogênese 
 captação de aminoácidos 
 síntese de ureia 
Adrenalina 
Síntese e secreção 
A adrenalina (epinefrina) e a noradrenalina 
(norepinefrina) são hormônios produzidos pelas células 
cromafins da medula adrenal, parte mais interna das 
glândulas adrenais ou supra-renais. 
 A secreção desses hormônios, também chamados 
de catecolaminas, depende do sistema nervoso central, 
agindo através de impulsos simpáticos até as células 
cromafins. Existem algumas condições que estimulam esta 
secreção, como por exemplo: hipoglicemia, traumatismo 
ósseo, dor, hipóxia, hemorragia, exercício físico e exposição 
ao frio. 
 A síntese das catecolaminas nas células cromafins se dá a partir do aminoácido tirosina, o que 
caracteriza estes hormônios formados como hormônios amínicos solúveis em água. 
 
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Passo a passo: 
1- Célula cromafin capta a tirosina ou fenilalanina da corrente sanguínea. No caso da fenilalanina ocorre a 
conversão à tirosina. 
2- Já no interior celular, através da ação da tirosina hidroxilase, dependente do SNS (estresse, hemorragia, 
dor), tirosina é convertida em DOPA. A estimulação da tirosina hidroxilase se dá através da liberação de 
acetilcolina pelo hipotálamo e interação com receptores nicotínicos das células cromafins. 
3- DOPA é convertida em dopamina pela enzima aminoácido descarboxilase. 
4- Dopamina é convertida em noradrenalina pela dopamina β-hidroxilase. Esta enzima também é estimulada 
pela ação da ACTH. 
5- Em momentos de estresse, ocorre a liberação de cortisol pela hipófise adrenal, que ativa a PNMT. Esta 
enzima é responsável pela conversão de noradrenalina em adrenalina. Adrenalina penetra nos grânulos 
neuro-secretores. 
6- Devido ao estimulo colinérgico, a permeabilidade da membrana aumenta e ocorre entrada de Ca2+. O 
acúmulo deste íon estimula a exocitose dos grânulos. 
Características - catecolaminas: 
− Circulam livres no plasma; 
− Ação rápida – 10 segundos; 
− Degradadas pela catecolamina-O-metiltransferase e 
monoaminoxidase (MAO) nos tecidos; 
− Produtos excretados pelos rins. 
OBS: os efeitos causados pela ação da adrenalina no 
metabolismo são semelhantes aos do glucagon, porém a 
adrenalina é mais “potente”. 
 
Mecanismo de ação: 
 As catecolaminas podem atuar sobre 3 diferentes receptores: β, α1 e α2. O que vai ditar com qual 
receptor a substância se ligará será sua concentração e afinidade. Por exemplo, em uma alta concentração 
no meio se ligará ao receptor β e em baixa concentração no α2. 
 
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Efeitos da adrenalina nos diferentes tecidos: 
Fígado: aumento da degradação do glicogênio hepático – glicogenólise. 
1- Adrenalina se liga ao receptor que ativa a proteína G, que ativa adenilato ciclase. 
2- Adenilato ciclase converte ATP em AMPc. 
3- AMPc em alta concentração ativa a PKA. 
4- PKA exerce duas funções: fosforila a PFK2 em seu sítio INIBIDOR e fosforila glicogênio sintase e 
glicogênio fosforilase, o que deixa glicogênio sintase inativa e glicogênio fosforilase ativa. 
5- Com PFK2 inativa haverá menos produção de F 2,6-BP e assim a PFK1 também ficará inativa, diminuindo 
a taxa de glicólise. A inativação da PFK2 ativa a enzima F 1,6-BPase, que aumenta a gliconeogênese. 
6- Com a glicogênio fosforilase ativa, ocorre o favorecimento da glicogenólise. 
 
 Os efeitos causados pela adrenalina no fígado têm o propósito de manter os níveis de glicemia, assim 
como o efeito causado pelo glucagon. 
OBS: o isoproterenol é um análogo da adrenalina e causa o mesmo efeito metabólico. 
Músculo: aumento da glicólise. No músculo não ocorre gliconeogênese. 
1- Adrenalina se liga ao receptor que ativa a proteína G, que ativa adenilato ciclase. 
2- Adenilato ciclase converte ATP em AMPc. 
3- AMPc em alta concentração ativa a PKA. 
4- PKA fosforila a PFK2 em seu sítio ATIVADOR. 
5- Com PFK2 ativa ocorrerá a produção de F 2,6-BP, o que ativará a PFK1, aumentando a taxa de glicólise. 
(-) PFK2 
(-) F 2,6-BP 
(-) PFK1/ 
(+) F 1,6-BPase 
(-) glicólise/ 
(+) gliconeogênese 
(-) glicogênio 
sintase/ 
(+) glicogênio 
fosforilase 
(+) glicogenólise 
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Os gráficos a seguir demonstram os efeitos da adrenalina no músculo. 
 
No gráfico B, observa-se um aumento do AMPc, que está relacionado à cascata de sinalização da 
adrenalina. Inicialmente ela ativa a proteína G, que converte ATP em AMPc, aumentando assim a 
concentração deste. Este AMPc ativa a PKA que ativa a PFK2. 
Há uma grande correlação entre as concentrações de lactato e F 2,6-BP (gráficos A e C). Através da 
ativação da PFK2 por fosforilação, a produção de F 2,6-BP aumenta. Como esta molécula tem capacidade de 
estimular a PFK1, ocorre o aumento da via glicolítica. Assim, no gráfico A, nota-se um aumento da 
concentração de lactato, relacionada ao aumento da via glicolítica pela ação da adrenalina, que produzirá 
mais piruvato e assim será convertido em lactato. Do mesmo modo, no gráfico C, observa-se um aumento 
da concentração de F 2,6-BF. 
 
Legenda: 
A- Lactato 
B- AMPc 
C- F 2,6-BP 
D- Correlação lactato 
e F 2,6-BP 
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Tecido adiposo: aumento da degradação de triacilglicerol para fornecer energia para os tecidos. 
1- Adrenalina se liga ao receptor que ativa a proteína G, que ativa adenilato ciclase. 
2- Adenilato ciclase converte ATP em AMPc. 
3- AMPc em alta concentração ativa a PKA. 
4- PKA exerce duas funções: fosforila a acetil-CoA carboxilase inativando-a e fosforila a lipase hormônio 
sensível ativando-a. 
5- A LHS irá aumentar a degradação de triacilglicerol, gerando 3 AGL + 1 glicerol. 
 Em certo ponto ocorre o ápice de glicerol gerado (no gráfico A 10-5 **), por isso não é possível 
aumentar a concentração de glicerol aumentando a concentração de LHS por mais tempo. Pode-se dizer, 
então, que a adrenalina ativa a LHS, mas não altera a sua expressão (gráfico C – note que a quantidade de 
RNAm quase não se altera). 
 
 Como consequência da inativação da acetil-CoA carboxilase por fosforilação (gráfico A.1), ocorre a 
inibição da síntese de ácidos graxos e consequentemente, a quantidade de citrato diminui (gráfico A.2). 
 
 
Efeitos da Adrenalina 
Fígado Músculo Tecido adiposo 
 glicogenólise  glicólise  degradação TG (lipólise) 
 gliconeogênese  termogênese  síntese de TG 
 glicólise  síntese de proteínas  termogênese 
 síntese de proteínas  proteólise  síntese de proteínas 
 
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Diabetes e obesidade 
Histórico: 
Em 1922, Banting e Best administraram um extrato contendo pancreatina (mais tarde veio a ser 
chamada de insulina) e observaram que o extrato foi capaz de reverter o quadro de diabetes. Assim, 
desvendaram os efeitos da insulina e a proposta deles é usada até os dias atuais. Ambos os pesquisadores 
ganharam o prêmio Nobel pela descoberta