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Roteiro de Auditoria de Obras TCU 2011

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bem como a 
identificação dos responsáveis pela elaboração e aprovação de cada orçamento. 
TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO 25 
Segedam – Secretaria-Geral de Administração BTCU ESPECIAL Brasília Ano xliv n. 19 22/ nov. 2011 
 
 
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I.1.4 – Cronograma Físico-Financeiro 
78. O projeto básico deve conter cronograma físico-financeiro da obra a ser executada, com a previsão 
de todas as etapas ou parcelas para a conclusão do objeto, e seus respectivos prazos. 
79. Na análise do cronograma físico-financeiro, deve ser avaliada a coerência do prazo proposto para 
execução da obra com o porte e o tipo de empreendimento, além da distribuição dos serviços ao 
longo do tempo. O cronograma deve contemplar o valor total da construção, incluído o BDI. 
80. A fim de evitar a interrupção da obra por falta de recursos orçamentários, a equipe de auditoria deve 
avaliar a compatibilidade do cronograma com a dotação orçamentária da obra no referido exercício, 
bem como a compatibilidade da dotação total prevista no PPA com o valor total orçado para o 
empreendimento. 
 
I.2 – ORÇAMENTOS 
81. Este capítulo se destina a apresentar os principais aspectos relacionados à análise dos orçamentos de 
obras públicas fiscalizadas pelo TCU. 
82. A análise de orçamentos constitui um procedimento obrigatório em toda auditoria de obras e tem 
por objetivo avaliar os seguintes aspectos: 
a) previsão, na planilha orçamentária, de todas as etapas, parcelas e serviços necessários à 
conclusão do objeto; 
b) compatibilidade entre a execução física da obra e as etapas indicadas no orçamento; 
c) compatibilidade dos valores licitados/contratados com os praticados no mercado, de forma a 
verificar a ocorrência de sobrepreço/superfaturamento por preços excessivos; 
d) possibilidade de as obras serem concluídas com o orçamento proposto; e 
e) compatibilidade dos quantitativos medidos em relação aos executados, de modo a verificar a 
ocorrência de sobrepreço/superfaturamento por quantidade. 
83. A verificação dos aspectos acima listados busca mitigar o risco de paralisações de obra por 
insuficiência de recursos, seja devido à previsão orçamentária insuficiente ou pela ocorrência de 
desembolsos iniciais desproporcionalmente elevados, além de evitar a ocorrência de pagamentos em 
valores acima dos de mercado, jogo de planilha, aditivos contratuais direcionados, etc. 
84. A seguir, serão apresentados os principais procedimentos a serem adotados pela equipe de auditoria 
na análise do orçamento da obra fiscalizada. 
I.2.1 – Ônus da prova 
85. Cabe ao gestor de recursos públicos comprovar sua boa e regular aplicação. Em outras palavras, o 
ônus de comprovar a boa (vantajosa, em relação ao mercado) e regular (em conformidade com a lei) 
aplicação dos recursos públicos é do gestor, em conformidade com os normativos vigentes (art. 93 
do Decreto-Lei 200/1967 e art. 66 do Decreto 93.872/1986) e reiterada jurisprudência do TCU. 
86. Assim, a equipe de auditoria, quando da execução de uma fiscalização de obras, deve solicitar ao 
gestor que apresente documentação consistente para demonstrar que o orçamento-base da licitação 
(ou do contrato, se já foi firmado) cumpre os preceitos legais e atende ao princípio constitucional da 
economicidade, não extrapolando os preços de mercado. Detectadas falhas nas justificativas 
apresentadas, ou, ainda, inexistência ou detalhamento insuficiente do orçamento – o que por si só já 
constitui uma irregularidade –, resta à equipe avaliar se há indícios de sobrepreço na licitação ou no 
contrato, valendo-se dos meios disponíveis, inclusive da utilização de avaliações expeditas de 
custos. 
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I.2.2 – Tipos de orçamentos segundo o grau de precisão 
87. A Lei de Licitações e Contratos estabelece que obras de engenharia somente devem ser licitadas se 
houver projeto básico aprovado, acompanhado de orçamento detalhado, de modo a demonstrar, com 
nível de precisão adequado, o levantamento de quantidades e a definição dos métodos construtivos 
e dos serviços que serão executados (art. 7º, §2º, II). 
88. No entanto, nas fases preliminares do desenvolvimento de um novo empreendimento, como forma 
de auxiliar o gestor na tomada de decisão das alternativas de projetos, podem ser empregados 
diferentes métodos de avaliação de custos. Isso porque, nessas fases precedentes à definição do 
projeto básico, não se justifica o custo de execução de um projeto com orçamento detalhado se não 
houver certeza quanto à viabilidade econômica do empreendimento. 
89. A seguir, serão apresentados os tipos de orçamentos de obras públicas segundo seu grau de 
precisão. 
I.2.2.1 – Avaliações expeditas 
90. As avaliações expeditas podem ser feitas com base em custos históricos, índices, gráficos, estudos 
de ordens de grandeza, correlações ou comparação com projetos similares. 
91. É importante destacar que, mesmo não dispondo de dados detalhados, o estimador terá que avaliar 
os seus custos o mais próximo possível da realidade. Afinal, normalmente, a decisão de investir ou 
não será tomada com base no EVTEA desenvolvido a partir dessa estimativa. 
92. Podem, por exemplo, ser utilizados índices específicos conhecidos no mercado, a exemplo do Custo 
Unitário Básico – CUB, para avaliação expedida do custo de construção de edificações. O CUB 
nada mais é do que o custo por unidade de área construída para alguns tipos de projetos 
padronizados estabelecidos pela NBR 12.721/2006. Outros exemplos de estimativas de custo são o 
custo por MW de potência instalada, no caso de usinas termoelétricas, ou a estimativa de custo de 
rodovias mediante o uso de um custo médio por Km de rodovia construída. 
93. A grande importância das avaliações expeditas reside em: 
a) possibilitar a análise da viabilidade dos empreendimentos e a escolha da alternativa a ser 
desenvolvida na etapa de detalhamento dos projetos, sem impor o elevado ônus da elaboração 
de um orçamento detalhado; 
b) não requerer muitas informações detalhadas sobre o projeto e, por isso, o seu custo é muito 
menor do que o custo de elaborar um orçamento completo. Não obstante, a elaboração de uma 
estimativa requer muita experiência do estimador, além de conhecimento, sensibilidade e 
informações atualizadas; 
c) avaliar preliminarmente os orçamentos de obras públicas para indicar se o valor global do 
empreendimento está adequado ou não, apesar de ser um método simples e de pouca precisão; 
d) possibilitar à equipe de auditoria emitir um juízo preliminar sobre o custo da obra, 
economizando tempo de análise. Dessa forma, a equipe de auditoria deve ponderar o 
custo/benefício de se prosseguir em uma longa análise do orçamento detalhado da obra, se 
uma avaliação expedita demonstrou que a mesma encontra-se com um parâmetro de preço 
dentro de padrões de mercado. 
I.2.2.2 – Orçamento preliminar 
94. O orçamento preliminar é mais detalhado do que a avaliação expedita de custos, pois pressupõe o 
levantamento de quantidades e requer pesquisa de preços dos principais insumos e serviços. Se a 
avaliação expedita é geralmente utilizada no estudo de viabilidade, o orçamento preliminar costuma 
ser utilizado na fase de anteprojeto. 
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