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Etica,Priocessos decisorios e negociacao aplicada a gestao publica

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à justiça. No pensamento de 
Aristóteles encontramos que ética caracteriza o conhecimento que proporciona aos 
indivíduos o alcance da virtude cardeal, tendo ação justa, com prudência e cora-
gem. De modo geral, podemos afirmar que a ética é o conhecimento que oferece 
aos indivíduos critérios para a escolha da melhor conduta, levando em considera-
ção o interesse de toda a comunidade humana (BORTOLETO; MÜLLER, 2016).
Os comportamentos que manifestam à ética são identificados em ações que 
exprimem determinados características:
Para que haja conduta ética é preciso que exista o agente consciente, isto 
é, aquele que conhece a diferença entre bem e mal, certo e errado, per-
mitido e proibido, virtude e vício. A consciência moral não só conhece 
tais diferenças, mas também reconhece-se como capaz de julgar o va-
lor dos atos e das condutas e de agir em conformidade com os valores 
morais, sendo por isso responsável por suas ações e seus sentimentos e 
pelas conseqüências do que faz e sente. Consciência e responsabilidade 
são condições indispensáveis da vida ética (CHAUÍ, 2000, p. 433).
Ética - Origens e Conceitos
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Nessa perspectiva, os indivíduos que possuem ética nas suas ações cotidianas 
realizam ações que envolvem ter a dimensão do outro, da sociedade, do público.
Sendo a ética confiada ao indivíduo, quando este a prática para si 
mesmo, a justiça torna-se tema secundário, pois sua realização é con-
seqüência natural do agir ético de cada indivíduo. Ser ético significa 
conhecer e cumprir o ‘dever’; a ética é a condição que possibilita o co-
nhecimento do dever. O ‘dever’ repousa, antes de qualquer coisa, no re-
conhecimento da necessidade de respeitar a todos como fins em si mes-
mos e não como meios para qualquer outro objetivo. Tratar todos os 
homens como fins em si mesmos é o que lhes confere dignidade e não 
preço: como bem nos legou Immanuel Kant o que distingue os homens 
das coisas é o valor que se lhes atribui; enquanto o valor das coisas é 
o preço, o valor dos homens é a dignidade. Assim, coisas têm preço, 
homens têm dignidade (BORTOLETO & MÜLLER, 2016, p. 13-14).
A ética deve ser elemento constitutivo da atuação no setor público. É ela que 
dará suporte às decisões no setor público. Decisões que envolvam pensar na 
sociedade em geral e não em interesses ou benefícios individuais. De acordo 
com Chauí (2000):
o campo ético é, assim, constituído pelos valores e pelas obrigações que 
formam o conteúdo das condutas morais, isto é, as virtudes. O sujeito 
ético ou moral, isto é, a pessoa, só pode existir se preencher as seguintes 
condições: - ser consciente de si e dos outros, isto é, ser capaz de refle-
xão e de reconhecer a existência dos outros como sujeitos éticos iguais 
a ele; - ser dotado de vontade, isto é, de capacidade para controlar e 
orientar desejos, impulsos, tendências, sentimentos (para que estejam 
em conformidade com a consciência) e de capacidade para deliberar 
e decidir entre várias alternativas possíveis; - ser responsável, isto é, 
reconhecer-se como autor da ação, avaliar os efeitos e conseqüências 
dela sobre si e sobre os outros, assumi-Ia bem como às suas conseqüên-
cias, respondendo por elas; - ser livre, isto é, ser capaz de oferecer-se 
como causa interna de seus sentimentos atitudes e ações, por não estar 
submetido a poderes externos que o forcem e o constranjam a sentir, a 
querer e a fazer alguma coisa (CHAUÍ, 2000, p. 434).
Após discutirmos o surgimento dos primeiros debates sobre a ética e defini-la, 
vamos explorar alguns conceitos relacionados a ética e ao setor público. Primeiro 
conceito está relacionado ao Estado e a administração pública. Você já ouviu falar 
em códigos de ética profissional, com certeza, saberia me citar vários exemplos. 
Mas você sabe qual é o código de ética da administração pública?
ÉTICA E RACIONALIDADE DO SETOR PÚBLICO
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E18
ESTADO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
O Estado brasileiro no decorrer das décadas passou por grandes transformações 
até a redemocratização do país. Uma das principais mudanças nesse sentido foi a 
Constituição de 1988, que estabeleceu as bases para as instituições democráticas, 
incluindo o processo de transparência e o controle da gestão pública, tanto em ter-
mos de novos setores, como no tamanho da proteção social, algo inédito na história 
do Brasil. Esse modelo de Estado foi implantado paulatinamente e na medida que 
foi sendo colocado em prática, observou-se a complexidade das questões envolvidas.
Nas sociedades mais complexas, os conflitos de interação social tendem a ser 
maiores, devido à diversidade de ideias e cultura em um mesmo local. As socieda-
des se tornam mais heterogêneas e mescladas, formam-se maiores “constelações 
de interesses” (RODRIGUES, 2007, p. 63). Esse aumento da complexidade social 
gera conflitos, que tendem a ser administrados por regras formadas em um apa-
rato de domínio designado: Estado Moderno. O Estado estabelece leis que regem 
a sociedade. Quanto maior a racionalização e a formação de estruturas adminis-
trativas, mais o indivíduo estará subordinado a esse aparato burocrático.
Para Max Weber, o Estado Moderno e o capitalismo forjam um novo homem, 
um indivíduo que é obediente ao direito racional, as regras estabelecidas pelo 
Estado. Portanto, sob a ótica weberiana vivemos no império da lei e da razão. A 
educação também está emaranhada nessas concepções de racionalização e buro-
cratização do Estado moderno. Segundo as concepções weberianas sobre educação:
Educar num mundo assim, certamente não é o mesmo que educar antes des-
sa grande transformação provocada pelo advento do capitalismo moderno. 
Ela passa a ser, na medida em que a sociedade se racionaliza, historicamen-
te, um fator de estratificação social, um meio de distinção, de obtenção de 
honras, de prebendas, de poder e de dinheiro (RODRIGUES, 2007, p. 66).
Será que a ética só pode se manifestar a partir de conduta que envolve res-
ponsabilidade para com o outro?
Estado e Administração Pública
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Portanto, para Weber, a sociedade moderna inaugura um novo modo de viver 
em sociedade, muito diferente das sociedades tradicionais. Para entendermos a 
sociedade moderna burocratizada baseada na dominação legal, primeiramente 
falaremos da sociedade tradicional.
Nas sociedades antigas a influência da tradição era um importante meca-
nismo de dominação social. A dominação era a probabilidade dos indivíduos 
obedecerem às regras. No caso da dominação tradicional as regras eram com-
partilhadas pelas tradições e obedecidas baseadas nas crenças cotidianas na 
santidade das tradições e também pela dignidade pessoal que lhe atribuía à tra-
dição (RODRIGUES, 2007). Vamos a dois exemplos que representam bem esta 
dinâmica de ação social:
 ■ A crença baseada na santidade das tradições religiosas: as ações dos alu-
nos da educação no campo ou de comunidades tradicionais tendem a ser 
guiadas por valores tradicionais, como a influência familiar, a influência 
religiosa, ou seja, qualquer tipo de valores locais fundados e protegidos 
pela tradição. Um exemplo é a oração realizada antes dos alunos entra-
rem em sala. Ação está partilhada e legitimada por todos, inclusive pelos 
professores locais que também se orientam pela tradição. Baseia-se em 
um tipo de dominação tradicional.
 ■ A crença baseada na dignidade pessoal atribuída pela tradição: