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Guia de campo PNT

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ecológi-
cos sobre a espécie ainda são escassos, o que difi -
culta a execução de estratégias para seu manejo e 
controle.
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Alguns efeitos das jaqueiras sobre a fauna e fl ora local:
• Altera a composição química e estrutural da serrapilheira;
• Altera a composição do solo;
• Possui dominância sobre espécies vegetais nativas brasileiras;
• Ação alelopática;
• Diminui a riqueza e modifi ca a composição de espécies de anfíbios e mamíferos.
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GUIA DE CAMPO DO PARQUE NACIONAL DA TIJUCA GUIA DE CAMPO DO PARQUE NACIONAL DA TIJUCA
PLACA 07
Função das Florestas
A fl oresta absorve e armazena grande parte da água da chuva, funcionando como uma esponja. Aos poucos, essa água acu-
mulada vai sendo liberada através das nascentes que, por sua vez, vão alimentar os rios. (P07)
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 Os deslizamentos de terra incluem um con-
junto de movimentos do solo, com escorregamen-
to de materiais, como solo, rochas, vegetação e até 
mesmo construções. Muito comuns em áreas de re-
levo acidentado, como as encostas, ocorrem quan-
do as precipitações são absorvidas parcialmente pe-
lo solo, mas parte da água da chuva se locomove em 
forma de enxurrada na superfície do terreno. A água 
que se infi ltra no solo se confronta com alguns tipos 
de rochas impermeáveis, não encontra passagem e 
NOTA PARA O PROFESSOR: A ocupação agrícola na área do Parque Nacional da Tijuca teve início no 
século XVII com plantações de cana de açúcar e nos séculos XVIII e XIX foi dominada pelo ciclo do ca-
fé. O cultivo do café tomou conta das encostas da cidade, desmatando a fl oresta nativa e difi cultando a 
água das chuvas de penetrar no solo e levando sedimentos para dentro dos rios. Isso diminuiu a vazão dos 
rios, levou uma água suja às fontes que abasteciam a cidade e iniciou uma gran-
de seca para a população carioca da época. Com a proposta de sanar o proble-
ma, D. Pedro II ordenou ao Major Manoel Gomes Archer e a Tomás Nogueira da 
Gama que replantassem as matas nas encostas utilizando espécies nativas e exó-
ticas consorciadas. É possível que a introdução das jaqueiras na área que atual-
mente conhecemos como Parque Nacional da Tijuca tenha ocorrido durante es-
se refl orestamento.
Alguns efeitos das dracenas sobre a fl ora local:
• Difi culta a chegada de propágulos das nativas ao solo;
• Difi culta a germinação e/ou estabelecimento de propágulos de outras espécies;
• Competição interespecífi ca ou possível alelopatia.
OBS.: A placa 06 está danifi cada e foi retirada da trilha. 
Como controlar a invasão de exóticas?
• Impedir diretamente a introdução da espécie;
• Detectar espécies com grande potencial de tornarem-se invasoras;
• Evitar o cultivo ou criação de espécies já diagnosticadas como potenciais invasoras em outros locais;
• Erradicar as espécies invasoras já instaladas;
• Quando a erradicação não é aplicável manter o controle da espécie.
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começa acumular-se em único local, tornando, dessa 
forma, o solo saturado de umidade. O solo não con-
segue suportar e se rompe, desencadeando o desli-
zamento de terras nas encostas até a base dos mor-
ros. Esse processo pode ocorrer em locais onde não 
há ocupação humana, no entanto a maior ocorrência 
é em terrenos onde houve a retirada da cobertura ve-
getal, deixando o solo sem sustentação.
NOTA PARA O PROFESSOR: Para alunos de todos os anos da Educação Bá-
sica é importante mostrar a relação entre a cobertura vegetal de um terreno e a 
ocorrência de deslizamentos, especialmente no Rio de Janeiro onde há incidên-
cia de deslizamentos de norte ao sul do estado, todos os anos. O professor pode 
destacar para os alunos os motivos que podem causar deslizamentos em encostas 
e morros urbanos, evidenciando o crescimento desordenado das cidades, com a 
ocupação de novas áreas de risco.
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IG PLACA 08
Paredão Rochoso
Em áreas montanhosas, muitas vezes o solo se constitui de uma fi na camada sobre a rocha. Ainda assim, graças aos nutrien-
tes e à umidade armazenada na serrapilheira, é possível o crescimento de vegetação de porte alto e de numerosos arbustos. 
Observe que, neste paredão rochoso, a umidade proporciona o crescimento de pequenas plantas: são algas, musgos, líquens 
e samambaias, plantas primitivas do reino vegetal. (P08)
 Um aspecto que encanta os visitantes da Flo-
resta da Tijuca é a observação do belo tapete verde 
que cobre barrancos, pedras, muros, troncos de ár-
vores e até o solo dos lugares mais protegidos. Es-
te tapete é composto pelas plantas verdes terrestres 
mais simples e primitivas – as briófi tas. Elas foram as 
primeiras plantas a se fi xarem no ambiente terrestre, 
aproveitando a camada de solo produzida pelos lí-
quens. Foram importantes na modifi cação da atmos-
fera terrestre trocando o gás carbônico (que utilizam 
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GUIA DE CAMPO DO PARQUE NACIONAL DA TIJUCA GUIA DE CAMPO DO PARQUE NACIONAL DA TIJUCA
para fazer as substâncias que formam seu corpo) pelo 
oxigênio, o que permitiu a instalação dos animais no 
ambiente terrestre. As briófi tas crescem rapidamente 
e quando morrem se transformam em húmus, o que 
torna o solo muito fértil, possibilitando o crescimento 
de plantas mais complexas como as samambaias e as 
plantas com fl ores.
 No Parque Nacional da Tijuca, as briófi tas são 
importantes na manutenção da umidade do solo, tan-
to absorvendo a água da chuva como difi cultando sua 
evaporação graças à formação de uma camada úmi-
da entre esse “tapete” e o substrato. Elas também co-
laboram na redução da erosão do solo absorvendo a 
água que cai sobre elas e evitando o impacto repeti-
tivo da chuva sobre o solo da fl oresta. Podemos reco-
nhecer na Floresta da Tijuca três tipos de briófi tas, as 
hepáticas, os antóceros e os musgos. As hepáticas 
(plantas de talos verde escuro, largos e espessos) e os 
antóceros (de cor verde mais clara, menores e mais 
frágeis). Ambos possuem talos rastejantes semelhan-
tes a fi tas verdes com borda quase sempre ondulada, 
e que se dividem dicotomicamente (sempre em duas 
partes). Estão sempre agarrados aos substratos atra-
vés de estruturas simples, os rizoides, que também 
absorvem a água do solo. Na superfície do talo pode-
mos ver pequenas estruturas, os poros aeríferos por 
onde o ar entra para as camadas interiores.
 Enquanto as hepáticas e os antóceros são en-
contrados apenas em fl orestas ou parques de lugares 
úmidos como o Jardim Botânico, o Parque Lage, o Par-
que da Cidade, o terceiro tipo de briófi tas , os musgos, 
podem ser encontrados em qualquer lugar com som-
bra e terra úmida. Parecem um tapete verde com al-
guns milímetros de altura e podem ser facilmente ob-
servados nos xaxins em que se cultivam samambaias. 
Na Floresta da Tijuca além destes, encontramos mus-
gos maiores, alguns com até cerca de oito centímetros 
de altura. Parecem arvorezinhas, eretas com uma es-
trutura central – o caulídio de onde saem os fi lídios – 
pequenas “folhinhas” com escamas que absorvem a 
água tanto da chuva quanto da névoa tão comum nas 
fl orestas. Em época de seca, os musgos conseguem 
manter a umidade fechando os fi lídios em torno do 
caulídio, diminuindo a evaporação da água.
 Os termos caulídio, fi lídio e rizóide são usa-
dos porque os musgos não têm caules, folhas e raízes 
verdadeiras (eles não possuem vasos condutores de 
água e seiva elaborada – xilema e fl oema). Por essa ra-
zão também não podem crescer como