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TEORIA GERAL DO PROCESSO online

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Sem lide não há interesse de se instaurar uma relação jurídica processual. 
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• A Jurisdição é função precípua do Estado, através do Poder Judiciário. Foi 
Montesquieu que propôs uma divisão correspondente à atividade do Estado. 
Não há divisão de poderes, pois este é uno; O que existe é divisão dos órgãos 
para exercer as distintas funções do Estado: Poder Executivo; Legislativo e 
Judiciário. 
• distinção entre as funções: a legislativa é a elaboração da lei; a jurisdicional é a 
aplicação da lei, sendo que em alguns casos o juiz pode “criar’o direito, ao 
utilizar a analogia e a equidade; da executiva, o Estado administra seus próprios 
interesses, sendo que a jurisdição é substitutiva, ou seja, atua em substituição a 
atividade das partes para a tutela de direitos subjetivos lesados. 
 
Objetivos do Estado ao exercer a jurisdição. 
 O Estado tem por objetivo exercer a jurisdição das seguintes formas: pela 
decisão, pela execução e pelas medidas preventivas ou cautelares. 
a. Tutela Jurisdicional de Conhecimento ou de declaração: é aquele que o juiz 
conhece a lide colocada e a soluciona através da aplicação da lei ao caso 
concreto, proferindo uma decisão. Instaura um processo, chamado de processo 
de conhecimento. 
b. Tutela Jurisdicional de Execução: dá força ao comando da sentença caso o 
vencido não satisfaça sua obrigação espontaneamente. Instaura o processo de 
execução. 
c. Tutela Jurisdicional Cautelar ou Preventiva: é uma tutela emergencial, devido a 
grande demora das demais tutelas. Instaura o processo cautelar. 
 
Características da jurisdição. 
 A jurisdição apresenta as seguintes características: 
a. Substitutiva ou secundária: pois o Estado substitui a atividade das partes 
(atividade primária), que estão em conflito na lide, e são proibidas de fazer 
“justiça pelas próprias mãos”. No penal, esta característica é absoluta, pois 
nunca o direito de punir pode ser exercido independente do processo e o 
acusado submeter-se voluntariamente a aplicação da pena, o que já não ocorre 
no processo civil, que é possível a autocomposição. 
b. Instrumental: torna efetiva e concreta a atuação prática das regras de direito, 
abstratas e genéricas, previstas no ordenamento jurídico. 
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c. Definitiva e imutável: impossibilidade da mudança da sentença proferida 
durante o processo, não admitindo revisão por outro poder, diferentemente das 
decisões administrativas (art. 5o. XXXVI CF/88). 
d. Natureza Declaratória: O Estado, ao exercer a jurisdição, não cria direitos 
subjetivos, mas tão somente reconhece os direitos preexistentes. 
e. Escopo jurídico: é a atuação (cumprimento, realização) das normas de direito 
substancial (direito objetivo) e a pacificação social. 
f. Lide: a função da jurisdição é a justa composição da lide, buscando o mesmo 
resultado quanto à pretensão deduzida que poderia ter sido satisfeita pelo 
obrigado. 
 
Princípios fundamentais da jurisdição. 
 Muito embora o tema já tenha sido abordado em outros módulos, alguns dos 
princípios do direito processual estão intimamente ligados com a jurisdição. 
i. Inércia: a atividade jurisdicional desenvolve-se somente quando provocada. (Art. 
2 do CPC - Garantia de Imparcialidade do juiz - Ne procedat iudex ex-officio.) 
Como os direitos subjetivos, em princípio, são disponíveis, podendo ser ou não 
exercidos, também o acesso aos órgãos jurisdicionais fica entregue ao poder 
dispositivo do interessado. Contudo existem exceções à regra da inércia: 
execução trabalhista; decretação de falência no curso da concordata; abertura 
de inventário etc. 
ii. Inevitabilidade: não se pode opor qualquer instituto para impedir que a 
jurisdição alcance os seus objetivos e produza os seus efeitos; independe da 
vontade das partes aceitarem os eventuais efeitos do processo. 
iii. Indelegabilidade: as atribuições do Judiciário só podem ser exercidas pelos 
seus respectivos órgãos. O juiz não pode delegar sua atividade a outro, externa 
ou internamente. 
iv. Juiz Natural: só pode atuar como juiz somente quem se enquadre em órgão 
judiciário previsto de modo expresso em norma jurídica constitucional. Proíbe os 
tribunais de exceção - art.5, XXXVII CF 
v. Duplo Grau de Jurisdição: a parte que não obteve a satisfação de sua pretensão 
em primeiro grau pode provocar um novo exame de seu processo por um órgão 
de segundo grau, diverso daquele que julgou anteriormente. Juízes mais 
experientes, órgãos colegiados, menor probabilidade de erro, etc. 
vi. Investidura: a jurisdição só pode ser exercida por quem se ache legitimamente 
investido do poder jurisdicional. 
vii. Aderência ao Território: os Magistrados só possuem poder dentro dos limites 
territoriais, só podendo praticar atos processuais dentro de um determinado 
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limite territorial, e quando necessária a prática de atos fora dos limites territoriais 
os atos são praticados por cartas (precatórias e rogatórias). 
viii. Inafastabilidade: também chamado de princípio do controle jurisdicional, visa 
garantir a todos o acesso ao Poder Jurisdicional, nem mesmo o juiz pode deixar 
de decidir alegando lacuna ou obscuridade da lei. (art. 5º. XXXV – art. 3º CPC). 
 
Espécies de jurisdição. Limites da jurisdição. 
 Embora a atividade jurisdicional seja una, tendo em vista o princípio da divisão 
do trabalho e a diferença de matéria jurídica a ser manipulada pelo juiz, didaticamente 
se fala em espécies de jurisdição. 
 
• Quanto à matéria: (conforme a natureza da pretensão) 
a. Penal: versa sobre as lides de natureza penal, que são reguladas pelo direito 
penal, sendo o instrumento de composição o processo penal; 
b. Especial: versa sobre as lides de natureza especial, ou seja, trabalhista, militar 
penal e eleitoral; 
c. Civil: por exclusão, que versa sobre lides de natureza não penal, excluídas as 
lides especiais, cujo instrumento é o processo civil. 
A Jurisdição Penal e Civil formam a chamada Jurisdição Comum, ao lado da Jurisdição 
Especial. 
 
• Quanto ao grau em que é exercida: (Princípio do duplo grau de 
jurisdição) 
a. Jurisdição Inferior: exercida pelo primeiro órgão a conhecer da causa submetida 
ao Estado-juiz. Fala-se em competência originária; (1ª Instância); 
b. Jurisdição Superior: exercida pelo órgão que conhece da causa em grau de 
recurso. Fala-se em competência recursal. (2ª Instância); (competência originária 
dos Tribunais); 
 
• Jurisdição Contenciosa e Voluntária ou Graciosa 
 Com relação a Jurisdição, vimos que: 
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a. seu objetivo é a composição dos conflitos de interesses qualificados por uma 
pretensão resistida, ou seja, existe a ideia de contenda, contestação, litígio, 
oposição; 
b. pressupõe a existência de partes, o sujeito ativo, titular da pretensão 
subordinante ou protegida pelo direito e o sujeito passivo ou titular da 
pretensão subordinada, denominados autor e réu; 
c. possibilidade do contraditório, ou seja, ao réu é dada a oportunidade de 
defender-se, contrariar a sujeição pretendida pelo autor; 
d. decisões fazem coisa julgada, ou seja, as decisões proferidas em decorrência do 
conflito de interesses torna-se imutável ou irrevogável, quando transitada em 
julgado, tendo assim colocado fim ao exercício da função jurisdicional; 
 
Dessas características podemos definir a jurisdição voluntária ou graciosa: 
1) É a atividade aditiva do Poder Judiciário destinada a tutela direitos individuais em 
determinados negócios ou atos jurídicos, segundo previsão taxativa em lei; 
2) Administração de interesses privados pelos órgãos jurisdicionais; 
 
 A Jurisdição Voluntária versa sobre interesses que não estão em conflito.