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BIM 5D Executivo

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são a incompatibilidade entre os projetos (arquitetura, estrutura, instalações, fachada, etc.) e 
os levantamentos quantitativos não apresentam seus valores com a devida precisão. 
Segundo Eastman et al (2011), um dos problemas mais comuns associados com a 
comunicação baseada em modelos em 2D durante a fase de projetos é o tempo e as despesas 
necessárias para se gerar as informações sobre o dado projeto, incluindo as estimativas de 
custo, analise do uso de energia, detalhes estruturais e assim por diante. Tais analises 
geralmente são feitas anteriormente, e muitas vezes já é tarde demais para que mudanças 
importantes sejam feitas no projeto. Por conta disso, as melhorias não acontecem durante a 
fase de projeto, comprometendo-o demais em função da engenharia necessária para se 
resolver as inconsistências apresentadas. 
A partir desse contexto o BIM (Building Information Modeling – Modelagem da 
Informação da Construção) surge com o objetivo de solucionar estes problemas crônicos em 
projetos, integrando todas as disciplinas envolvidas através de uma modelagem mais precisa e 
detalhada dos objetos que serão representados. 
O BIM apresenta uma proposta de modelo 4D, podendo chegar a 7D, que abandona a 
simples representação das linhas e passa a representá-los como uma associação de elementos, 
através da modelagem orientada por objetos. Os objetos passam a ser definidos, sendo 
atribuído a eles significado semântico e propriedades associadas. São estabelecidas ligações 
que definem o modo de interação dos elementos entre si e com o modelo global. Os objetos 
são organizados de modo que fiquem divididos por classes e por níveis de detalhe. 
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A compatibilização é uma das principais vantagens do sistema BIM, que engloba várias 
disciplinas da construção em um único protótipo. Sendo assim, as aplicações, alterações e 
decisões acerca dos projetos são feitas e presenciadas por todas as disciplinas. 
O foco central deste trabalho é que a utilização do BIM tende a ser uma excelente 
ferramenta para a elaboração e acompanhamento de um orçamento em comparação com 
outras tecnologias, pois o uso dele tornará o levantamento de quantidades de maneira mais 
precisa e o seu acompanhamento mais rápido, devido à facilidade de se analisar o projeto de 
acordo com o período pelo qual a obra está passando, sendo um bom auxílio na tomada de 
decisões. 
1.1 JUSTIFICATIVA 
Pouco se sabe sobre a utilização do BIM em outras disciplinas dentro da Engenharia 
Civil, como o da aplicação para o orçamento. Nos empreendimentos atuais, os orçamentos 
ainda são feitos baseando-se em dados muitas vezes imprecisos, retirados de representações 
em 2D, sendo estas ainda não totalmente concluídas pelos projetistas, devido ao curto tempo e 
a grande quantidade de especificações apresentadas. 
Um dos fatores primordiais para um resultado lucrativo e o sucesso do construtor é uma 
orçamentação eficiente. Quando o orçamento é malfeito, fatalmente ocorrem imperfeições e 
possíveis frustrações de custo e prazo. Aliás, geralmente erra-se para menos, mas errar para 
mais tampouco é bom. Por ser a base de fixação do preço do projeto, a orçamentação torna-se 
uma das principais áreas do negócio da construção. Um dos requisitos básicos para um bom 
orçamentista é o conhecimento detalhado do serviço. A interpretação aprofundada dos 
desenhos, planos e especificações da obra lhe permite estabelecer a melhor maneira de atacar 
a obra, e realizar cada tarefa, assim como identificar a dificuldade de cada serviço e 
consequentemente seus custos de execução (MATTOS, 2006). 
O trabalho de orçar uma obra exige bastante conhecimento do orçamentista, uma vez 
que se baseia na interpretação de vários desenhos contendo várias especificações. Além disso, 
esses desenhos são independentes, de forma que a modificação em um deles não irá refletir 
automaticamente no outro. Assim, não são raras as vezes em que o orçamentista deve reorçar 
a obra porque uma especificação de projeto foi alterada durante o processo orçamentário e 
não foi levada em consideração ao mesmo. Esse trabalho tende a tornar o orçamento 
tradicional impreciso. 
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O Quadro 1 a seguir relaciona a margem de erro do orçamento e o classifica de acordo 
com as informações contidas no projeto, relacionado por Avila et al. (2003): 
Quadro 1: Comparativo das relações do projeto e orçamento (Fonte: AVILA, 2003) 
Tipo Margem de Erro Elementos Técnicos Necessários 
Avaliações 30% a 20% 
Área de Construção 
Padrão de Acabamento 
Custo unitário de obra semelhante ao custo unitário básico 
Estimativas 20% a 15% 
Anteprojeto ou projeto indicativo 
Preços unitários de serviços de referência 
Especificações genéricas 
Índices físicos e financeiros de obras semelhantes 
Orçamento Expedido 15% a 10% 
Projeto executivo 
Especificações sucintas, mas, definidas 
Composições de preços e serviços genéricas 
Preços de insumos de referência 
Orçamento Detalhado 10% a 5% 
Projeto executivo 
Projetos complementares 
Especificações precisas 
Composições de preço e serviço específicas 
Preços de insumos de acordo com a escala de serviços 
Orçamento Analítico 5% a 1% 
Todos os elementos necessários ao orçamento detalhado 
mais o planejamneto da obra 
Tendo em vista o quadro apresentado acima, com o uso do BIM os principais –
participantes do projeto estão envolvidos desde o primeiro momento prático da sua 
concepção. Portanto, suas atualizações são automáticas porque o modelo contém informações 
de todos os projetos em um único arquivo. Essa nova abordagem apresentada pelo BIM faz 
com que os orçamentos sejam mais precisos em comparação ao método tradicional, 
permitindo também maiores alternativas para o projeto, não sobrecarregando demais a 
atividade da orçamentação. 
O BIM ainda é muito pouco difundido entre os profissionais da Construção Civil. Nos 
EUA e países da Europa, ele já é uma realidade consolidada desde o final da década de 1980, 
tendo muitos resultados satisfatórios, dos quais se destacam nas áreas de geração de 
quantitativos mais precisos de materiais e serviços, compatibilização de projetos e o 
planejamento e controle da produção. 
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Este trabalho, portanto, se justifica na intenção de querer apresentar, difundir e espalhar 
para a comunidade da Engenharia Civil esta nova plataforma que, segundo Vasconcelos 
(2010), possui um grande potencial como solução para as principais causas de atrasos e 
desperdícios na fase de execução, eliminando os erros em informações sobre tipos e 
especificações de determinados materiais e as contradições entre documentos. 
1.2 OBJETIVOS 
1.2.1 Objetivo Geral 
Avaliar a aplicação da modelagem 5D na elaboração de orçamento executivo. 
1.2.2 Objetivos Específicos 
Os objetivos específicos desse trabalho são os seguintes: 
1. Conhecer as características e aplicações de ferramentas de modelagem da 
informação da construção e do orçamento na construção civil; 
2. Aplicar o BIM para elaboração de orçamento executivo através de um estudo 
de caso; 
3. Avaliar os resultados obtidos pela aplicação do BIM na elaboração de 
orçamento executivo. 
1.3. ESTRUTURA DO TRABALHO 
No capítulo 1 será feita uma breve introdução sobre o tema abordado dentro do atual 
contexto da indústria da construção civil brasileira. 
No capítulo 2 será feita uma revisão bibliográfica sobre orçamento na construção civil, 
sendo apresentados seus conceitos, etapas realizadas, aplicações e das falhas que o modelo 
tradicional apresenta. 
Já o capítulo 3 será outra revisão bibliográfica sobre a Modelagem da Informação da 
Construção (BIM), seus conceitos, aplicações dentro da