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estatuto da criança e do adolescente

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que deverão 
ter os mesmos direitos e qualificações, sem designações discriminatórias 
relativas à filiação. 
 
 
 
 
 
Curso Preparatório para OAB 2ª Fase Civil 
Professora Franciele Kühl 
 
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DISPOSIÇÕES GERAIS: SISTEMA DE DIREITOS E GARANTIAS 
 
 Antes de falarmos sobre questões mais principiológicas, é necessário 
estabelecermos a classificação de crianças e adolescentes, que será de acordo 
com a sua idade: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 O critério estabelecido pelo legislador é objetivo, CRIANÇAS são aquelas 
de até 12 anos INCOMPLETOS, já os ADOLESCENTES, são aqueles de 12 
anos até 18 anos INCOMPLETOS, em outras palavras, criança é o ser humano 
até 11 anos completos e o adolescente é o ser humano de 12 anos completos 
até 17 anos completos. 
 Além do Estatuto da Criança e do Adolescente, há também o Estatuto da 
Juventude, regulado pela Lei 12.852/2013, que estabelece em seu artigo 1º, §§1º 
e 2º, que são considerados jovens as pessoas com idade entre 15 a 29 anos de 
idade, todavia, aplicando-se o ECA prioritariamente aos jovens de 15 a 18 anos 
de idade. 
Lembrando que são penalmente inimputáveis os menores de dezoito 
anos, os quais, estão sujeitos às normas da legislação especial (o Estatuto da 
Criança e do Adolescente). 
 
 
 
 
 
 
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Enunciado 530 da Jornada de Direito Civil: A emancipação, por si só, não 
elide a incidência do Estatuto da Criança e do Adolescente. 
 
3.1 Criança e adolescente como sujeitos de direitos: 
 
De acordo com o artigo 3º, a criança e o adolescente gozam de todos os 
direitos fundamentais inerentes à pessoa, sem prejuízo da proteção integral de 
que trata o estatuto, assegurando-lhes, por lei ou por outros meios, todas as 
oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, 
mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. 
A Lei 13.257/2016 (Marco legal da 1ª Infância), inseriu o parágrafo único, 
no artigo 3º, reforçando que os direitos enunciados no Estatuto da Criança e do 
Adolescente aplicam-se a todas as crianças e adolescentes, sem discriminação 
de nascimento, situação familiar, idade, sexo, raça, etnia ou cor, religião ou 
crença, deficiência, condição pessoal de desenvolvimento e aprendizagem, 
condição econômica, ambiente social, região e local de moradia ou outra 
condição que diferencie as pessoas, as famílias ou a comunidade em que vivem. 
No mesmo sentido, o artigo 5º, reforça que é dever de todos prevenir que 
qualquer criança ou adolescente seja vítima de alguma forma de negligência, 
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, devendo, nesses 
casos, ser punido na forma da lei qualquer atentado aos direitos fundamentais, 
seja por ação ou omissão. 
 
3.2 Direito à prioridade absoluta: 
 
O princípio da prioridade absoluta, está legalmente previsto no artigo 4º, 
do estatuto, bem como, no artigo 227, da Constituição Federal: 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Crianças e adolescentes precisam ser o foco principal, tanto do Poder 
Executivo, na destinação de verbas para amparo à família e à criança ou 
adolescente em situação de risco, assim como, o Poder Legislativo precisam 
priorizar a elaboração e votação de leis com prioridade total, e o Poder Judiciário 
deve garantir que os processos que envolvem crianças e adolescentes sejam 
céleres e que tenham juízes comprometidos (NUCCI, 2017, p.8). 
 Importante ressaltar que não há desrespeito à igualdade de todos, no 
princípio da prioridade absoluta de crianças e adolescentes, muito pelo contrário, 
“há sim o respeito pela diferença entre os sujeitos de direito, pois elas são a 
própria exigência da igualdade. A igualdade por sua vez consiste em tratar, 
igualmente os iguais, e desigualmente os desiguais, na proporção que se 
desigualam” (NUCCI, 2017, p. 9), não ferindo, portanto, o princípio da igualdade. 
 Ainda, importante mencionar o artigo 6º, do estatuto, o qual irá destacar 
que a interpretação do estatuto deve levar em conta os fins sociais a que ela se 
dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos 
e a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em 
desenvolvimento. Essa interpretação, portanto, devem assegurar a proteção 
integral e a prioridade absoluta. 
 
 
 
 
 
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DIREITO FUNDAMENTAL: À VIDA E À SAÚDE (Arts. 7º a 14): 
 
Em consonância com os princípios gerais de Direitos Humanos, adotados 
pelos pactos internacionais, os direitos fundamentais à vida e à saúde, estão 
contemplados expressamente no artigo 7º, que diz “A criança e o adolescente 
têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais 
públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, 
em condições dignas de existência”. 
 Articulado com o direito de 1ª e 2ª dimensão: 
Os direitos fundamentais de primeira dimensão, são os direitos civis e 
políticos, inerentes à individualidade, referem-se ao direito à vida, à uma 
nacionalidade, à liberdade de movimento, à liberdade religiosa, à liberdade 
política, à liberdade de movimento, liberdade de opinião, o direito de asilo, à 
proibição de tortura ou tratamento cruel, desumano ou degradante, à proibição 
da escravidão, ao direito de propriedade e à inviolabilidade de domicílio, 
vinculam-se ao princípio da liberdade (GORCZEVSKI, 2009, pp.132-133). 
 Os direitos de segunda dimensão estão ligados aos direitos sociais, 
econômicos e culturais (Wolkmer, 2010, p. 16), vinculam-se ao princípio da 
igualdade, exigem uma prestação positiva do Estado, o qual deve propiciar as 
condições necessárias para que sejam desfrutados, como o direito ao trabalho, 
a proteção contra o desemprego, assistência contra invalidez, direito de 
sindicalização, direito à educação e cultura, à saúde, seguridade social, direito à 
educação e ter um nível adequado de vida (GORCZEVSKI, 2009, pp.133-134). 
 Estão ligadas as determinações constitucionais específicas de aplicação 
de percentual de recursos para a saúde na assistência materno-infantil e na 
criação de programas para crianças e adolescentes com deficiência física, 
mental ou sensorial (art. 227, §1º, I e II, CF). 
 O legislador preocupou-se em garantir os direitos da infância desde a fase 
gestacional, incluindo o planejamento reprodutivo: 
 
 
 
 
 
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 A partir da lei da 1ª infância, a gestante tem direito a ter garantida sua 
vinculação, no último trimestre da gestação, ao estabelecimento em que será 
realizado o parto, garantido o direito de opção da mulher (art. 8, ECA). 
 Essas mães terão asseguradas pelo poder público, assistência 
psicológica, para prevenir o estado puerperal, assistência para aquelas que tem 
interesse em entregar seus filhos para adoção e para auxiliar mães que estejam 
em situação de privação de liberdade. O poder público, a partir da Lei n. 
13.257/2016, deverá garantir à mulher com filho na primeira infância que se 
encontrem sob custódia em unidade de privação de liberdade, ambiência que 
atenda às normas sanitárias e assistenciais do Sistema Único de Saúde para o 
acolhimento do filho, em articulação com o sistema de ensino competente, 
visando ao desenvolvimento integral da criança (Art. 8º, §§ 2, 4, 5 e 10, ECA). 
 Em relação às mulheres que desejam entregar seus filhos para adoção, 
estas serão obrigatoriamente encaminhadas, sem constrangimento, à Justiça da 
Infância e da Juventude, de acordo com o artigo 13, §1º, do ECA. 
 Quando as garantias de aleitamento materno, o artigo 9º, do ECA, traz 
que o poder