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A PSICOPEDAGOGIA NA FORMAÇÃO

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aprendizagem, muitas vezes com 
uma ideia errada do que realmente essas dificuldades representam. 
Nesse trabalho compreendemos e que dificuldades de aprendizagem envolvem o 
processo de ensino-aprendizagem, explicitando um conjunto de movimentos que impedem 
que o sujeito desenvolva certas habilidades durante esse processo. Esses movimentos podem 
ser gerados por fatores orgânicos ou externos. 
Nesse sentido, a professora A, quando questionada quanto a sua concepção de 
dificuldades de aprendizagem respondeu, “[...] dificuldades de aprendizagem são de diversas 
ordens, elas são originadas de diversos fatores, então, não pode se rotular [...] elas não são 
dificuldades propriamente do individuo, ou seja, elas são provocadas por várias situações que 
vão se colocando na vida da pessoa, e não são [...] a maioria das dificuldades da 
aprendizagem elas não nascem com a pessoa né, a não ser que elas sejam problemas da ordem 
física, problemas orgânicos [...] é uma coisa tão abrangente que é difícil até de dizer o que é 
exatamente uma dificuldade, uma dificuldade é uma complicação, é uma limitação que a 
pessoa possui de aprender que se apresenta em determinado tempo, em determinada situação 
e aí, nós também temos dificuldades de aprendizagem. (professora A)”. 
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Já a professora B, manifestou sua concepção dizendo que “a dificuldade de 
aprendizagem ela tem sido o viés de que tu vai superar que ela é momentânea... essas outras 
palavras que a gente usa do distúrbio, ela é uma causa orgânica.” 
Assim, evidenciamos que as professoras envolvidas na pesquisa seguem a mesma 
concepção sobre dificuldade de aprendizagem, no entanto, a professora A acredita que os 
problemas de ordem orgânica também são considerados dificuldades de aprendizagem e a 
professora B denomina esse problema como sendo um distúrbio. 
Logo, acreditamos que é preciso se ter conhecimento fundamentado e específico para 
a construção e reconstrução de concepções acerca da aprendizagem humana, buscando 
sempre acrescentar à trajetória do processo formativo de psicopedagogos. 
Concepções de leitura e escrita 
A nossa sociedade vê a da leitura e da escrita como sendo um ato meramente 
mecânico, que serve apenas como uma técnica que precisa de treinamento específico para sua 
aquisição. 
Nesse trabalho, a leitura e a escrita são vistas como a aquisição de habilidades que 
envolvem uma função social, que vai além de um ato mecânico, em que a criança precisa 
pensar e criar conflitos para a obtenção desse conhecimento. 
Nessa perspectiva, questionamos as professoras envolvidas sobre suas concepções de 
leitura e escrita. A professora A manifestou a sua concepção como sendo um processo em que 
se leva em conta o contexto social, “a leitura, ela pressupõe uma gama de interpretações do 
mundo, a leitura não é só a leitura da palavra, ela é a leitura do contexto todo... a leitura, não é 
a leitura do que ta escrito ali, é a leitura de tudo, o olhar, a mente ela se abre pra toda essa 
leitura.E a leitura do espaço, a leitura do contexto social, a leitura da...então a leitura vai 
abrangendo. Então a escrita, ela ta inserida aqui como uma forma de comunicação, então 
leitura e escrita são dois pólos que caminham juntos pra mim assim né, mas não 
necessariamente eu faço só leitura da escrita, eu leio muitas outras coisas. Agora eu escrevo 
também várias coisas de diferentes maneiras pra vários objetivos”. 
Já a concepção explicitada pela professora B sobre leitura e escrita foi, “[...] 
alfabetizar letrando, então eu não consigo conceber mais como termos distintos, pra mim eles 
se complementam... e a escrita a partir disso então, a alfabetização a gente sabe que não é 
apenas um processo de aquisição de uma habilidade cognitiva, ela vai além, são habilidades 
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que tu vai adquirir de leitura e escrita e o letramento às vezes as pessoas conceituam que é 
conhecer e fazer uso da função social da escrita, por isso que eu tento atrelar essas duas... a 
informação obtida através da participação em atos sociais, onde então a gente tem envolvido 
ler e escrever, e esse último tipo de informação pra mim é o mais rico porque ta relacionado a 
indagação da função social da escrita”. 
Nas narrativas anteriores evidenciamos que as professoras participantes da pesquisa 
têm concepções semelhantes acerca do processo de leitura e escrita, tendo essa uma função 
social que deve ter valor não só como aprendizagem escolar, mas como ferramenta que sirva 
para que o sujeito possa interpretar, questionar e opinar sobre o que lê e o que escreve. Para 
Ferreiro (2002, p.13) “ler e escrever são construções sociais. Cada época e cada circunstância 
histórica atribuem novos sentidos a esses verbos”. 
 Logo, o professor formador do professor alfabetizador precisa ter fundamentação 
teórica e experiência prática para encontrar soluções estratégicas adequadas para o ensino do 
processo da construção da leitura e escrita iniciais, na medida em que a aquisição desse 
processo constitui um marco na vida dos sujeitos que iniciarão sua escolarização. 
Considerações Finais 
A partir do estudo realizado pôde-se perceber a importância do professor formador do 
professor alfabetizador estar em constante formação, por ser o processo de construção da 
leitura e da escrita um processo complexo, que envolve muito mais que o simples ato 
mecânico e de treinamento. Dessa forma, acreditamos que a formação psicopedagógica é uma 
formação que pode auxiliar no processo formativo desses professores. 
Na análise do processo formativo dos docentes identificamos que a escolha pela 
profissão docente deu-se por uma opção pessoal, as professoras envolvidas na pesquisa 
tinham clareza da escolha dessa profissão. Logo, a procura pela especialização em 
psicopedagogia foi uma escolha consciente, que proporcionaria novas possibilidades de 
atuação e entendimento de novos conhecimentos. Evidenciamos que essa busca sempre foi 
vista como uma opção para que ambas continuassem a tecer seu processo formativo. Já que 
este envolve um processo dinâmico e contínuo de se constituir professor. 
Nas narrativas das professoras acerca das suas concepções sobre psicopedagogia 
verificou-se que ambas construíram seus conceitos levando em conta o processo de ensino-
aprendizagem, no entanto, conceituam a psicopedagogia de forma diferente. 
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Nesta direção percebemos a importância da compreensão acerca da aquisição da 
aprendizagem, pois cada ser cognoscente apreende um conhecimento de forma diferente que o 
outro e conceitua-o conforme seu entendimento, de acordo com o modo que internalizou as 
informações transmitidas. 
A partir da análise da concepção de dificuldades de aprendizagem das professoras 
observamos que ambas veem as dificuldades como algo que se apresenta no decorrer do 
processo de aprendizagem, ou seja, muitas vezes são provocadas por fatores externos ao 
sujeito. No entanto, diferem quanto ao considerar dificuldade ou não aquelas com 
características orgânicas, para uma das professoras os problemas de ordem orgânica 
caracterizam distúrbio. 
Quanto à concepção acerca da leitura e escrita, as professoras entrevistadas 
apresentaram o mesmo pensamento vendo a construção desse processo como uma ferramenta 
de caráter social, uma ferramenta para interpretação do que se lê e do que se escreve. 
Logo, tais concepções pressupõem uma reflexão sobre a aquisição do processo de 
leitura e escrita, esse processo precisa ser entendido não como um treinamento, uma 
manifestação mecânica de aprendizagem, mas sim, como um instrumento de busca pelo 
entendimento real de informações através da leitura crítica de mundo, questionando, pensando 
e compreendendo o que está sendo lido. 
Dessa forma, acreditamos que a formação em psicopedagogia de formadores de 
professores alfabetizadores, pode e precisa auxiliar no processo formativo desses formadores,