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R   D   MARCELO MINO SAKAMORI

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na 
utilização da ferramenta “linha de base”: todos os valores das linhas de base dos 
custos são alterados, de modo que é impossível analisar os desvios entre as 
curvas do Valor Planejado (VP) e do Custo Realizado (CR). Isto porque durante 
a utilização da ferramenta “linha de base”, os dados do valor planejado (VP) são 
atualizados com os valores da linha de base do custo realizado (CR). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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5 CONCLUSÃO 
Esta dissertação teve o foco no estudo do processo da extração de 
quantitativos e a incorporação de custos durante a modelagem em BIM de uma 
edificação. Para a demonstração deste processo, o trabalho foi dividido em cinco 
etapas principais: a modelagem de uma edificação com a incorporação de um 
“keynote” ou “nota chave” em cada um de seus elementos construtivos, seguida 
pela a extração dos quantitativos do modelo, a incorporação aos quantitativos 
dos custos das atividades, execução do planejamento da obra e, por fim, a 
simulação da modelagem 5D. 
Primeiramente, foi realizado – com o objetivo de fornecer ao leitor o 
embasamento teórico à adequada compreensão do trabalho - um estudo 
referencial teórico-conceitual abordando conceitualmente cada uma das 
atividades compreendidas pelo mesmo. Após a apresentação de todos os 
conceitos, foram apresentados os casos e em seguida estudados os casos 
propostos. 
Os casos selecionados foram todos realizados pela mesma equipe de 
projetistas. Em cada caso o processo de modelagem 5D passou por constantes 
aperfeiçoamentos, através da adoção de novas técnicas e ferramentas. No 
último caso analisado, foi realizada a observação direta de todo o processo da 
modelagem 5D. Nos demais casos foi realizado somente um estudo sobre os 
trabalhos desenvolvidos. 
O processo não é automatizado em todas as fases, de modo que ainda 
é exigida a intervenção humana. Todavia, as atividades que exigiriam maior 
quantidade de trabalho humano, como por exemplo, o levantamento das 
quantidades das necessárias às atividades previstas ao projeto, foi realizado 
pelo software. A inserção das planilhas de custos, por sua vez, foi realizada de 
forma manual: cada planilha deve ser convertida e atualizada dentro da planilha 
orçamentária. 
O banco de dados utilizado no trabalho é a tabela SINAPI, a qual apesar 
de ser uma excelente ferramenta para a aferição dos custos de uma obra, 
apresenta algumas falhas de comunicação entre as planilhas que compõem o 
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banco de dados, o que gera dados inconsistentes. Uma das falhas detectadas 
no processo é a inconsistência dos dados nas três planilhas fornecidas pela CEF: 
“Catálogo de Composições Analíticas”, “Custo de Composições” e “Preços de 
Insumos”. Ao utilizar os dados das planilhas “Custo de Composições” e “Preços 
de Insumos” na planilha “Catálogo de Composições”, há incoerências entre o 
valor obtido e o valor que está listado na planilha “Custo de Composições”. O 
formato de apresentação dos arquivos em pdf, por sua vez, dificulta muito o 
lançamento dos dados dentro do banco de dados. 
Outros bancos de dados podem ser utilizados no processo de 
levantamento de custos da edificação. Mas para que isto seja possível, estes 
devem possuir códigos específicos para cada elemento construtivo da 
edificação. Em outras plataformas BIM, o fluxo de trabalho pode ser alterado, de 
modo que é necessário analisar caso a caso os meios pelos quais pode ser feita 
a exportação dos dados levantados no modelo para o banco de dados de custo 
da empresa. 
O levantamento das quantidades realizadas pelo software não exime a 
necessidade de um profissional verificar se estas estão corretas, visto que, na 
apresentação de um elemento sem um “keynote” ou “código chave”, o elemento 
quantificado não será exportado para o banco de dados. Um processo adicional 
ao levantamento de quantitativos é a aferição de todos os elementos. Estes 
devem ser verificados para que a sua identificação e esteja de acordo com a 
especificação definidas no escopo do projeto. 
A utilização dos dados levantados no processo de levantamento de 
custos do empreendimento possibilita a análise de diferentes cenários de fluxo 
de caixa e de procedimentos relativos à execução do empreendimento. 
Pode-se concluir que a adoção da modelagem 5D em um 
empreendimento otimiza o processo de levantamento de custos, pois todos os 
quantitativos são extraídos diretamente do modelo. Minimiza-se a intervenção 
humana durante todo o processo, o que leva a uma menor ocorrência de erros. 
Todavia, o processo necessita que a análise dos dados levantados seja feita por 
um profissional, pois um erro na modelagem 3D certamente incorrerá em erros 
dos dados na modelagem 5D. 
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Todo o levantamento de custos apresenta certo grau de imprecisão. 
Com a utilização da modelagem 5D, todo o processo de levantamentos de 
quantitativos é automatizado e realizado pelo software, o que diminui o grau de 
incerteza de todo o processo. O nível de precisão dos quantitativos obtidos no 
modelo depende do grau de desenvolvimento do projeto. Quanto maior é o 
estágio de desenvolvimento do projeto, mais preciso é o levantamento de 
quantitativos. 
Durante o processo de conclusão do trabalho, verificou-se a 
necessidade de acrescentar estudos sobre como efetuar um controle de custo 
mais eficiente por meio da análise ABC e do estudo do valor agregado (EVA), 
duas ferramentas eficientes e de simples compreensão. A modelagem 5D não 
deve ficar restrita apenas ao levantamento dos custos e à simulação do fluxo de 
caixa de um empreendimento, mas deve fornecer parâmetros para que todo o 
processo de gerenciamento de custos possa ser controlado. 
Ao se fazer a análise ABC é possível determinar quais as atividades são 
mais impactantes no custo total do empreendimento. A partir desta análise 
define-se de que maneira cada atividade vai ser controlada. Utilizando-se esta 
metodologia de classificação, aprimora-se a eficiência do controle, diminuindo a 
demanda de recursos necessários à obtenção um grau razoável de controle do 
empreendimento. 
Além das atividades, os insumos e serviços também podem ser 
controlados servindo como uma linha de base para que o responsável pelas 
aquisições do projeto possa fazer uma boa gestão de suas aquisições. 
O estudo do valor agregado (EVA) é uma ferramenta de controle 
eficiente desenvolvido pelas forças armadas estadunidenses, utilizada no 
controle dos seus projetos bélicos. Nesta dissertação, esta ferramenta foi 
utilizada para o desenvolvimento de um template para o controle de um projeto 
de construção civil. Particularmente para este estudo, foi simulado um cenário 
para a verificação do funcionamento do template, cuja aferição será proposta 
como uma das recomendações para futuros trabalhos. 
Conclui-se que a utilização da modelagem 5D em empreendimentos de 
construção civil é uma boa ferramenta para o levantamento de custos, pois 
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fornece aos stakeholders dados consistentes desde as fases preliminares do 
projeto até suas fases finais. Estes dados são de grande utilidade ao 
incorporador para a análise de viabilidade econômica do empreendimento. Os 
estudos complementares de análise ABC e Estudo de Valor Agregado (EVA) 
revelaram-se aderentes à prática de modelagem 5D, fornecendo à empresa 
construtora importantes ferramentas para o controle de suas atividades, 
diminuindo os riscos financeiros do empreendimento de construção civil. 
Vale ressaltar que esta não é a única forma de realizar de uma 
modelagem 5D, embora este seja um processo de baixo custo de implantação 
atenda a todos os requisitos da modelagem 5D. Como a indústria AEC brasileira 
é composta em maioria por pequenas e médias empresas, onde investimentos 
para a implantação de novas tecnologias são limitadas, este é um processo de 
uso viável.