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DIREITO DE FALÊNCIA E RECUPERAÇÃO DE EMPRESA

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DIREITO DE FALÊNCIA E RECUPERAÇÃO DE EMPRESA
SUMÁRIO 
Unidade 1 | 
Teoria Geral do Direito Concursal                               	          Seção 1.1 - Introdução Seção 1.2 - Legitimidade e Critério de definição do principal estabelecimento Seção 1.3 - Prevenção, Litispendência, Modificação de Competência. Universalidade e Ações excluídas do procedimento Concursal 7 8 19 35 Unidade 2 | Recuperação judicial e meios de recuperação Seção 2.1 - Recuperação judicial e meios de recuperação Seção 2.2 - Processo de Recuperação Seção 2.3 - Administração da recuperação judicial: órgãos de recuperação da empresa. Recuperação de microempresas e EPP e recuperação extrajudicial 53 55 69 85 Unidade 3 | Falência Seção 3.1 - Teoria geral do direito falimentar - fases e pressupostos do pedido de falência. Fase pré-falimentar Seção 3.2 - Fases falimentar e pós-falimentar Seção 3.3 - Efeitos com relação à pessoa do falido, bens, contratos, bens do Falido e regime jurídico dos credores do falido 109 111 126 142 Unidade 4 | Tópicos especiais em direito empresarial e concorrencial Seção 4.1 - Liquidação extrajudicial Seção 4.2 - Insolvência civil Seção 4.3 - Arbitragem e mediação empresarial e movimentos associativos empresariais 161 164 179 194
Seção 1.1
INTRODUÇÃO
Caro aluno, iniciamos nesse instante o nosso estudo da Recuperação Judicial e Falências. Inicialmente, gostaríamos de enfatizar a importância do estudo dos procedimentos relacionados à crise de sociedades empresariais, que se faz presente ao longo de toda a história, seja por crises econômicas, alterações legislativas, mudança de rumos dos negócios ou aspectos econômicos. Em momentos de dificuldades, as partes devem ter o aparato jurídico necessário para ultrapassar as barreiras que impedem a sua continuidade, ou, até mesmo, ter consciência de que, talvez, deva-se encerrar as atividades e pagar os credores com os ativos que sobraram e se reabilitar para a prática de atos após decorridos os prazos previstos em lei. 
No entanto, para um melhor entendimento e para contextualização do conteúdo técnico, temos primeiro que definir e fixar os conceitos para compreensão do que seriam os procedimentos concursais, quais os seus objetivos, a sua evolução ao longo do tempo e também as espécies de crises que uma empresa pode viver, além de ressaltar as situações que são tuteladas pelo Direito. 
Portanto, é importante a fixação desses conceitos, que serão essenciais para a sequência dos trabalhos. A seguir, retomaremos o caso envolvendo a empresa Franco Transformadores Industriais Ltda. 
Assim que assumiu a empresa, João Franco solicitou à contabilidade a DRE – Demonstração de Resultados do Exercício, documento contábil que indica os resultados da empresa no último ano, e se deparou com uma situação inesperada e alarmante: embora a empresa possua vasto patrimônio mobiliário e imobiliário, a Demonstração de Resultados indicava um passivo financeiro expressivo. Pela análise, constatou-se ainda que a situação já vinha se deteriorando nos últimos anos. A empresa também possuía muitas dívidas bancárias e com fornecedores, mas não conseguiu vender parte do seu patrimônio. Constatou ainda que parte do parque industrial se encontrava desativado, em razão dos bens serem ultrapassados. Percebeu também que a empresa atrasava constantemente a entrega de pedidos, pois não possuía empregados e maquinário suficiente para cumprir os prazos. 
João Franco tomou conhecimento de que, além de ações individuais dos fornecedores, qualquer um deles que cumprisse os requisitos da lei poderiam requerer a Falência da Empresa. Ficou sabendo ainda que a empresa tinha patrimônio, mas o seu maior problema era de fluxo de caixa, já que o faturamento da empresa não era suficiente para honrar a pontualidade dos pagamentos. Contudo, caso João se apressasse em fazer os levantamentos e oferecer soluções, poderia ajuizar Recuperação Judicial. Neste sentido, na condição de advogado consultado para este fim, defina para o seu cliente se o problema dele seria de insolvência, inadimplência ou insolvabilidade e em qual(is) espécie(s) de crise financeira ele se enquadra. 
Não pode faltar O Direito Brasileiro baseia-se no aspecto obrigacional do cumprimento de obrigações, das consequências da sua inexecução e dos meios de coerção para o seu cumprimento. Das obrigações representadas em contratos, títulos de crédito, por atos ilícitos, pelas relações de parentesco e pelo dever de pagar os empregados e pessoas sujeitas à relação de trabalho e de pagar impostos, todas elas, inicialmente, preveem normas que partem de um pressuposto de que existe capacidade para cumprimento das obrigações. 
Todavia, a partir do momento em que não existe mais possibilidade patrimonial ou financeira de honrar as obrigações assumidas, o Direito deve também proporcionar às partes uma forma de solucionar a questão. 
Embora existam diferenças culturais quanto à assimilação desse momento de crise e de descumprimento de obrigações, de modo geral, a dificuldade em cumprir os compromissos sempre foi vista pela sociedade com grande discriminação. 10 U1 - Teoria geral do direito Concursal 
	Como notícia, a insolvência é encarada pelas pessoas como um motivo de desonra é infâmia, “um estado análogo ao crime, uma nódoa indelével na história de uma pessoa” (MAMEDE, 2008, p.2. Lembra o mesmo autor que, ao longo da história, a dificuldade em cumprir sempre foi vista dessa forma, e se faz presente até mesmo na literatura, como a passagem da obra “O mercador de Veneza”, de William Shakespeare, especialmente na passagem relacionada ao personagem Shulock, agiota descrito pelo autor como uma pessoa fria e impiedosa com seus devedores.
	
Como notícia, a insolvência é encarada pelas pessoas como um motivo de desonra
 e infâmia, “um estado análogo ao crime, uma nódoa indelével na história de uma pessoa” (MAMEDE, 2008, p.2. Lembra o mesmo autor que, ao longo da história, a dificuldade em cumprir sempre foi vista dessa forma, e se faz presente até mesmo na literatura, como a passagem da obra “O mercador de Veneza”, de William Shakespeare, especialmente na passagem relacionada ao personagem Shulock, agiota descrito pelo autor como uma pessoa fria e impiedosa com seus devedores.
	Reflita
	O autor Mamede (2008, p. 2), defendendo o direito da pessoa de empreender, falhar, fracasso e insucesso e da recuperação, pondera:
	O tratamento da insolvência e do insolvente (o que inclui o falido) não prescinde dessa constatação, a recomendar mais compaixão do que escárnio. Poucos se mostram, todavia, capazes de perceber o drama que está por traz da insolvência, da humilhação a que se submete o insolvente, o falido, sua baixa estima, seu sentimento de fracasso.
Por outro viés, observa o mesmo autor que:
	Não se pode simplesmente descartar a possibilidade de a insolvência ser resultado de atos dolosos de desonestidade, de deliberada vontade de passar os credores para trás. Pode ser, igualmente, um estado a que se chega por culpa grave, isto é, por desídia extrema para com os negócios, imprudência exagerada na sua condução etc. Pode mesmo ser o resultado de abusos perpetrados pela pessoa, em desaproveito da segurança alheia. Isto ocorre e, infelizmente, não é raro.
Para arrematar, o mesmo autor conclui:
	O fracasso é um elemento intrínseco à iniciativa, ao negócio. Com efeito, há, em toda ação humana, uma esperança de sucesso e um risco, mesmo não de sucesso e um risco, mesmo não considerado, de fracasso. Ser humano é conviver, mesmo inconscientemente, com riscos. Risco pelo que se faz e, mesmo pelo que não se faz. Risco que segue com aquele que parte, mas que não abandona aquele que fica. Viver é estar submetido ao risco, o que não é bom, nem ruim: é apenas próprio da existência e deve ser entendido como tal.
Esses paradigmas relacionados às crises das empresas e à busca de soluções para reerguimento ou afastamento das empresas que não se recuperem ou que prejudicam o mercado em que atuam, justificam que o Direito tutele as relações