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Teoria Geral do Processo Penal

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de justiça. Por analogia, o expediente também é utilizado em outras situações como o não oferecimento do benefício da suspensão condicional do processo pelo MP, conforme previsto no art. 89 da Lei 9099/95.Para exemplificar a utilização da analogia no processo penal, podemos citar os múltiplos usos do art. 28 do CPP. Este artigo permite que o juiz envie os autos do processo ao procurador geral de justiça quando não concorda com o requerimento de arquivamento do inquérito policial do promotor de justiça. Por analogia, o expediente também é utilizado em outras situações como o não oferecimento do benefício da suspensão condicional do processo pelo MP, conforme previsto no art. 89 da Lei 9099/95.
Por fim, a doutrina jurídica consiste na opinião dos estudiosos do direito que sistematizam as normas do ordenamento jurídico em uma estrutura racional. Já a jurisprudência consiste no conjunto de decisões reiteradas no mesmo sentido, emitidas por uma corte ou tribunal. Alguns estudiosos não atribuem à doutrina e à jurisprudência o posto de fontes do direito, afirmando que são formas de interpretação do direito, por não ter efeitos obrigatórios. É claro que esta última posição é desmentida pelas súmulas vinculantes e pelas decisões do STF no controle concentrado de constitucionalidade, que possuem efeitos vinculantes e, portanto, força normativa.
	ASSIMILE
Para sintetizar o conteúdo: as fontes do direito são o local de onde provém a norma jurídica. A fonte material ou de produção é a União. As fontes formais ou de cognição são aquelas que revelam a norma. A fonte formal primária é a lei amplamente considerada – o que inclui a constituição e tratados internacionais – e por fim, são fontes formais mediatas: os costumes, os princípios gerais de direito e a analogia. Alguns autores ainda incluem a doutrina e a jurisprudência.
Entendendo o tema Para fins didáticos, explicitaremos alguns conceitos fundamentais para a correta compreensão do direito processual penal e os institutos que lhe são inerentes. Interesse: disposição ou o desejo de satisfazer uma necessidade. Trata-se de um conceito extrajurídico. Existe sempre que o indivíduo percebe que uma de suas necessidades pode ser satisfeita por um bem da vida. O direito torna-se necessário quando os interesses dos diversos indivíduos se cruzam. É sempre bom lembrar que o interesse no processo penal é, em regra, presumido quando a titularidade da ação penal for do Ministério Público. Ademais, o interesse da defesa de ser absolvido será mantido ainda que o réu seja confesso. Pretensão: intenção de subordinar o interesse alheio ao próprio. No processo penal, a pretensão punitiva estatal nasce com o conhecimento do fato e é exteriorizada pela ação penal, instituto que estudaremos nos próximos capítulos (TÁVORA; ALENCAR, 2015). Lide: normalmente conceituada como sendo um conflito de interesses qualificado pela pretensão resistida (CARNELUTTI, apud TÁVORA; ALENCAR, 2015). No processo penal teríamos de um lado a pretensão punitiva da acusação sendo resistida pelo acusado que pretende se manter em liberdade. Entretanto, muitos estudiosos afirmam que embora este instituto seja essencial para o processo civil, é irrelevante para a existência e desenvolvimento do processo penal. Autotutela: consiste no uso da própria força para a satisfação de um interesse. Como o Estado possui o monopólio do uso legítimo da força, autotutela no direito brasileiro é absolutamente excepcional.
	Exemplificando
Um exemplo de autotutela permitida no direito processual penal brasileiro consiste na possibilidade de qualquer pessoa prender quem estiver em flagrante delito, conforme consta do artigo 301 do CPP.
 Quanto à origem ou sujeito que a realiza: a interpretação poderá ser autêntica ou legislativa quando for realizada pelo próprio legislador no texto de lei. Como o art. 302 do CPP que explica o que se entende por prisão em flagrante. Será doutrinária ou científica quando for realizada pelos próprios estudiosos da ciência jurídica. Será judicial ou jurisprudencial aquela feita pelos juízes e tribunais na aplicação do direito. As súmulas são exemplos de interpretação judicial.
	Assimile
 A exposição de motivos do código de processo penal – e de todos os outros códigos da legislação brasileira – é considerada interpretação doutrinária e não autêntica.
Quanto ao modo ou meios: será literal ou gramatical quando se levar em conta a literalidade do texto de lei, ou seja, o significado gramatical das palavras. Será teleológica quando se busca extrair a finalidade da norma, ou seja, seu objetivo, sua meta. Será histórica quando o intérprete analisar a evolução histórica que levou à criação da norma, o que inclui não só um histórico das normas anteriores, mas também a observação dos debates e do contexto social da época. Será sistemática quando o intérprete entender a norma como uma parte do ordenamento jurídico, fazendo comparações e conexões para afastar a conclusão que nega os pressupostos de validade da norma ou que o faz chegar a afirmações contraditórias. Quanto ao resultado: a interpretação será declarativa, quando o intérprete expresso exatamente o que diz o texto de lei, sem restringir ou aumentar seu significado. Será restritiva quando o intérprete conclui que a lei disse mais do que desejava, sendo necessário aparar os excessos, restringindo seu alcance. Será extensiva quando conclui que o texto da lei ficou aquém do que desejava, sendo necessário estender-lhe o alcance para se chegar ao verdadeiro significado. Será progressiva ou evolutiva quando o intérprete tenta ajustar a norma às evoluções sociais, científicas e jurídicas, modernizando-a e atualizando-a através da interpretação. 
A LEI PROCESSUAL PENAL NO TEMPO 
Conforme apregoa o art. 2º do CPP, a lei processual penal possui aplicabilidade imediata, sem prejuízo dos atos já praticados. Isso significa que a lei brasileira adotou o princípio do efeito imediato, também chamado de sistema do isolamento dos atos processuais (TAVORA. ALENCAR, 2015). Assim, a nova lei processual penal será imediatamente aplicada, não importa se beneficia ou não o acusado, enquanto os atos processuais já realizados em um mesmo processo, serão preservados em sua validade, em respeito à garantia constitucional do respeito ao ato jurídico perfeito, à coisa julgada e ao direito adquirido contida no art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal. Duas ressalvas são importantes. A lei de introdução ao código de processo penal, em seu art. 3º, afirma que “o prazo já iniciado, inclusive o estabelecido para a interposição de recurso, será regulado pela lei anterior, se esta não prescrever prazo menor do que o fixado no Código de Processo Penal”. Assim, se um prazo recursal já estiver em curso, não terá seu fluxo alterado caso uma lei modifique o artigo que o fundamenta, diminuindo sua duração. Além disso, caso a norma possua natureza híbrida – ou seja, se ela previr matéria de direito penal e processual penal – deve prevalecer as regras do código penal quanto à sua aplicação no tempo. Assim, uma norma que trata de prisão preventiva, embora tenha natureza penal, também diz respeito ao direito de liberdade do indivíduo, por isso também tem natureza penal e, portanto, não pode retroagir em prejuízo do acusado.
	REFLITA
A Alguns autores criticam a forma como o código de processo penal permite a aplicação imediata de normas que podem prejudicar o acusado. Será que tal exercício flexibiliza indevidamente o direito do acusado? Será que há exceção?
Lei Processual Penal no espaço O art. 1º do Código de Processo Penal adotou, como regra geral quanto à aplicabilidade da lei processual penal no espaço, o princípio da territorialidade, ou seja, a lei processual penal brasileira é aplicável a todo crime praticado no território nacional. Entretanto, os incisos do referido artigo disciplinam algumas exceções, tais como tratados ou convenções de direito internacional – como as imunidades diplomáticas – a jurisdição política de crimes de responsabilidade