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TGP Cap 7, 8 e 9

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da Corte, como veremos
no volume 2, e que não se permite a revisão do mérito da decisão judicial
estrangeira pelo Judiciário brasileiro.
As diligências requeridas em regime de cooperação podem partir do
Brasil (pedido ativo) ou serem cumpridas aqui (pedido passivo). No prime-
rio caso, devem ser enviadas à autoridade central para posterior remessa
ao esrangeiro (art.37). No segundo, poderá haver recusa caso a providên-
cia solicitada configure manifesta ofensa à ordem pública (afi.39).
9,3.2 Competênciainterna
No tocante ao estudo da competência interna, impõe verificar os cri-
térios determinantes de fixação adotados, bem como o princípio basilar
daperpetuatío jurßãictionß (ou perpetuação da jurisdição), previsto no art.
43 do CPC/20L5.
Conforme se infere do disposto no aludido artigo, a competência é fì-
xada no momento da propositura da ação, não influindo as alterações de
fato ou de direito supervenientes, salvo quando se tratar de supressão do
órgão judiciário ou na hipótese de alteração da competência em razão da
matéria ou hierarquia.
Só haverá perpetuação dejurisdição se a ação foiajuizada perantejuí-
zo competente, visto que o princípio tem como pressuposto essencial a
competência liwe de quaisquer vícios. Do confrário, os autos deverão ser
encaminhados ao juzo competente.
Assim, inicialmente, a determinação do órgão jurisdicional compe-
tente é felta a partir dos elementos da demanda e do processo in støtus
assertionis, isto é, pela análise da demanda efetivamente proposta e do
processo efetivamente instaurado, não importando se o demandante
postulou adequadamente ou não, se poderia ou deveria ter pedido coisa
diferente, visto que, nesses casos, a consequênciajurídica será outra que
não a incompetênciar4.
Os critérios adotados em nosso ordenamento na fìxação da competên-
cia interna podem ser discriminados comot5:
) Ernrczão do território (rationelocí): baseia-se em aspecto de nature-
za geogrâfrca, isto é, em determinada porção do território, como,
por exemplo, o domicílio do réu, fixada por critérios determinados
em 1ei, sobre a qual o juiz exerce jurisdição. A doutrina costuma es-
tabelecer distinção entre a competência territorial:
14 Dinamarco (z}Olb, p. aZQ.
15 A doutrina mâis antiga dava grande valo¡ à dássica separação das espécies de competên-
cia, referindo-se ao trinômio matério-Iugar-pæsoa. A)nda que, em certa medida, as locuções ia-
tinas empregadas para designar os elementos desse trinômio possam transmitir ideias aceitá-
veis em face de colocações modernas, para Dinama¡co, o trinômio, como tal, já não ê capaz de
expressar um quadro adequado de espécies de competências. Isto porque a classficação permi-
te a confusão entre critérios pelos quais se determina a competência e problemas de compe-
tência a resoiver com a aplicação de critérios (Dinamarco, 2Û0lb, p. 437).
f 224 a 22st
16 Santos (1999a, p.204).
t7 lmportantes alterações foram introduzidas peia Emenda Constittlcional n . 45 / 2005, qúe
trarsferiu daJusriça comum àJustiça do Trabalho a competência para o julgamento das ações
de indenização por dano moral ou patrimonial, decor¡entes da relação de trabalho. Indusive, o
STJ decidiu que, em se tratando de ação de indenização com base em atos supostarnente come-
tidos duranrè a relação de rrabalho, o julgamento é de competência da Justiça do Trabalho.
Nesse sentido: S.T, CC 121.99S-MG, rel. Min. Raul Araujo,i. z7-z'2013' Infomnthto STJ'Û' 518'
t8 o sTJ entendeu que, em se ¡¡atando de demanda deduzida em ação de reconhecimento
e de dissolução de sociedade mercantil de fato, cumulada com pedido de inden2ação remanes-
cenre, na hipórese em que a causa de pedir e o pedido dedr:zidcis na petição inicial não façam
referência à oirtêt ci" de relação de trabalho entre as Pârtes, a competência será da Justiça
comum Estadual, já que se úara de relação eminentemenre civil, não tendo origem em rela-
ção de trabalho entre as Pârtes. Nesse sentido: STJ, CC 121.702-RJ, rel. Min. Raul Araújo, j'
27-2-zÙl3,Informat¡"o SU, n. 518.
a) geral 
- 
obe dece à rcgra actor seEaitur forum re¿, consoante a qual as
ações devem ser Propostas no foro em que esf,iver domiciliado o réu
no tocante a ações pessoais e reais mobiliárias' Contudo, as ações
reais imobiliárias são ajuizadas no foro do local do imóvel (arts. 46 e
47 do CPC/2015);
Ainda assim, essas regras são, em geral, flexíveis, eis que a comPe-
tência em razão do território é relativa e, Portanto, Pode ser afastada
pelos fenômenos clássicos de modificação de comPetência, tais
como conexão, continência, eleição de foro e inércia da parte, sendo
este ultimo responsável pelo fenômeno da prorrogação (um juízo
que originalmente era reladvamente incompetente se torna comPe-
tente por não ter sido argurda amatêrja a tempo).
Excetuam-se as hipóteses previstas na parte final do $ te do att. 47
(direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação
de terras e de nunciação de obra nova). Nesses casos, não poderá
haver escolha, por exPressa disposição legal, que consagra, aqui,
modalidade de competência absoluta.
b) especial 
- 
quando a competência for fixada em função da situação
da coisa sobre que versa a lide, ou das qualidades de pessoa envolvi-
da na lide, ou ainda do local em que ocorreram os fatos litigiosos
(foro do interditando, do alimentando, das ações de direito de famí-
lia etc.)'6 (arts. 49 a 53 do CpC / 2ol5).
) Ernrczão da matéria ou natureza (rationerwtenle)" considera a na-
rtlr:eza do direito material controvertido, a saber, se o litígio versa
sobre Direito Civil, Penal, Trabalhista"-'8 etc' De um modo geral,
constitui meio de especializar a Justiça, na medida em que leva à
criação de varas exclusivas para a apreciação de pedidos relaciona-
dos com determinado ramo do direito público ou privado.
Importante mencionar que na Constituição da República, especifi-
camente no art. 109, encontramos a fixação da competência daJus-
tiça Federal.
Como sabemos, uma vez afastadas as hipóteses de competência das
justiças especialØadas (mfitax trabalhista e eleitoral), devemos ava-
líar a competência da justiça comum, que se divide em estadual e
federal. Nesse iter, primeiro devemos avaliar se a matéria está reser-
vada à competência da União. Em caso negativo, a competência da
Justiça Estadual será fìxada em critério residual.
Com efeito, são hipóteses de competência daJustiça Federal, na for-
ma do referido art. 109 da Carta de 1988: I
I 
- 
as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública
federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou
oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as zujei-
tas àJustiça Eleitoral e àJustiça do Trabalho;
II 
- 
as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e
Município ou pessoa domiciliada ou residente no País;
III 
- 
as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado
estrangeiro ou organismo internacional;
lV 
- 
os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento
de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárqui-
cas ou empresas públicas, exduídas as contravenções e ressalvada a
competência daJustiça Militar e daJustiça Eleitoral;
V 
- 
os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quan-
do, iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocor-
rido no estrangeiro, ou reciprocamente;
V-A- as causas relativas a direitos humanos a que se refere o $ 5e deste
artigo;
VI 
- 
os crimes contra a otganização do trabalho e, nos casos determi-
nados por lei, contra o sistema financeiro e a ordem econômico-finan-
ceira;
VII 
- 
os habeas corpus, em matéria crirninal de sua comPetência ou
quando o constrangimento provier de autoridade cujos atos não este-
jam diretamente sujeitos a outra jurisdição;
VIII 
- 
os mandados de segurartçae oshabeas døtø contraato