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Capitulo 13 Patologia

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linfócitos e depleção linfocitária—, as células de Reed-Sternberg apresentam um 
imunofenótipo similar. Esses subtipos são frequentemente agrupados como formas 
clássicas de LH. No subtipo restante, de predominância linfocitária, as células de Reed 
Sternberg têm um imunofenótipo característico de células B, que difere daquele 
observado nos tipos “clássicos”. 
 
O LH se manifesta como uma linfadenopatia indolor. Os pacientes com os tipos 
esclerose nodular ou predominância linfocítica tendem a se apresentar no estádio I–II da 
doença e, em geral, estão livres de manifestações sistêmicas. Pacientes com a doença 
disseminada (estágios III–IV) ou com os subtipos celularidade mista ou depleção 
linfocitária têm maiores chances de apresentar sintomas constitucionais, como febre, 
suores noturnos e perda de peso. Na maioria dos casos, observa-se anergia cutânea 
resultante da depressão da imunidade mediada por células. A mistura de fatores 
liberados pelas células de Reed-Sternberg suprime as respostas imunes TH1 e pode 
contribuir para a desregulação da imunidade. 
• Neoplasias Mieloides: 
O aspecto comum desse grupo heterogêneo de neoplasias é sua origem a partir das 
células progenitoras hematopoiéticas. Essas doenças comprometem primariamente a 
medula e, em menor grau, os órgãos hematopoiéticos secundários (baço, fígado e 
linfonodos). 
o Leucemia Mieloide Aguda: (LMA) é uma neoplasia de progenitores hematopoiéticos 
causada por mutações oncogênicas adquiridas que impedem a diferenciação, 
resultando na acumulação de blastos mieloides imaturos na medula. A substituição 
da medula hematopoiética por blastos conduz à falência da medula e a complicações 
relacionadas a anemia, trombocitopenia e neutropenia. 
A atual classificação da OMS subdivide a LMA em quatro categorias. A primeira inclui 
as formas de LMA que estão associadas a determinadas alterações genéticas. 
Também são incluídas categorias da LMA que surgem após um distúrbio 
mielodisplásico (SMD, Síndrome Mielodisplásica) ou com aspectos semelhantes à 
SMD e à LMA relacionada com a terapia. Uma quarta categoria “cesta de papel” 
inclui as LMAs que perdem qualquer um desses aspectos. Estas são classificadas de 
acordo com o grau de diferenciação e linhagem dos blastos leucêmicos. Muitas 
aberrações genéticas recorrentes detectadas na LMA alteram os genes que codificam 
os fatores de transcrição necessários à diferenciação mieloide normal. O diagnóstico 
de LMA se baseia na presença de pelo menos 20% de blastos mieloides na medula 
óssea. Os bastões de Auer, grânulos azurofílicos característicos em forma de agulhas, 
estão presentes em muitos casos; são particularmente numerosos na LMA com a 
t(15;17) (leucemia promielocítica aguda). 
Algumas semanas ou poucos meses depois do aparecimento dos sintomas, a maioria 
dos pacientes apresenta-se com queixas relacionadas a anemia, neutropenia e 
trombocitopenia, mais notavelmente fadiga, febre e hemorragia espontânea da 
mucosa e cutânea. 
• Síndromes Mielodisplásicas: 
O termo “síndrome mielodisplásica” (SMD) refere-se a um grupo de alterações clonais 
das célulastronco, caracterizadas por defeitos na maturação associados à hematopoiese 
ineficaz e ao alto risco de transformação para LMA. Na SMD, a medula óssea é parcial 
ou totalmente substituída pela progênie clonal de uma célula-tronco multipotente 
neoplásica que retém a capacidade de se diferenciar, fazendo-o, contudo, de modo 
ineficaz e desordenado. Essas células anormais ficam dentro da medula óssea e, desse 
modo, os pacientes apresentam citopenias no sangue periférico. A SMD pode ser tanto 
primária (idiopática) quanto secundária à prévia exposição a um agente genotóxico ou à 
radioterapia (SMD-t). O aspecto mais característico é a diferenciação desordenada 
(displásica) que afeta as linhagens eritroide, granulocítica, monocítica e megacariocítica 
em vários graus. Dentro da série eritroide, anormalidades comuns incluem sideroblastos 
em anel, eritroblastos com mitocôndrias contendo ferro, visíveis como grânulos 
perinucleares em aspirados ou biópsias coradas com azul da Prússia; a maturação 
megaloblastoide, semelhante àquela observada na deficiência de vitamina B12 e de 
folato; e as anormalidades do brotamento nuclear, reconhecidas como núcleos 
disformes, com contornos frequentemente polipoides. 
• Distúrbios Mieloproliferativos: 
A característica patogênica comum dos distúrbios mieloproliferativos é a presença de 
mutação de tirosina-quinases constitutivamente ativadas ou outras alterações 
adquiridas nas vias de sinalização que conduzem à independência do fator de 
crescimento. 
o Leucemia Mieloide Crônica: a leucemia mieloide crônica (LMC) é diferente de outros 
distúrbios mieloproliferativos pela presença de um gene quimérico BCR-ABL derivado 
de porções do gene BCR no cromossomo 22 e do gene ABL no cromossomo 9. A 
medula óssea é marcantemente hipercelular, por causa do grande número de 
precursores granulocíticos em maturação, que, em geral, incluem uma proporção 
elevada de eosinófilos e basófilos. A hematopoiese extramedular também pode 
produzir hepatomegalia e linfadenopatia discretas. A melhor forma de distinguir a 
LMC das outras neoplasias mieloproliferativas é pela detecção do gene de fusão BCR-
ABL, através da análise cromossômica ou da técnica de PCR. 
 
Baço 
O baço é um filtro engenhosamente planejado para o sangue e um sítio de respostas imunes aos 
antígenos provenientes do sangue. Sua superfície de corte revela extensa polpa vermelha marcada por 
pontos cinzentos, que são os folículos da polpa branca. Esses folículos são constituídos por uma artéria 
com um colar excêntrico de linfócitos T, denominado bainha linfática periarteriolar. Em determinados 
intervalos de tempo, essa bainha se expande para formar nódulos linfoides compostos principalmente 
por linfócitos B, que são capazes de se desenvolver em centros germinativos. 
 
A polpa vermelha do baço é atravessada por numerosos sinusoides vasculares de paredes 
delgadas, separados pelos cordões esplênicos ou “cordões de Billroth”. O revestimento endotelial do 
sinusoide é descontínuo, fornecendo uma passagem para as células sanguíneas entre os sinusoides e os 
cordões. Os cordões contêm um labirinto de macrófagos frouxamente conectados através de longos 
processos dendríticos que criam um filtro físico e funcional. Quando atravessa a polpa vermelha, o 
sangue percorre duas rotas para alcançar as veias esplênicas. Uma parte do sangue flui através dos 
capilares para os cordões para alcançar os sinusoides; esse é o circuito aberto ou compartimento lento. 
No outro, chamado de “circuito fechado”, o sangue passa rápida e diretamente dos capilares para as 
veias esplênicas. O baço exerce quatro funções com grande impacto sobre as doenças: 
1. Fagocitose das células sanguíneas e de material particulado: 
2. Produção de anticorpo. 
3. Hematopoiese. 
4. Sequestro de elementos figurados do sangue. 
➢ Esplenomegalia: 
Quando suficientemente aumentado, o baço provoca sensação de desconforto no quadrante 
superior esquerdo e, através de pressão no estômago, causa desconforto após a alimentação. Além 
disso, o aumento do órgão pode levar a uma síndrome conhecida como hiperesplenismo, que se 
caracteriza por anemia, leucopenia e trombocitopenia, manifestadas individualmente ou em 
combinação. A causa provável das citopenias é o sequestro aumentado dos elementos figurados e o 
consequente aumento da fagocitose por macrófagos esplênicos. 
o Esplenite Aguda Inespecífica: 
O aumento do baço ocorre em qualquer infecção proveniente do sangue. Nessas infecções, a 
reação esplênica inespecífica é causada tanto pelos próprios agentes microbiológicos quanto 
pelas citocinas que são liberadas como parte da resposta imune. 
o Esplenomegalia Congestiva: 
A obstrução crônica do fluxo de saída venosa causa um tipo de aumento do baço,