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estas também serão apresentadas nos exemplos tratados mais adiante.
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Figura 7.2 - Variação da produção de sedimentos em decorrência do desenvolvimento urbano
(Dawdy - 1967)
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Tabela 7-1 - Confrontação de valores de produção de sedimentos em áreas rurais e urbanas
(Dawdy - 1967)
Rio e localização Área
(milh
2
)
Produção
(t/mil
2
.ano)
Ocupação
Watts Branch, Rock., Md
Seneca Creek, Daw., Md
Anacostia River, Col, Md
Gunpowder, Towson, Md
Gunpowder Falls, H., Md
Monocacy River, Fr.,Md
George Cr., Franklin, Md
Conococheaque Cr., Md
Helton Branch, Ky
3,7
101
21,3
300
300
80
80
817
72,4
494
0,85
516
320
470
808
233
913
500
327
207
217
15
rural
rural
rural
rural 1914-1943
rural 1943-1961
rural 1933-1943
rural 1943-1961
rural
rural, florestada
rural
florestada
Oregon Run, Cock., Md
Johns Hopkins Univ, Md
Minebank Run, Tow, Md
Kensington, Md
L.Barcroft, Fairfax, Va.
Greenbelt Res., Md.
Anacostia Riv, Hy., Md
Anacostia Riv, Riv, Md
Cane Branch, Som, Ky
Rock Creek, S. D, W.DC
Little Falls Br ,Bet,Md
Gwynns Falls, Md
0,236
0,0025
0,031
0,032
9,5
0,83
49,4
72,8
0,67
62,2
4,1
0,094
72000
140000
80000
121000
25000
5600
1200
1000
1147
1600
2320
11300
industrial
em construção comercial
lot. residencial
lot. residencial
residencial
urbano/desenvolvimento
urbano/desenvolvimento
mina superficial
urbano/desenvolvimento
urbano/desenvolvimento
residencial
7.2.5. EROSÃO URBANA NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO
Se dentro de um panorama internacional as informações sedimentométricas de áreas urbanas são
bastante restritas, conforme já foi mencionado, a nível nacional este tipo de informação praticamente
inexiste. De maneira geral as informações disponíveis limitam-se a estudos de uns poucos casos
isolados. Apesar disto, apresenta-se a seguir os resultados de estudos realizados no início dos anos 90
na Região Metropolitana de São Paulo que mostra o panorama da degradação do solo na época e suas
principais implicações.
O Rio Tietê é o principal curso d'água que drena a Região Metropolitana de São Paulo ( R.M.S.P.). As
intervenções nesta bacia principiaram no começo deste século, com a construção de barragens de
geração de energia elétrica para a capital e região. Uma das mais importantes ocorreu na década de 40,
com a construção da Usina de Henry Borden, a reforma da barragem de Edgard de Souza, a
implantação de estruturas no Rio Pinheiros e sua canalização, apresentadas esquematicamente na
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Figura 7.3. Com estas obras o Rio Pinheiros passou a ter seu curso revertido, desviando suas águas e
de seus contribuintes, incluindo-se nestes o Rio Tietê, em direção aos Reservatórios Billings e Pedras.
Uma das consequências da implantação deste conjunto de obras foi a transformação natural do Rio
Pinheiros numa grande bacia de retenção de sedimentos, a partir do que tornou-se inevitável os
serviços regulares de desassoreamento. O fato de existir geração de energia elétrica em quantidade
razoável e tão próxima trouxe uma segunda consequência, seguramente de maior envergadura, que foi
o de ser um dos condicionantes mais importantes para o desenvolvimento acelerado de toda a R.M.S.P.
Desde a década de 50 esta região vem apresentando altas taxas de crescimento urbano. Esta
expansão, por sua vez, vem ocorrendo de forma desordenada, tomando um rumo em direção às áreas
das cabeceiras das bacias dos contribuintes, onde as declividades são mais acentuadas e na grande
maioria dos casos o terreno é bastante frágil. Todos estes fatores juntos são responsáveis pela elevação
dos níveis de erosão da bacia, resultando nas elevadas taxas de assoreamento dos leitos dos rios Tietê
e Pinheiros.
Os volumes médios anuais de desassoreamento da década de 70 a 90 foram estimados em 1.200.000
m3 no Rio Tietê e 2.000.000 m3 no Rio Pinheiros, com um custo anual de remoção e disposição do
material de desassoreamento da ordem de algumas dezenas de milhões de dólares.
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Figura 7.3 - Sistema Alto Tiête
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Estudos da dinâmica do transporte sólido na bacia propiciaram um melhor entendimento dos processos
envolvidos permitindo elaborar as seguintes conclusões que são resumidas a seguir:
1 ) a parcela de contribuição mais importante provém da região do cinturão de expansão urbana,
situada em sua maior parte em terrenos de declividades acentuadas e de grande suceptibilidade
à erosão (Nakazawa e Helou - 1993). Estes terrenos são constituídos predominantemente por
siltes, sedimentos que naturalmente são transportados em suspensão nos tributários e no Rio
Tietê, em forma de carga de lavagem, mas que se depositam no leito do Rio Pinheiros;
2 ) a taxa de contribuição na bacia da R.M.P.S. é da ordem de 10.000 m
3
/km
2
ano, sendo que deste
total cerca de 17 % é constituída por areia média, e o restante encontra-se na faixa dos siltes (
Lloret Ramos, Helou e Brighetti -1993);
3 ) a quase totalidade do aporte sólido, ocorre em poucos eventos, fato este comum a rios da
dimensão dos tributários. Estudos efetuados em afluentes (Lloret Ramos e Ikeda - 1993),
demonstram que aportes superiores à ordem de 80% ocorrem em 4% do tempo. Este dado é
importante, pois como nestes eventos mais importantes o Rio Pinheiros está isolado do Rio
Tietê, com o fechamento das comportas de Retiro, significa que a maior contribuição ao
assoreamento do primeiro vem de sua própria bacia;
4 ) os sedimentos na faixa dos siltes, que é a parcela normalmente classificada como carga de
lavagem, ou seja, transportada na sua quase totalidade em suspensão nos cursos d'água (ver
item 7.2.2), é encontrada com larga predominância no leito do Rio Pinheiros, devido às suas
características hidrodinâmicas. O Rio Pinheiros tem declividade praticamente nula, e o seu
escoamento é determinado pela operação das estações elevatórias;
5 ) os sedimentos que produzem o assoreamento do Rio Tietê, devido à sua maior capacidade de
transporte, situa-se na faixa das areias médias, ou seja, da parcela de 17% do total aportado. O
restante é transportado para jusante como carga de lavagem.
Do que foi exposto, conclue-se que a forma mais eficaz de minimizar o assoreamento destes dois rios
que fazem parte do sistema de macrodrenagem, e cuja manutenção tem papel fundamental no controle
de inundações, é o tratamento da bacia urbana. Nakazawa e Helou (1993) fazem algumas
recomendações a nível preventivo, como o de adequar as técnicas de urbanização e edificações às
características geológico-geotécnicas dos terrenos de assentamento, não somente no que diz respeito à
sua concepção, como também aos cuidados na fase de implantação. Aspectos importantes que devem
ser observados na fase de implantação dizem respeito a um plano adequado dos movimentos de terra e
principalmente à pronta implantação do sistema de microdrenagem e pavimentação das ruas para não
dar oportunidade ao início de erosões localizadas de maior intensidade.
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Como medidas corretivas, para o caso do Rio Pinheiros, não há outra alternativa que não o de fazer o
tratamento da bacia de contribuição. Os resultados neste caso são relativamente lentos pois a redução
de grande parte das contribuições depende do processo de consolidação da ocupação da bacia.
No que diz respeito ao assoreamento do Rio Tietê pode-se conseguir resultados importantes com a
implantação de caixas de retenção de areia, uma vez que este é o